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AMÉRICA | Defensa
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LAAD 2017

Ruben Lazo (Thales): "Combater o crime organizado requer alta tecnologia"

O vice-presidente Thales para América Latina Ruben Lazo. Foto: Roberto Caiafa.

O vice-presidente Thales para América Latina Ruben Lazo. Foto: Roberto Caiafa.

10/04/2017 | Rio de Janeiro

Roberto Caiafa

O grupo francês Thales apresentou durante a LAAD Defence and Security 2017 (quatro a sete de abril) uma série de tecnologias e sistemas no estado da arte para emprego em terra, no mar e no ar.

No momento em que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações teve seu lançamento adiada devido a uma greve de grandes proporções na Guiana Francesa (sem prejuízo da integridade do satélite), Infodefensa entrevistou Ruben Lazo, vice-presidente da Thales para a América Latina.

Infodefensa: Qual o próximo passo com relação ao SGDC, após o lançamento? Haverá um segundo satélite?

Lazo: Existem conversações entre a Thales e o Governo Brasileiro, mas a nossa prioridade hoje é lançar e colocar em serviço o primeiro satélite. No planejamento brasileiro certamente existe a previsão de um segundo artefato (SGDC 2), mas primeiro, até mesmo por uma questão contratual, devemos priorizar a operacionalização do SGDC e sua infraestrutura de apoio terrestre, o que já está ocorrendo em um nível bem avançado. A Thales está disposta a continuar com o Programa Espacial Brasileiro, e principalmente, acelerar o processo de transferência de tecnologia. Trinta profissionais que ficaram por dois anos na França estão começando a retornar ao Brasil para difundir os conhecimentos adquiridos. O SGDC vai permitir ampliar a cobertura de sinal de internet por todo o território brasileiro, na sua vertente civil, e no viés militar, expandir comunicações seguras das três forças armadas. Esse mix dual é uma característica importante do SGDC, e naturalmente deverá acontecer, pelas nossas expectativas e visão, a contratação de um segundo satélite.

Infodefensa: Thales investiu no Brasil importantes somas em um Centro Tecnológico Espacial, um Centro de Excelência em Sonares e uma linha de radares primários fabricados em São Bernardo do Campo. Quais as perspectivas para cada um desses investimentos em 2017?

Lazo: Esses três campos da sua pergunta representaram, nos dois últimos dois anos, investimentos de mais de 50 milhões de reais (em pleno viés de crise), o que demonstra a responsabilidade que temos com o Brasil. Para citar um exemplo, já temos mais de 120 radares instalados e operativos por todo o território. A Thales Omnisys exportou 17 radares para o mundo entre 2015 e 2016. São produtos de alta tecnologia que atendem exigentes parâmetros internacionais. Se lançarmos um olhar sobre os últimos 10 anos da Thales no Brasil, vamos constatar que o grupo já investiu mais de 500 milhões de reais no País.  Participamos da LAAD há 11 anos, ou seja, desde o seu início, sempre trazendo novas tecnologias e soluções talhadas para a demanda latino-americana. Além de nossas ações na Defesa, temos importantíssima operação no Controle de Tráfego Aéreo brasileiro, e agora estamos investindo pesadamente em conectividade ligada a Big Data e Segurança.

Infodefensa: A Thales tem uma visão de futuro mito consistente e pretende ser líder em todos os segmentos que atua. Como está definida a estratégia do grupo para atingir esses objetivos?

Lazo: Estamos focando algo diferente nos próximos anos, elementos chave como conectividade e big data (bilhões de informações por segundo devem trafegar e serem analisadas com grande velocidade), trabalhando em conjunto com uma robusta estrutura de segurança (cybersecurity), sem esquecer da interface homem máquina (digitalização) completam o conjunto. O dia a dia das pessoas, dentro e fora de ambientes de segurança, será cada vez mais regido pela conectividade, elemento primordial da sociedade digital do futuro. Thales investe para atender a esses desafios com diversas tecnologias que permitem, para citar um exemplo, lançarmos uma constelação de satélites dedicados que permitirá aos passageiros de voos comerciais navegarem na internet sem maiores preocupações durante suas viagens. Isso considerando o crescimento do número de passageiros e as demandas necessárias para a aviação comercial em escala global nos próximos anos. Infraestruturas como essas são uma necessidade recorrente na América Latina, e mobilidade associada a conectividade, tudo interconectado e gerenciado via Big Data protegido por uma estrutura de cybersecurity demandará grandes investimentos. Thales está preparada para realizar esse trabalho multidisciplinar de largo espectro que envolve tecnologias nos setores de Defesa, Comunicação, Gerenciamento de Informação, Segurança Pública, Defesa de Fronteiras, Comando & Controle, etc.

Infodefensa: Segurança Pública em um País como o Brasil é um tema dispendioso e complexo. Como Thales pode colaborar no fortalecimento das capacidades a disposição das autoridades do País, se considerarmos um orçamento que sofre contingenciamentos e cortes todos os anos?

Lazo: Combater o crime organizado requer alta tecnologia. Temos a percepção da necessidade de investir, mesmo com a crise instalada desde o último trimestre de 2014. Estamos a retomar algum crescimento em 2017, mas algumas nações do continente estão com suas capacidades pela metade, e precisam modernizar ou substituir diversas tecnologias para combaterem com mais efetividade o tráfico de drogas, contrabando, crimes transnacionais, armas e munições ilegais, roubo de informação, etc. O clima de insegurança vigente demanda pesados investimentos em equipamentos que atendem uma problemática muito complicada, para citar um exemplo, até mini-submarinos são usados por contrabandistas e traficantes! Existe uma sofisticação da criminalidade que só pode ser derrotada com tecnologia. Não podemos tecer comentários  quanto a questões do Governo Brasileiro com relação ao Orçamento, mas certamente nos próximos anos a retomada dos investimentos deverá ocorrer. Existe a necessidade de se construir e lançar satélites de observação da Terra usando radares, Sistemas de Vigilância de Fronteiras, Veículos Aéreos não Tripulados e tantos outros instrumentos que auxiliam os tomadores de decisão. A Thales tem condições de fornecer essas soluções.

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