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Traficante usou drones para tomar territórios de gangue inimiga

32 fuzis de assalto apreendidos em um dia de operações policiais no Rio de Janeiro

Fuzis de assalto 5,56mm e 7,62mm apreendidos. Fotos: Governo do Estado do Rio de Janeiro

Fuzis de assalto 5,56mm e 7,62mm apreendidos. Fotos: Governo do Estado do Rio de Janeiro

10/05/2017 | Rio de Janeiro

Roberto Caiafa

A Guerra entre Gangues do Narcotráfico na cidade do Rio de Janeiro atingiu um novo marco de violência com a apreensão pelas Forças de Segurança Estaduais de 32 fuzis de assalto, quatro pistolas e doze granadas de mão (de um total de 48 armas de fogo), e a prisão de 45 marginais em um único dia.

Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi o palco de combates acirrados entre as forças do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa (vulgo Peixão) e tropas de uma facção criminosa que luta para retomar o controle da região, na madrugada do dia dois de maio último.

Nas redes sociais, áudios dos tiroteios, compartilhados por moradores, permitem reconhecer o som de rajadas de metralhadoras e fuzis, e a quantidade de disparos é impressionante.

Três policiais militares ficaram feridos por estilhaços na Favela Kelson's, na Penha, e três suspeitos foram baleados na Cidade Alta, sendo levados para o Hospital Getúlio Vargas, também na Penha.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) fez as operações através do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), do 16°BPM (Olaria) e do 22°BPM (Maré), que estiveram na região da Cidade Alta.

Em Parada de Lucas, policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) participaram da ação e dois dos fuzis apreendidos foram encontrados na comunidade.

Além do expressivo número de armas de guerra apreendidas (e farta munição), uma novidade descoberta pela Polícia Civil chamou a atenção.

Antes de invadir e tomar Cordovil (final de 2016), o traficante "Peixão" realizou levantamento de inteligência e reconhecimento de área com o emprego de drones conectados a celulares smart phones, garantindo uma vantagem tática decisiva com o uso de câmeras voadoras.

Segundo o Secretário de Segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Antônio Roberto Cesário de Sá "Essas armas apreendidas, conhecidas como "caixinhas", são alugadas entre os criminosos para ocasiões especiais onde é necessário reunir maior poder de fogo. A marca CX encontrada na coronha dos fuzis tomados ao tráfico identificaria uma facção que atua na região de Caxias, Baixada Fluminense, região que faz parte do perímetro urbano da cidade do Rio de Janeiro".

Por conta da guerra na Cidade Alta, crianças e adolescentes não tiveram aula em escolas da região. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 3.109 alunos ficaram  sem atendimento escolar nas regiões da Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral.

Segundo a 4ª Coordenadoria Regional de Educação, cinco escolas, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) ficaram sem atendimento na região da Cidade Alta, afetando 2.203 alunos.

Em Parada de Lucas, duas escolas e uma creche não abriram e 738 alunos ficaram sem aula. Já em Vigário Geral, duas creches que atendem pela manhã ficaram fechadas durante os confrontos. 

Tudo isso aconteceu treze dias após o secretário Roberto Sá e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, inaugurarem a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), que tem como missão qualificar a investigação e o combate ao tráfico de armas de fogo no estado (Foto).

Segundo declarou Sá a época da inauguração "A Desarme surge com a imensa responsabilidade de responder a esse desafio com racionalização de dados, investigação específica e a prisão daqueles que trazem esses armamentos, munições e explosivos”.

A Desarme consiste numa ação estratégica da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Seseg) e da Chefia de Polícia. A metodologia de trabalho a ser implementada na especializada tem como pilar central ações de inteligência e integração.

Importante observar que o tema fuzis de assalto faz parte do dia a dia do cidadão carioca, conforme dados divulgados rotineiramente pela SESEG e suas autarquias.

Dados apurados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro com relação às apreensões de fuzis e pistolas ocorridas durante os meses de janeiro a maio de 2015 naquele Estado, e comparados com o mesmo período do ano anterior (2014), mostram que houve, já naquele período, um aumento nas apreensões de 51% ou 59 armas.

Dos 174 fuzis apreendidos, 126 unidades ou 72% tiveram origem na capital do estado. Já as pistolas totalizaram 1.533 apreensões no ano de 2015, representando um aumento de 25% ou 309 armas.

A capital do estado foi responsável por 43% das pistolas apreendidas, o que correspondeu a 653 unidades. Como é fácil constatar, são números de dar inveja a muitos hot spots e locais em conflito mundo afora. 

Imagens: Governo do Estado do Rio de Janeiro/ Roberto Caiafa

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