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Exercício com fogo real

Um SH-16 Marinha do Brasil teste torpedos Mk.46 Mod 5 na Aspirantex 2017

08/02/2017 | Rio de Janeiro, RJ

R. Caiafa (Enviado especial)

A Aspirantex 2017 começou quando os navios designados para essa comissão demandaram o mar a partir da Base Naval do Rio de Janeiro no dia 12 de janeiro, em direção ao Porto de Montevidéu (Uruguai) e ao Porto de Mar Del Plata (Argentina), ocasião em que foram divididos em dois grupos visitantes.

O Grupo Tarefa 701.1 contou com cerca de 2.000 militares distribuídos em seis navios, a corveta V-34 Barroso, o Navio Doca Multipropósito NDM G-40 Bahia, o Navio Desembarque de Carros de Combate NDCC G25 Almirante Sabóia, o Navio Tanque G-23 Almirante Gastão Motta, as fragatas Type 22 F-46 Greenhalg e F-49 Rademaker, o submarino S-30 Tupi.

Também foram empregadas aeronaves da Aviação Naval da Marinha do Brasil (UH-12, UH-15, SH-16, AF-1), mais a participação de três aeronaves da Força Aérea Brasileira (caças bombardeiros A-1 AMX e turboélices P-95 Bandeirulha). 

Durante o exercício foi concluída mais uma etapa de adestramento dos navios da esquadra e das tripulações.

Ao mesmo tempo, os Aspirantes da Escola Naval, a razão de ser da comissão, fizeram suas escolhas de corpo e habilitação após se familiarizarem na prática com as tarefas aprendidas na vida acadêmica.

Operacionalidade da Marinha

Nas duas primeiras semanas, foram realizados exercícios de postos de abandono, controle de avarias, tiro sobre granada Iluminativa, manobras táticas diurnas, transferência de carga leve, light line noturno, navegação astronômica, simulação de ataque submarino, demonstração de mastros e periscópios de submarino, operações aéreas e fast rope.

Os exercícios de surpresa, que são divididos por área de interesse, visam treinar e avaliar a reação das tripulações em todos os navios, sendo conhecidos pelo termo "prego" entre os marinheiros.

Ao longo da semana, foram conduzidos exercícios de avaria na giro (que simula uma falha na agulha giroscópica), avaria no leme (simulação de falha no sistema de governo), comunicações por bandeiras e por emissões de ondas eletromagnéticas e o fundamental controle de avarias (CAV), tais como incêndios e alagamentos em compartimentos sensíveis. Os pregos podem ocorrer a qualquer momento do dia ou da noite, sem aviso.

A partir do dia 23 de janeiro foi iniciada a terceira e última semana. Durante o retorno ao Rio de Janeiro, os navios atracaram em dois portos no estado de Santa Catarina, Itajaí e São Francisco do Sul.

Durante a permanência, ocorreu uma missão sabotex (teste da segurança de bordo), atividade que simula uma infiltração de pessoa não autorizada no navio com o fim de lhe causar danos ou incapacitá-lo.

Ainda na fase de porto, foi promovida a visitação pública com o objetivo de aproximar a população da Marinha do Brasil. Cerca de 7.800 pessoas visitaram o Navio Desembarque Multipropósito NDM G-40 Bahia e as Fragatas Type 22 F-49 Rademaker e F-46 Greenhalg.

Dentre as atividades realizadas após a saída desses portos, ocorreu a desatracação em postos de combate (onde o navio enfrenta ameaças assimétricas), transferência de carga leve diurna e noturna, transferência de óleo no mar pela popa (parte de trás do navio) e a contra bordo (lado a lado), transferência de água no mar, reabastecimento de helicóptero em voo, recolhimento de náufrago por meio de helicóptero, homem ao mar (lançamento do Oscar), vertreppick up, manobras táticas noturnas e Search and Rescue (SAR) por aeronave.

O Navio Tanque G-23 Almirante Gastão Mota, após cinco anos passando por um Período de Manutenção Geral (PMG) no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), voltou a operar.

Na Aspirantex 2017 o navio realizou a faina de transferência de óleo no mar pela popa (parte de trás do navio) para a fragata F-46 Greenhalg, que recebeu o combustível pela proa (frente).

Essa faina mostra que o G-23 está apto a reabastecer em diferentes formaturas/posições, possibilitando o aumento do tempo de permanência e distância percorrida apoiando com combustível um Grupo Tarefa, inclusive em viagens de longa duração.

Outro exercício realizado nos navios dotados de convoo, caso do G-25, foi o de crache, onde é simulado um pouso forçado seguido de incêndio na aeronave, a qual recebe o apoio da tripulação (especializada em operações aéreas) para controlar o fogo e socorrer os aviadores.

Um destaque da Aspirantex 2017 foi o primeiro lançamento real de torpedo  Mk.46 Mod 5 por helicóptero Sikorsky SH-16 da Marinha do Brasil, contando com um Helibras H-225M (UH-15) como plataforma de imagens.

Para realizar a missão, o SH-16 executa todo o procedimento deep com bola na água (voo pairado com hidrofone arriado).

Após detectar o alvo, recolhe rapidamente o equipamento para bordo e empreende a corrida de ataque a grande velocidade, momento em que o torpedo é lançado e seguido pela aeronave após o seu impacto na água.

A operação foi um sucesso completo, confirmando a operacionalidade plena do SH-16 como um sistema de armas.

Recentemente, o mesmo modelo já havia disparado o míssil antinavio de guiamento infravermelho Kongsberg Penguim que impactou contra um casco desativado da Marinha, comprovando sua habilidade de incapacitar o navio.

Com o objetivo de treinar os operadores de sistemas mísseis das fragatas, e os artilheiros dos navios do GT 701.1, também foram realizados dois ataques aéreos.

O primeiro foi executado por aeronaves da Força Aérea Brasileira (A-1 AMX de Santa Maria e P-95 Bandeirulha de Florianópolis), e o segundo, por jatos de combate AF-1 Falcão da Marinha do Brasil.

Na ocasião, os Aspirantes puderam testemunhar a importância do poder aéreo oferecido pela aviação naval, e vibraram com passes baixos de dois caças A-4 Skyhawk sobre os navios, antes de voltarem para a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia.

A escolha de uma vida

A Aspirantex 2017 teve como metas a serem cumpridas o adestramento dos navios do Grupo Tarefa (GT) e motivar os Aspirantes da Escola Naval com um programa de exercícios, familiarizando-os com a vida a bordo de um navio, e também dando-lhes maior segurança ao realizarem a difícil escolha de corpo e habilitação.

O dia mais importante para os mais de 200 aspirantes embarcados foi 26 de janeiro, quando decidiram o rumo de suas carreiras ao optarem por ser do Corpo da Armada, do Corpo de Fuzileiros Navais ou do Corpo de Intendentes.

Durante a Aspirantex 2017 também ocorreu a participação de Aspirantes femininas do Quadro de Intendência, realizando as mesmas fainas e atividades que os homens sem qualquer diferenciação.

Na chegada a Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ), os aspirantes receberam dos oficiais  encarregados de avaliá-los durante a comissão, mídias digitais com registros em foto e vídeo de tudo o que foi praticado e executado em 21 dias de missão.

Após as recomendações sobre segurança de informações e procedimentos para o desembarque, orgulhosos aspirantes desceram pelo portaló do G-25 Almirante Sabóia de volta ao sagrado solo de Villegaignon.

Após 21 dias de viagem, deu-se por encerrada a comissão operativa Aspirantex 2017.

Imagens: Roberto Caiafa

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