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Segurança Pública na cidade do Rio de Janeiro em crise

PMERJ adquire blindado antitumultos em Israel por US$ 750.000

21/11/2016 | Rio de Janeiro

Roberto Caiafa

Brasil adquiriu um veículo da polícia antitumultos, um Riot Control Vehicle MAN RCU 6000 II, produzido por Beit Alfa Technologies Ltd. (BAT)

A entrega simbólica do novo veículo foi realizado durante a feira internacional de equipamentos de segurança Ciber Israel HLS 2016, onde foi recebido pelo coronel PM Edilson Duarte,, ex-comandante-geral da PMERJ. O oficial da reserva foi convidado pela Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria (CAMBICI), que custeou toda a viagem. A unidade destina-se à Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ).

Fontes ligadas a transação informam que o contrato de compra desse veículo foi avaliado em cerca de US$ 750.000 dólares norte-americanos. Um contrato de treinamento para militares do BPChq que irão operar o carro foi fechado à parte, e seu valor não foi divulgado. Ainda não se sabe se os policiais receberão esse treinamento no Brasil ou em Israel.

Esse veículo ora sendo entregue é originário de um Termo de Referência publicado em fevereiro de 2014, pela PMERJ e Secretaria de Estado de Segurança (SESEG), ressaltando a incapacidade dos veículos da PMERJ (disponíveis a época) em lidar com as grandes manifestações de rua ocorridas em junho de 2013.

Foi definida uma aquisição de 04 (quatro) veículos equipados com jato de água e sistema de vídeo monitoramento, blindagem Nível IIIA NIJ e tração 4x4, para reequipar o Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) antes dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Porem, os conhecidos problemas de restrição financeira, ora bastante agravado, reduziram para apenas 1 (um) exemplar a compra. Além disso, entraves burocráticos em relação ao Exército Brasileiro, que não efetuou a emissão do Certificado de Importação (CI), impediram a entrega do blindado antitumultos antes dos Jogos.

Um mau momento

O Estado do Rio de Janeiro adquirir um blindado antitumultos para a Polícia Militar no momento em que a prefeitura do Rio de Janeiro atravessa uma enorme crise financeira, logo após o encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, ainda mais quando uma grave crise acomete a Segurança Pública daquela cidade, tanto na esfera de atuação municipal quanto estadual (Governo do Estado), é no mínimo contraprucedente, já que  as Forças de Segurança veem apresentando indíces alarmantes de indisponibilidade de material e não renumeração de pessoal que tornaram-se absolutamente escandalosas.

Profissionais de segurança pública (policiais militares e civis e servidores concursados), revoltados com mais de dois meses de salários atrasados, promoveram em duas ocasiões, nos últimos dias, invasões no edifício da Assembleia Legislativa. 

Tal atitude violenta dos manifestantes acabou gerando confronto, tensão e quebra de hierarquia, já que a situação inusitada de policais serem obrigados a reprimirem policiais (ambos sem receber salários), pode soar estranho para quem não está a par do colapso na ordenação dos espaços urbanos e falência total da segurança pública carioca e fluminense.

 

Segundo especialistas em blindados ouvidos pela reportagem de Infodefensa, essa notícia da compra de um carro antitumultos, no exato momento em que o Estado e o Município do Rio de Janeiro passam por um grave quadro de insolvência financeira, é no mínimo, controversa.

 

Essa situação torna-se ainda mais difícil de entender quando se sabe que a frota de blindados Maverick, da sul-africana Paramount, adquiridos para a PMERJ e PCERJ e entregues antes dos Jogos Olímpicos, estão com baixíssimos índices de disponibilidade e seu contrato de manutenção, em seus termos financeiros, não foi honrado pelas autoridades públicas responsáveis, logo após o fim da garantia do fabricante. De fato, existem muitas dúvidas a respeito desse contrato e do destino dado aos recursos empenhados.

A manutenção dos blindados foi feita por mecânicos sul-africanos disponíveis no Rio até acabar o prazo da garantia. Logo a seguir, estes voltaram para a Àfrica do Sul. Enquanto as corporações não encontram uma saída financeira para o grave quadro instalado, os blindados, que são os mais modernos existentes na cidade do Rio de Janeiro, seguem na garagem, e os antigos Caveirões*, supostamente aposentados, voltam a serem usados!

*Adaptação grosseira usando veículos de transporte de valores convertidos para uso como blindados policiais, algo muito comum no Brasil.

Imagens: BAT / Roberto Caiafa

 

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