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Entrevista INFODEFENSA.COM

César Kuberek: Transferência de tecnologia. O estilo Thales de negócios em defesa

05/11/2012

(Infodefensa.com) Roberto Caiafa, Sao Paulo – O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), cujo primeiro lote foi licitado recentemente pelo Exército Brasileiro, teve como vencedor o consórcio Tepro, formado por Savis Tecnologia e Sistemas S/A e OrbiSat Indústria e Aerolevantamento S/A, empresas controladas pela Embraer Defesa e Segurança. Dos diversos componentes necessários para dar forma ao sistema, os optrônicos são considerados essenciais, especialmente em trechos onde o relevo e o adensamento da vegetação degradam a eficácia de radares e outros sensores. A Thales, líder mundial em soluções de alta tecnologia nas áreas de Defesa, Segurança e Transportes, está cotada para ser a fornecedora deste e de outros recursos necessários para tornar o SISFRON uma realidade.

Para falar sobre importantes aspectos relacionados com a transferência de tecnologias previstas na Estratégia Nacional de Defesa (END), Infodefensa.com entrevistou, durante a Euronaval 2012, o vice-presidente da Thales para a América Latina, César Kuberek, que discorreu de forma franca e direta sobre este tema estratégico e ao mesmo tempo controverso.

O SISFRON é uma grande oportunidade para uma empresa de portfólio tão amplo como a Thales. No entanto, existem outros programas na área de Defesa em andamento que também possuem um ótimo potencial de negócios. Quais seriam estes programas?

Além do SISFRON e do Sistema de Vigilância da Amazônia Azul (SISGAAZ), o governo brasileiro também está implementando o Sistema Integrado de Proteção de Estruturas Estratégicas Terrestres (PROTEGER), que é voltado para a defesa de instalações críticas da infraestrutura crítica (óleo e gás, usinas hidrelétricas, grandes ativos brasileiros). Estamos negociando para atender a este requerimento via Comissão Aeronáutica Brasileira (CAB) em Washington, e definindo como se dará a transferência da licença de produção de alguns itens para uma empresa estratégica de defesa brasileira, conforme as regras estabelecidas pelo Ministério da Defesa. Este será o primeiro passo dentro de uma lógica de transferência de tecnologia. Numa segunda etapa, precisamos amortizar este esforço, dar continuidade ao processo, que não pode morrer com o fim do contrato inicial, e uma forma de se fazer isso é estabelecendo áreas para onde o Brasil poderá exportar estes produtos, mediante uma renumeração da propriedade intelectual, que é da Thales e será transferida. O terceiro passo é desenvolver novas capacidades localmente, gerando novos produtos e novas vendas, e mantendo assim o esforço industrial instalado em constante movimento.

A Omnisys é uma empresa de capital 100% Thales, uma subsidiária no Brasil. Como ela se encaixaria nos requisitos de uma empresa considerada estratégica de defesa, se seu mais de dois terços do seu capital não é nacional?

A Omnisys vai atuar como parceiro de alto valor agregado a uma empresa local estratégica de defesa. Transferência de tecnologia se faz com pessoas. Este talento será transferido via Omnisys como contratada ou como parceira da empresa local. Omnisys é hoje uma organização com a maioria de suas operações na área civil, como tráfego aéreo (radares), transportes (sinalização de metro), e agora está crescendo seu potencial na área de defesa, por isso esta metodologia de se associar a empresas locais do setor. Thales transfere seu know how a Omnisys, um processo já de muitos anos, e a partir daí ela atua como integradora nas parcerias com empresas nacionais. Na área militar, fazemos componentes de guerra eletrônica para a Marinha, desenvolvimento da cabeça de torpedos e dos seekers de guiamento de mísseis brasileiros, e atuamos no desenvolvimento de sonares, o que representa cerca de 10% da receita atual da empresa. Também produzimos componentes para o satélite CIBERS Brasil China, e estamos nos preparando para sermos fornecedores do novo Satélite Geoestacionário Brasileiro. A função da Omnisys neste processo será o de ser o recipiente de conhecimento, atuando conforme as necessidades dos grandes contratos como SISFRON, SISGAAZ, PROTEGER, PROSUPER, etc, e associada a uma empresa estratégica de defesa brasileira.

Muito se fala sobre transferência de tecnologia e offsets comerciais. Como a Thales planeja e excuta este processo na construção dos contratos com governos?

Falemos por etapas, a primeira é a transferência de mantenimento, a capacidade de se manter localmente o sistema adquirido, estabelecendo níveis de trabalho entre as empresas locais e a empresa vendedora. Numa segunda etapa, vem a transferência de produção, que dividimos em três processos, o primeiro é a montagem, onde fazemos o teste final do que montamos utilizando bancos de provas e ferramentas muito específicas. O segundo processo é a produção de subcomponentes e teste final, e por fim, a produção local de componentes. A Thales pensa em termos de mercado global, e considerando sua presença na América do Sul, as projeções de demanda dos muitos programas e a extensa rede comercial da empresa em todos os continentes, ficou evidente para nós que o caminho a ser seguido é um envolvimento de longo prazo, pois o investimento é muito alto e somente atuando como parceiros poderemos gerar escala de produção para atender tanto as necessidades domésticas quanto encomendas de exportação. Isso é transferência de tecnologia real, com acesso a documentação, procedimentos e capacitações.Thales tem um portfólio de mais de cinco mil produtos e uma real capacidade de cumprir os requisitos de transferência de tecnologias estabelecido pela Estratégia Nacional de Defesa.

Falando especificamente de Euronaval e da presença da Marinha do Brasil no evento, o que a Thales apresentou ao Almirante Moura Neto e sua comitiva, especialmente em se tratando de PROSUPER?

A Thales já é parceira da Marinha do Brasil em diversos programas, portanto já existe um conhecimento de parte a parte, selecionamos para apresentar aos oficias brasileiros o sistema Imast (integração de sensores e comunicações no mastro do navio, de novo design e concepção), os sonares de profundidade variável (VDS) rebocados, utilizados para guerra antisubmarina, além do trabalho que já estamos fazendo com relação a transferência de tecnologias em sonares para os novos submarinos S-BR Scorpene. Temos dezenas de produtos na área naval que atendem os requerimentos de equipamento para os novos navios a serem escolhidos no PROSUPER. O MANSUP é outro ponto que temos caminhado lado a lado com a Marinha, juntamente com o desenvolvimento e aquisição de torpedos e capacidades nesta área.

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