AMÉRICA | Defensa
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Teste de Exocet, apenas o começo

Brasil entra no disputado mercado de mísseis guiados

07/05/2012

(Infodefensa.com) R. Caiafa, Sao Paulo - Uma das armas modernas mais temidas, os sistemas de mísseis empregados em terra, mar e ar representam a capacidade de um país dominar tecnologias militares críticas, o que só pode ser alcançado com uma sólida base industrial de defesa. O Brasil acaba de entrar para o seleto grupo de nações com tal capacidade. Combinando esforços dos centros de pesquisa civis e militares, e das empresas brasileiras Avibras, Mectron, Atech e Omnisys, em associação com o grupo europeu MBDA, o País está produzindo os motores, sistemas de guiagem, as cargas explosivas, fuselagem e demais componentes de mísseis, sejam eles para emprego em aeronaves, lançadores terrestres ou navios.

A comprovação deste estágio se deu com o disparo bem sucedido de um míssil antinavio Exocet MM40 superfície-superfície, lançado a partir da corveta Barroso. O motor de combustível sólido, produzido pela Avibras, levou o artefato até 70km de distância na altura e velocidade/direção previstos, tendo a bordo toda uma parafernália de sensores criados pela Mectron, associada da Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), para apurar informações telemétricas.

Isto significa que a indústria de defesa brasileira está apta a fabricar mísseis, e também remanufaturar/modernizar arsenais, tanto brasileiros quanto internacionais, um mercado estimado em pelo menos 900 artefatos de 15 nações. Com isso, o desenvolvimento do ManSup, o míssil antinavio de superfície brasileiro, da classe de 180km de alcance e guiagem digital, atingiu novo patamar. A estréia do protótipo está prevista para 2017, e as primeiras entregas deverão ocorrer entre 2018 e 2019. A Marinha destinou, em dezembro de 2011, US$ 50 milhões ao projeto.

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, o ManSup deve atender as necessidades da Esquadra, "e também permitir que a indústria nacional seja competitiva nas disputas pelo setor internacional". Empresários da área trabalham com a projeção de demanda, na virada da década, de 3,5 mil mísseis com as características do modelo brasileiro, que chegará ao mercado com custo e qualidade atraentes. A cooperação com a MBDA pode resultar também no desenvolvimento de sistemas de artilharia antiaérea utilizando mísseis capazes de atingir aviões invasores em distâncias de 30 km a 40 km, e em altitudes de até 15 mil metros.

Outra vertente de cooperação industrial é o início da prontificação para entrega do míssil ar-ar de 4 ª geração off-boresight A-Darter, desenvolvido numa parceria entre a empresa sul-africana Denel e a brasileira Mectron, e destinado a tornar-se o armamento ar-ar de curto alcance padrão das aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira. Vários modelos de caças utilizados na América do Sul poderiam ser armados com a versão de exportação deste sistema.

E o cenário interno se completa com os contratos de compra do Astros FN para o Corpo de Fuzileiros Navais (já em andamento), e Astros 2020 para o Exército Brasileiro, cuja definição deverá ocorrer até o fim do primeiro semestre de 2012. O Astros é um dos mais modernos lançadores múltiplos de foguetes de saturação de área e longo alcance em fabricação e sendo utilizado na atualidade. Na versão Astros 2020 ele incorporará a capacidade de lançar mísseis de cruzeiro táticos de até 300km de alcance, que podem ser armados com diferentes tipos de ogiva, como alto explosivo, bombas em cacho e mesmo munições inteligentes.

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