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O exército brasileiro recupera a capacidade de operar aeronaves de asa fixa

General Villas Boas dá luz verde para a compra de quatro Sherpa C-23B

O Projeto de Incorporação do Modal Aéreo na Logística Militar Terrestre na Região Amazônica vai receber quatro aviões C-23B+ SHERPA

O Projeto de Incorporação do Modal Aéreo na Logística Militar Terrestre na Região Amazônica vai receber quatro aviões C-23B+ SHERPA

28/08/2017 | Brasília, DF

Roberto Caiafa

Após 76 anos, o Exército Brasileiro (EB) voltará a possuir a capacidade de operar aeronaves de asas fixas. O Comando Logístico do Exército Brasileiro (Colog), através da Portaria Nº 067-COLOG, de 4 de agosto de 2017, aprovou a Diretriz de Iniciação do Projeto de Incorporação do Modal Aéreo na Logística Militar Terrestre na Região Amazônica.

No dia 25 de Agosto de 2017, Dia do Soldado, o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Boas Correia, assinou o despacho decisório que oficializou essa diretriz.

O processo, deflagrado com a criação de um Estudo de Viabilidade do Projeto Modal Aéreo da Amazônia, tem por finalidade adquirir, receber e operar o C-23B+ Sherpa através do programa Foreign Military Sales (FMS), do Governo dos Estados Unidos da América.

Confirmado o interesse do EB na oferta estadunidense de 15 exemplares armazenados em Tucson, Arizona, junto ao 309ª Base Aerospace Maintenance and Regeneration Group (AMARG), o COLOG identificou a necessidade de considerar inicialmente o número de 4 (quatro) aeronaves a serem adquiridas, de modo a não impactar (reduzir) o montante de recursos atualmente destinados à AvEx, e facilitar a sustentabilidade logística para o ciclo de vida previsto para esse material, que é de 15 anos.

O comandante Logístico materializou essa decisão pela aquisição dos quatro aviões com a apresentação do pedido oficial das aeronaves, na Letter nº 39/Bld/Seç Bld/DMat - Brazilian Army Letter of Request for 4ea C-23B+ SHERPA aircraft by the Excess Defense Articles (EDA) - Grant program with the U.S. Army Foreign Military Sales (FMS), de 3 de abril de 2017.

Missões

A aeronave será destinada ao emprego nas missões de apoio logístico; apoio ao combate; transporte de pessoal e suprimento, em especial, para os Pelotões Especiais de Fronteira (PEF); e coordenação e cooperação com agências, para a atuação em toda a Região Amazônica, áreas do Comando Militar da Amazônia (CMA), Comando Militar do Norte (CMN), Comando Militar do Oeste (CMO) e, eventualmente, também em outras regiões do país.

O Grupo do Estudo de Viabilidade do Projeto Modal Aéreo da Amazônia deverá apontar os reflexos e providências decorrentes da implantação deste para o Exército e ações relacionadas às áreas da Doutrina, Organização, Adestramento, Material, Educação, Pessoal e Infraestrutura (DOAMEPI) e recursos correlatos necessários.

Essas ações serão coroadas com a incorporação de quatro aeronaves Short Brothers C-23B+ Sherpa ao Sistema Aviação do Exército (SisAvEx), de forma segura, especificamente quanto as novas capacidades logísticas e possibilidades de emprego da aeronave aplicadas à Região Amazônica, ampliando a capacidade de transporte aéreo logístico da Força Terrestre (FTer), particularmente nas áreas de responsabilidade do CMA, CMN e CMO.

O estudo de viabilidade completo apresentado ao Comando Logístico, estabelece as necessidades para capacitar os recursos humanos na operação das aeronaves na Região Amazônica com total segurança.

Também serão definidos o escopo dos trabalhos de modernização, caso se decida por uma, e as necessidades de traslados dentro dos EUA e para o Brasil.

Para o pessoal técnico de apoio, serão montados cursos de Ground School. Também entram na lista aquisições de ferramental, equipamentos de aferição e documentação técnica da aeronave, bem como o Contrato de Suporte Logístico (Contractor Logistics Support - CLS) a ser estabelecido por 5 cinco anos, com a possibilidade de nacionalização do suporte logístico posteriormente.  

Já que esses aviões serão baseados em Manaus (capital do Estado do Amazonas), coube ao Grupo do Estudo de Viabilidade do Projeto Modal Aéreo da Amazônia planejar a implantação de uma Subunidade de Asa Fixa no 4º Batalhão de Aviação do Exército (4º BAvEx), responsável pela operação das aeronaves na Região Amazônica.

Também deverá ocorrer a adequação da infraestrutura existente no 4º BAvEx e no Comando de Aviação do Exército (CAvEx) para a hangaragem das aeronaves e para a realização dos serviços de manutenção e inspeções programadas no CLS, e a regulação das medidas necessárias quanto à implantação do Projeto Modal Aéreo da Amazônia no âmbito do Exército Brasileiro.

A quase totalidade das missões de apoio ao combate e apoio logístico na região amazônica podem ser cumpridas pelos C-23B+ Sherpa, resultando em solução de curto prazo com excelente relação de custo-benefício para o Exército.

Também serão efetuadas ações de capacitação de pessoal para operação e suporte logístico das aeronaves no Brasil e no exterior; a incorporação de novos equipamentos e conteúdo de instrução no Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx); o estabelecimento de parcerias e/ou convênios com instituições privadas ou outras Forças para capacitação inicial de pessoal; verificar a necessidade de construção de novas instalações, infraestruturas físicas no 4º BAvEx e no Batalhão de Manutenção e Suprimento de Aviação do Exército (B Mnt Sup Av Ex), responsável pela gestão do contrato CLS.

