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REPORTAJEM

Corveta K 130 do Thyssenkrupp Marine no Brasil

25/02/2013

(Infodefensa.com) R. Caiafa, Sao Paulo - A corveta "Ludwigshafen am Rhein" (Braunschweig Class), uma plataforma nova e moderna da Marinha alemã, esteve em visita a Recife, capital do Estado de Pernambuco (nordeste brasileiro), entre os dias 8 a 23 de fevereiro, para a realização de extensos testes em águas quentes. O comandante do navio é o capitão-de-fragata Lars Hirland. A F234 é uma das cinco corvetas da classe K 130 do 1º Esquadrão de Corvetas da Marinha alemã. Com uma tripulação de apenas 53 militares (resultado da extensa automatização a bordo), o navio partiu do seu porto de origem em Warnemünde no Mar Báltico em 16 de janeiro, e passou durante o trânsito até o Brasil nos portos de Cherbourg (França), e Praia (Cabo Verde) para, finalmente, atracar no cais N° 7 em Recife, no dia 8 de fevereiro. A corveta é caracterizada por sua alta estabilidade e sua grande capacidade de se impor em combate naval de superfície. O alto grau de automação permite que as corvetas da classe K 130 apresentem uma enorme agilidade nos canais de informação e de processos decisórios, o que possibilita uma rápida resposta quando em combate.

Graças ao seu moderno sistema de comando e controle e a suas possibilidades de comunicação, a corveta é particularmente adequada para conduzir operações litorâneas (a autonomia de mar de sete dias é uma característica do projeto original alemão, pois o navio não necessita deslocar-se por grandes extensões naquele litoral, especialmente no Mar Báltico) e também é capaz de participar de operações conjuntas, podendo prestar apoio de fogo na área de operação conjunta em terra. Com a possibilidade de embarque de um veículo aéreo não tripulado (VANT), cresce sua capacidade de ação, particularmente na área de inteligência e reconhecimento. A corveta "Ludwigshafen am Rhein" é resultado do emprego de alta tecnologia marítima alemã. Aproveitando a visita ao Brasil, representantes do consórcio dos estaleiros alemães ThyssenKrupp Marine, responsáveis pela construção do navio, apresentaram diversas informações aos representantes convidados da indústria e da Marinha brasileira sobre o desempenho e a capacidade da indústria alemã, também com vista a futuras possibilidades de cooperação com as Forças Armadas brasileiras. Na apresentação realizada a bordo, foram mostradas suas tecnologias e principalmente, a sua modularidade de concepção, o que permite mudanças significativas de projeto para integrar novas capacidades como maior alcance (e maior tempo de persistência no mar), novos sensores e armamentos de diferentes procedências, tudo dentro de um ambiente controlado de custos de desenvolvimento, fabricação e entrega.

As corvetas da classe K 130 estão equipadas com pesado armamento, em que pese a falta da capacidade anti-submarino (missão cumprida na Marinha Alemã pelas fragatas multimissão). Um canhão de fogo rápido de 76 mm Oto Melara e um lançador de mísseis antiaéreos RAM (rolling airframe missile) guarnece a proa do navio, e outro lançador RAM está montado na popa, imediatamente antes do convoo capaz de receber helicópteros de até 12 toneladas, porém, sem oferecer facilidades de hangaragem. Duas estações remotas de canhões de 27 mm Mauser MLG (marineleichgeschütz) estão dispostas a meia nau, onde também estão dois reparos duplos de lançamento de mísseis antinavio RBS 15 MK.3, um dos diferencias da corveta, pois este sistema de armas de origem sueca pode navegar de forma complexa em longo alcance, sendo capaz inclusive de realizar um novo ataque, caso perca seu alvo na primeira corrida (dentro de um limite de 200 km). As K 130 também podem lançar até 40 toneladas de minas, mas a montagem do aparato de lançamento deve ser feita antes de seu emprego utilizando o convoo, o que o indisponibiliza para a operação de helicóptero. A ampla suíte de sensores do navio engloba um radar TRS/3D 16 ES (radar tridimensional fabricado pela EADS), IFF (identificação amigo inimigo) MSSR 2000, duas alças optrônicas EO Mirador, sistema de guerra eletrônica (ECM) UL 5000K e lançadores de despistadores de mísseis TKWA Mass (Multi Ammunition Softkill System), radar de navegação Pathifinder NSC 34, tudo integrado ao sistema de gestão de dados de combate Thales Nederland SEWACO Mk.VII.

