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Embraer Defesa e Segurança e AEL Sistemas

Programa F-5BR é concluído após 12 anos e 50 aeronaves modernizadas.

Os biplaces F-5FM existem em pequeno número na Força Aérea Brasileira e são muito valiosos.

Os biplaces F-5FM existem em pequeno número na Força Aérea Brasileira e são muito valiosos.

04/09/2017 | Gavião Peixoto, SP

Roberto Caiafa

Encerrando um programa cujas primeiras entregas aconteceram em 2005, até o final de 2017 a Força Aérea Brasileira (FAB) deverá receber os dois últimos exemplares (biplaces) do caça Northrop F-5EM/FM modernizados no Brasil.

O programa foi realizado pela Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto (SP), em conjunto com a empresa AEL Sistemas (subsidiária da israelense Elbit), a um custo avaliado de US$ 285 milhões.

Em abril de 2011, um segundo contrato, estimado em US$ 87 milhões, foi firmado para a modernização de 11 caças F-5 adquiridos da Real Força Aérea da Jordânia (oito monoplaces e três biplaces).

Desse segundo acordo, somente um F-5FM biplace foi entregue em outubro de 2014.

Com o advento dos cortes orçamentários naquele ano, e no seguinte, ocorreu a interrupção dos trabalhos nos monoplaces, o foco sendo direcionado para os dois biplaces restantes, muito valiosos devido a pouca oferta desse modelo no mercado internacional.

Após 12 anos (um espaço temporal bastante dilatado para a execução de um programa de modernização de uma frota relativamente pequena), as aeronaves mais recentes, e que ainda contam com vida útil estrutural deverão atuar operacionalmente por mais 10 anos, mantendo a caça brasileira atuante durante a entrada em serviço dos primeiros caças SAAB F-39 Gripen E/F, planejada para começar a partir de 2022.

Para um caça tático leve que chegou ao Brasil em 1975, um horizonte operacional de meio século (50 anos) em serviço, sob todos os aspectos, é algo espetacular e demonstra cabalmente o domínio que a Força Aérea Brasileira obteve na operação desse avião de combate.

Uma modernização de custo excepcional

A última vez que este autor teve contato com um caça Northrop F-5E Tiger II da Força Aérea Brasileira, corria o ano de 2006, Centenário do Voo do 14-Bis, e o Museu Aeroespacial em festa comemorava a data com um show aéreo completo.

Naquela ocasião, as primeiras entregas do Tiger modernizado para o padrão F5-EM/FM já estavam acontecendo (iniciadas em setembro de 2005).

Meu primeiro contato com um F-5EM modernizado se deu na Academia da Força Aérea, no ano seguinte.

Com a retirada de um canhão Pontiac M39 de 20mm para dar espaço aos equipamentos do radar FIAR Griffo-F, alguns incautos acreditariam que uma capacidade havia sido perdida no combate aéreo. Ledo engano.

Um novo avião F-5 nasceu no bojo de um bem elaborado programa industrial que combinou desenvolvimento nacional, escala de produção e comunalidade de ítens aviônicos digitais com uma bem estruturada gestão de projeto por parte da Força Aérea e da indústria.

No campo operacional e doutrinário, a introdução da capacidade beyond visual range (BVR) através dos mísseis Rafael Derby combinados ao Griffo-F revolucionou a FAB.

O novo radar, que substituiu os vetustos Emerson Eletric APQ 159 V5, pode detectar alvos voando alto a até 70 km de distância, e 38 Km contra alvos voando baixo pois possui processador de sinais digitalizado e consegue traquear enquanto procura (TWS) vários alvos, com habilidade de engajamento múltiplo e função LD/SD (olhar para baixo/atirar para baixo).

Para armar o F-5EM/FM, a FAB adquiriu no mercado internacional mísseis WVR israelenses Rafael Python IV, usados em conjunto com capacetes designadores de alvos (HMD) Elbit/AEL Sistemas TARGO (capacidade off-boresight), e mísseis BVR Rafael Derby dotados de autoguiamento radar e capacidade Fire and Forget, uma novidade que mudou a forma da caça brasileira combater por completo.

Os novos rádios digitais, integrados a capacidade DataLink das aeronaves AWACS E-99 do Esquadrão Guardião, e combinados com o excelente radar instalado no caça se uniram para formar um sistema de Defesa Aérea eficaz e viável mesmo em ambientes de baixa disponibilidade orçamentária.

O F-5EM/FM modernizado recebeu um pacote de sensores e sistemas defensivos como alerta radar (RWR) Elisra, lançadores de chaff/flares e capacidade de operar o pod de guerra eletrônica Sky Shield, assim como pode empregar a instrumentação AACMI/mísseis de manejo para realizar o treinamento operacional de combate dos pilotos (no caso do Derby, apenas a instalação dos cabides para os mísseis nas asas é suficiente).

Para as missões de ataque ao solo, o F-5EM pode ser armado com bombas "burras" similares as MK82, MK.83 e MK.84 norte-americanas, bombas de fragmentação "em cacho", bombas inteligentes obtidas através da instalação de kits de guiagem em bombas da série MK, foguetes de 70 mm, bombas antipista BAP-100, etc.

Todas as armas citadas são produzidas pela Base Industrial de Defesa brasileira, assim como a munição de 20 mm dos canhões M-39.

O cockpit do F-5EM/FM é totalmente diverso do antigo F-5E, sendo dominado por três displays multifuncionais coloridos e um head-up display grande angular.

O layout do cockpit utiliza tecnologia HOTAS (mãos no manete e no joystick), que privilegia o acesso rápido do piloto aos comandos de voo, sistema de controle de tiro, equipamentos de navegação e comunicações e gerenciamento do armamento/munições a bordo.

Imagens: Roberto Caiafa especial para Infodefensa

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