Em tempos de cortes, o Exército deverá apresentar uma proposta orçamentária para a incorporação das aeronaves C-23B+ Sherpa, que contemple a aquisição via programa FMS, mais os investimentos necessários e o custeio para sustentabilidade logística, bem como a origem dos recursos para consecução do Projeto.

Vantagens do SHERPA

No que tange ao modal de transporte aéreo, os planejamentos anuais do Comando de Operações Terrestre (Coter), do Comando Logístico (Colog), do Comando Militar da Amazônia (CMA) e do Comando Militar do Norte (CMN), contemplam, na atualidade, a realização de apoio logístico às Organizações Militares do Exército - particularmente aos Pelotões Especiais de Fronteira ), e o transporte de civis e militares em toda a Região Amazônica, prioritariamente com a utilização das aeronaves de asa fixa da Força Aérea Brasileira (FAB), por contratação de empresas civis de transporte aéreo ou com aeronaves de asa rotativa da própria Força Terrestre.

A 12ª Região Militar (12ª RM), responsável pela logística de boa parte da Amazônia, gasta anualmente elevados recursos na contratação de empresas aéreas regionais civis, no modal aéreo. Por outro lado, a FAB está atualmente engajada em um extenso processo de reestruturação e estabeleceu prioridades específicas às suas necessidades (FAB 100), e sua frota de bimotores Airbus D&S C-105A Amazonas e Embraer C-95 Bandeirante deverão sofrer ajustes em suas missões de apoio ao EB.

A contratação de empresas civis de transporte aéreo de cargas e passageiros no CMA e no CMN é uma solução que apresenta restrições como a limitada capacidade logística das aeronaves; altos custos de contratação, restritos por limitações orçamentárias vigentes; pouca disponibilidade de rotas e horários de voo que atendam às necessidades logísticas dos Comandos Militares de Área; restrições ao transporte de munição e líquidos inflamáveis; e o aumento da vulnerabilidade da Força com relação ao transporte de material de emprego militar em aeronaves civis.

Além disso tudo, diversas missões logísticas e administrativas têm sido cumpridas por helicópteros com custo consideravelmente alto. Atualmente, cerca de 30% (trinta por cento) do total das Horas de Voo (HV) destinadas à AvEx são empregadas em missões de Apoio Logístico e Apoio ao Combate.

Por suas características técnicas, o Sherpa pode cumprir as missões de apoio logístico com vantagens operativas e custo consideravelmente inferior ao da atual frota de helicópteros da AvEx.

Em uma consulta a um operador americano do modelo verificou-se um custo da Hora de Voo (HV), muito baixo, cerca de um quarto do valor médio da HV dos atuais helicópteros da AvEx

O 4º BAvEx, nos últimos cinco anos, considerando os três modelos que utiliza (Pantera, Cougar e Black Hawk), vem utilizando cerca de 30 %  do seu total de HV para apoio logístico, horas que poderão ser direcionadas para os novos aviões a um custo menor.

Associando o custo e o potencial de voo dos Sherpa, fica evidente a vantagem na relação custo-benefício, quando comparada às aeronaves novas que vêm sendo oferecidas ao Colog (Sikorsky/PZL M-28, Viking DHC-6 Twin Otter, Airbus C-212, Cessna Grand Caravan, etc).

A implantação e a operação do Sherpa também permitirá ao Exército Brasileiro aumentar a disponibilidade das frotas de helicópteros da Aviação do Exército para missões de preparo e emprego, ampliará a capacidade operacional do CMA, CMN e CMO, em suas diversas missões, principalmente no emprego em missões eventuais de apoio a agências federais, estaduais e municipais no atendimento a regiões afetadas por calamidades naturais.

O valor gasto anualmente em transporte aéreo pela 12ª RM (na contratação de empresas aéreas regionais civis) poderá ser revertido em favor das novas aeronaves. Os cálculos mostram que o preço do quilograma transportado pelo modelo a ser adquirido é de cerca de 39 % menor que o transportado pela empresa aérea civil, contratada pela 12ª RM.

Os Quatro Escolhidos

Com base nas informações e nos dados previamente levantados no Relatório de Inventário da Frota de aeronaves C-23B Sherpa, disponibilizado em fevereiro último, foram apresentadas as primeiras informações e fotos que identificam as quatro aeronaves pelos seus Tail Numbers.

De acordo com as informações aqui demonstradas, os quatro aviões já ultrapassaram a marca de 30 anos de fabricação.

Segundo os históricos disponibilizados, as três primeiras foram fabricadas em 1984 e a quarta em 1985.

Todas foram inicialmente concebidas para operadores civis e posteriormente convertidas para versão C-23B Sherpa entre o ano de 1997 e 1998, tendo sido alocadas na US Army National Guard, onde operaram até 2013, tendo sido estocadas no Amarg em 2014.

Nos planos aprovados, a primeira unidade deverá chegar a Manaus em 2020.

Esse prazo de dois anos até a primeira entrega será necessário para a realização de padronizações e modernizações nos aviões, treinamento de pessoal aeronavegante e de terra, adequação de instalações e reformas na infraestrutura do 4º BAVEX, opção mais provável para receber os quatro aviões dentre as três consideradas, todas dentro do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.

As obras deverão incluir a ampliação/duplicação do hangar e do pátio de aeronaves (reforçado para suportar um peso maior) através do aterramento de uma área lateral existente no 4º BAVEX, a construção de hangarete (para duas aeronaves) e demais facilidades de apoio logístico de linha de voo.

Também deverá ser feita a remodelação e ampliação das taxiways na área de responsabilidade do Exército.

A pista auxiliar também deverá ser recapeada e reforçada.

Imagens: Exército Brasileiro / COLOG 

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