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Forças Armadas brasileiras não tem o que comemorar

Dia do Soldado ofuscado pelos cortes orçamentários

Programas Estratégicos do Exército Brasileiro: na mira dos cortes orçamentários do Governo.

Programas Estratégicos do Exército Brasileiro: na mira dos cortes orçamentários do Governo.

26/08/2017 | Brasília

Roberto Caiafa

No último dia 23 de Agosto, a Marinha do Brasil celebrou o Dia do Aviador Naval e os 101 anos de sua Aviação.

No Dia 25 de Agosto, o Dia do Soldado, especialmente para o Exército Brasileiro, a lembrança dos feitos de Caxias, Herói Nacional, será comemorada em meio a pesados cortes orçamentários determinados pelo governo do presidente Michel Temer.

Até o próximo 23 de outubro, Dia do Aviador e da Força Aérea, a situação não estará melhor para as três forças.

No ano de 2016, em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil investiu aproximadamente 2,5 % em Defesa, uma discreta sétima posição no ranking das nações sul-americanas.

A Colômbia, seguida de Equador, Uruguai e Chile, lidera a lista. Na tendência atual, o Brasil poderá cair ainda mais posições ao final de 2017, aproximando-se da Venezuela, que ostentava uma nada honrosa última colocação.

Marinha do Brasil

Com uma esquadra envelhecida e desprovida de algumas capacidades modernas, a Marinha do Brasil é um misto de programas de construção dos anos de 1970/80, realizados no seu Arsenal de Marinha (AMRJ) e alguns poucos estaleiros brasileiros, e compras de oportunidades de navios excedentes das Marinhas dos Estados Unidos (US Navy), Reino Unido (Royal Navy) e França (Marine Nationale), em sua maioria.

Após o descarte do NAe A-12 São Paulo, a Marinha do Brasil se reorganizou em torno de uma miscelânea de navios muito envelhecida em sua média total. (*veja lista completa de navios aqui).

A frota com cinco submarinos, oito fragatas de três classes, três corvetas de duas classes, um Navio Doca Multipropósito mais recente e três NDCC bem antigos, mais um navio-tanque de casco simples, para listar as principais embarcações, é um compromisso dissuasório muito tênue e totalmente inadequado para a grandeza do mar territorial brasileiro.

O Prosub, o maior programa em curso, prevê a construção de quatro submarinos do modelo francês Scorpène e um de propulsão nuclear. No planejamento, ainda é preciso concluir a construção de um Estaleiro e uma Base Naval em Itaguaí, RJ.

De acordo com Marinha, mais de 60 % da construção já estava pronta em junho último. A finalização do primeiro submarino convencional (S-BR1) dentro do prazo depende da estrutura dos estaleiros.

O cronograma atual prevê que as duas últimas seções do 1º submarino sejam transferidas em novembro para o Estaleiro de Construção.

Se tudo acontecer como o previsto, o lançamento ao mar do S-BR1 será em julho de 2018.

Após cerca de dois anos de testes de porto e de mar, o submarino batizado de Riachuelo será transferido ao setor operativo da Marinha.

Em seu histórico, o Prosub já passou por atrasos devido a falta de verba.

O corte orçamentário de 2015 resultou na redução do ritmo das obras do Estaleiro e da Base Naval.

De acordo com a Marinha, para não causar impacto no processo de construção dos S-BR, foi atribuída prioridade ao Estaleiro de Construção e ao Ship Lift (Elevador de Navios), de modo a que sua prontificação esteja adequada ao objetivo de lançamento ao mar do primeiro S-BR, o Riachuelo, em julho de 2018.

Ainda segundo a Força Naval, as obras da UFEM, do prédio principal do estaleiro, do pátio de manobra de submarinos e de alguns berços de atracação do cais principal e auxiliar já foram concluídas.

De acordo com a direção do programa, assim que as seções do S-BR1 e do S-BR2 forem transferidas para o estaleiro, as seções do terceiro submarino começarão a ser montadas na UFEM (Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas).