No quesito motorização, as K 130 estão dotadas com motores diesel (2 x MTU 20V 1163 TB93 - 14.8KW) capazes de levar a corveta a uma velocidade máxima de 26 nós, e dispõem de 4 geradores MTU de 800 HP para o fornecimento de energia a bordo. Os motores principais e suas caixas de redução estão montados de forma assimétrica, visando aumentar as chances de sobreviverem a avarias em combate, possuindo também sistema de aumento de estabilidade para os dois hélices e lemes. O deslocamento completamente carregado é de 1840 toneladas para um navio de 89 metros de comprimento e 13 de largura (calado de 4,3 metros). A furtividade é uma característica importante da K130, e entre as medidas adotadas está o uso de cortinas rígidas, feitas em aço, para esconder os botes infláveis e os lançadores de mísseis localizados a meia-nau. O casco foi projetado incorporando o chamado X-Form, que privilegia as formas limpas, aumentando consideravelmente a furtividade, e recebeu na proa um “bulbo” dotado de bow thruster com 300 HP de potência (utilizado para manobras em áreas restritas), o que melhora consideravelmente as características marinheiras do navio quando operando em mar aberto com grandes ondas.

Nos testes que o navio realizou em águas tropicais, foi avaliado o funcionamento de um novo sistema de resfriamento que utiliza água salgada. As K 130 realizam a exaustão dos gases dos motores imediatamente acima da sua linha dágua, dispensando o uso de complexas e pesadas chaminés (bônus para o quesito furtividade). O novo recurso consegue reduzir de forma drástica a assinatura térmica da corveta, um adendo valioso considerando-se a ameaça representada pelos mísseis antinavio equipados com sensores de busca de alvos por calor. Visando uma maior proteção balística em operações de combate a ameaças assimétricas, o passadiço do navio recebeu placas de blindagem capazes de resistir a disparos de armamento de calibre até 7, 62 mm.

A modularidade de concepção do projeto, segundo fontes da ThyssenKrupp Marine ouvidas por T&D em Recife, permite que um novo operador estabeleça suas especificações de sensores, armamento e alcance. As K 130 podem navegar por até 4.000 milhas náuticas a 15 nós de velocidade, e caso se deseje maior endurance (persistência no mar), isso pode ser obtido com o acréscimo de mais módulos ao casco (com o consequente aumento de peso e deslocamento). A Marinha Alemã adquiriu enorme experiência de reparo destes navios após os problemas verificados nas transmissões e engrenagens da primeira unidade da classe (F 260 Braunschweig). Estes foram resolvidos após extensos reparos que envolveram inclusive, o corte do casco para a remoção, correção e reinstalação dos motores, fato que atrasou em alguns anos a entrada em serviço das corvetas, pois uma nova série de testes de requalificação foi necessária.

Na atualidade, as cinco unidades K 130 encontram-se em serviço (F260 Braunschweig, F261 Magdeburg, F262 Erfurt, F263 Oldenburg e a F264    Ludwigshaffen am Rhein), tendo-se comprovado o valor destas embarcações durante a Operação Atalanta, nome dado a missão anti-pirataria da União Européia na costa da Somália, que tem por objetivo defender os navios que atravessam aquelas águas. Trata-se de uma tarefa de envergadura, tendo em conta a dimensão da área de patrulha, equivalente à distância entre Bruxelas e Moscou. A Operação Atalanta conta com navios belgas, britânicos, franceses, alemães, italianos, gregos, holandeses, espanhóis e suecos operando em conjunto, e neste ambiente a corveta K 130 se provou um elemento insubstituível pela sua inegável qualidade combatente e sua habilidade de operar integrada a uma força tarefa multinacional, já que os navios da classe contam com modernas comunicações providas pelos links 11 e 16 de comunicações táticas, tudo integrado ao sistema de gestão de dados de combate Thales Nederland SEWACO Mk.VII.

Imagem: Roberto Caiafa

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