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Entrevista INFODEFENSA

Tenente-brigadeiro Rossato (Brasil): "A capacidade de dissuasão na guerra moderna é baseada em poder aéreo"

17/11/2016 | Brasília, DF

Roberto Caiafa

Vem de Tenente-brigadeiro Rossato (Brasil): "O 'Gripen' eo KC-390 irá formar a linha principal da nossa aviação"

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, assinou em janeiro de 2016 a Diretriz do Comando da Aeronáutica (DCA 11-45) que projeta o futuro da instituição. A Concepção Estratégica – Força Aérea 100 estabeleceu objetivos e principais desafios que a FAB deve alcançar nos próximos 25 anos.

Para discutir esta mudança estratégica, o comandante da Força recebeu Infodefensa.com em Brasília no Comando da Aeronáutica. Desse encontro surgiu uma entrevista que, devido ao seu tamanho, será publicado em duas partes, a segunda das quais podem ser lidos abaixo.

Que mudanças estruturais será nos próximos 25 anos?

Estamos divulgando a Concepção Estratégica da Força Aérea 100, ou seja, de quando a Força completar cem anos. Junto com este documento, estamos finalizando também a revisão do PEMAER (Plano Estratégico Militar da Aeronáutica) onde estão sendo aplicados conceitos de acordo com a capacidade que queremos da Força nos anos vindouros e adequando a estrutura, quantificação de pessoal, meios aéreos, número e localização das bases para atender esta visão de futuro. Nesse ponto, a gestão de conhecimento para a estruturação da Força Aérea  do futuro e indispensável, básico. Se não trabalharmos nesta área com muita dedicação e planejamento, incorreremos no risco de não conseguir aumentarmos nossa produtividade, otimizarmos nossos recursos em proveito da atividade fim, que é a “garantia da soberania do espaço aéreo com vistas à defesa da pátria”.

Isso implica profundas mudanças de conceitos.

Precisamos ter uma revolução em nossos métodos de trabalho, na melhoria dos processos, na capacitação do pessoal e no uso de TI (Tecnologia da Informação). A racionalização do efetivo decorrente de uma estratégia de articulação que priorize as necessidades de treinamento e as demandas de emprego, buscando valorizar as características básicas de uma Força Aérea, como medidas práticas a concentração das unidades aéreas e uso de bases de desdobramento, será outro eixo de mudanças importantes. A maior atenção à gestão do conhecimento pela concentração das atividades administrativas e implantação de processos modernos; o uso de PPP [Participação Público Privada] e EP [Empresa Pública] também contribuirão para a otimização e redução do efetivo.

Você fala para reestruturar toda emprego e sistema educacional das forças armadas?

Sim, será implementada uma maior quantidade de pessoal temporário, tanto de graduados quanto de oficiais. Esta mudança de perfil permitirá receber profissionais prontos para trabalhos específicos e possibilitará dar maior atenção, oportunidades e capacitação aos militares de carreira. Esta nova visão da Força exigirá também mudanças nos perfis de formação de graduados e oficiais de carreira, adequando-os aos novos conceitos operacionais e administrativos. O militar da Força Aérea Brasileira do século XXI deverá ter alta capacitação operacional e administrativa, sendo referência para outras instituições da área governamental. Com visão ampla da missão da Força Aérea e sua inserção na estrutura pública e social brasileira. Deverá ter capacidade de se manter atualizado em diversas áreas, como TI e línguas estrangeiras. Terá condições plenas de operar de forma integrada com agências governamentais e Forças Armadas nacionais ou estrangeiras.

Existem precedentes de outras forças armadas desta estratégia que pode orientar?

Certamente que estudamos o que algumas das mais prestigiosas forças aéreas ocidentais fizeram ou estão fazendo, nos últimos anos, mas a nossa concepção estratégica fundamenta-se na análise do histórico e da conjuntura da FAB. A partir desta análise foi apresentado um diagnóstico da Força Aérea e uma visão prospectiva com as propostas a serem implementadas. Estas propostas, onde predominam o uso de TI, comando e controle centralizado, estrutura de apoio simplificada, mobilidade, armamento inteligente e meios aéreos com condições de fazer frente a qualquer ameaça são uma tendência mundial e já foram ou estão sendo aplicadas em diversas forças aéreas.

Tudo isso precisa de dinheiro.

Obviamente, os planos da FAB estão condicionados à disponibilidade de recursos enviados pelo governo federal, esse é um limitador importante da capacidade que poderemos obter. As Forças Armadas necessitam de estratégias eficazes para assegurar os recursos que recebem do governo federal. Há necessidade de conscientização da sociedade em geral, do Congresso Nacional e dos diversos órgãos do governo para a importância da Força Aérea na defesa da pátria e do inestimável apoio que presta à sociedade em épocas de normalidade. O Brasil, com sua grande dimensão, fronteiras vulneráveis e extenso litoral, precisa de Forças Armadas compatíveis para sua proteção.

É Força Aérea a principal linha de defesa do Brasil?

Na guerra moderna, a capacidade de dissuasão fundamenta-se prioritariamente no poder aéreo. Além disso, qualquer agressão ao nosso País começará pela tentativa de destruição dos meios aéreos e sua infraestrutura para obter a supremacia aérea e a partir daí ameaçar todas as estruturas do país. Entretanto, todos nós, homens e mulheres do Comando da Aeronáutica, não devemos adotar uma posição passiva, à espera unicamente que o governo nos repasse os recursos que precisamos. Podemos e devemos pôr em prática o plano da Força Aérea de otimizar os recursos de que dispomos, ou seja, fazer nossa parte, por em prática a “Concepção Estratégica Força Aérea 100”.

Imágenes: Roberto Caiafa

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