Cortes no Programas Estratégicos do Exército

A Força Terrestre, em pleno processo de transformação para a Era do Conhecimento, amarga mais um ciclo de contingenciamentos de recursos em plena comemoração do Dia do Soldado (veja Ordem do Dia do Comandante do Exército Brasileiro aqui).

Os chamados seis projetos principais tiveram seu horizonte de execução alongados em vários anos. Projetos secundários também sofreram atrasos importantes.

Segundo dados divulgados pelo Comando do Exército, de um montante previsto de um bilhão e novecentos trinta e sete milhões de reais para os seis programas em 2017, somente setecentos e sessenta e sete milhões estão sendo realmente repassados (média histórica), ou seja, um terço dos recursos efetivamente chegam as mãos dos gestores dos seis programas estratégicos.

Apesar dos óbices, modernos equipamentos de artilharia estão sendo entregues ou estão contratados (Astros 2020 e M-109A5BR+), e o contrato de manutenção da frota de MBT´s Leopard 1-A5 BR e blindados antiaéreos Gepard 1A2 e seus simuladores foi renovado pelos próximos 10 anos.

Esse contrato prevê gasto de até 60 milhões de euros (R$ 220 milhões) até maio de 2027, por parte do Exército.

O contrato de 10 anos permitirá a KMW do Brasil definir futuras expansões e novos projetos e produtos, não só para o Brasil, mas para toda a América do Sul.

Existe ainda a chance de a francesa Nexter, que faz parte do grupo empresarial dono da KMW, vir a instalar-se em Santa Maria, gerando mais empregos e ampliando o portfolio de produtos fabricando robôs, munições e veículos blindados sobre rodas e esteiras.

A KMW do Brasil, segundo seus diretores, não abandonou os planos de fabricar blindados e carros de combate no Brasil no médio e longo prazo.

O blindado sobre rodas Guarani teve sua cadência de produção reduzida ao mínimo. O modelo, em versões porta morteiros, VBCI, IFI e VBTP, sofreu mais um adiamento no desenvolvimento da versão 8x8 de reconhecimento armado/caça tanques, equipada com torre de canhão e arma de 105mm.

A produção também não deverá atingir as 2.200 unidades pretendidas até 2040. Vários postos de trabalho na Iveco Veículos de Defesa foram fechados.

No setor de pessoal, o Exército está gradualmente aumentando o emprego de oficiais e graduados de carreira curta, uma maneira de diminuir a pressão sobre a questão previdenciária, que consome boa parte dos recursos disponíveis a Força.

Os oficias de carreira longa estarão mais concentrados em atividades operacionais, e os de carreira curta focados nas atividades auxiliares de saúde, logística de apoio ao combate, ensino, pesquisa, administração, etc. Após 8 a 12 anos de serviços, poderão retornar a vida civil e ao mercado de trabalho com uma sólida experiência profissional.

O Sisfron, Sistema de Vigilância e Monitoramento de Fronteiras, é outro programa estratégico muito prejudicado em seus prazos de execução.

Com o piloto do projeto implementado na fronteira com a Bolívia (uma faixa de 600 km) praticamente concluído, após a entrega do centro de comando instalado na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada em Dourados (MS), o programa entrou em um impasse para a contratação de novos trechos.

Criado em 2012 para ser importante aliado no combate ao narcotráfico e à entrada de armas, o Sisfron estava previsto para ser concluído em dez anos, mas até agora só cobriu 600 km de uma faixa de 17 mil km de fronteiras.

O prazo de conclusão foi adiado para 2040. De acordo com dados divulgados em julho, dos R$ 427 milhões que o Exército colocou como previsão na Lei Orçamentária deste ano para o Sisfron, R$ 166 milhões foram contingenciados.

Imagens: Roberto Caiafa / Exército Brasileiro / Ministério da Defesa do Brasil / Marinha do Brasil

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