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1º Congresso Internacional de Guerra de Mina

MCMV 47 da Saab Kockums bem posicionado para ser adquirido pela Marinha do Brasil

O MCMV 47 possui casco amagnético feito de GRP extremamente resistente: tecnologia de ponta. (Imagens: Roberto Caiafa)

O MCMV 47 possui casco amagnético feito de GRP extremamente resistente: tecnologia de ponta. (Imagens: Roberto Caiafa)

20/10/2017 | Rio de Janeiro, RJ

Roberto Caiafa

Durante o 2º dia de palestras no 1º Congresso Internacional de Guerra de Minas, realizado na Escola de Guerra Naval (RJ), o comandante da Base Naval de Aratu (BNA), capitão-de-mar-e-guerra Marcus Vinícius Castro Loureiro fez uma apresentação detalhada sobre as capacidades militares e industriais daquela organização militar, e também cometeu, de acordo com suas próprias palavras, uma ''inconfidência'' ao admitir que a proposta da Saab para o fornecimento de novos navios varredores/caça minas, destinados a substituir a obsoleta classe Aratu oferece as melhores condições em termos de valores (não divulgados), prazos de financiamento e transferência tecnológica para capacitar a Base Naval a manter e operar um navio muito mais sofisticado e complexo, o MCMV 47 da Saab Kockums.

Feito de material composto de um sanduíche com camadas de plástico reforçado com fibra de vidro (GRP), o MCMV 47 possui um casco amagnético e foi desenhado para destruir minas e realizar a varredura mecânica de minas, podendo operar o sistema de varredura de minas autônomo autopropulsado acústico magnético, ou SAM (Self-propelled Acoustic Magnetic), controlado remotamente.

O composto que é utilizado na fabricação dos MCMV possui um núcleo de espuma rígida entre duas camadas de laminado de fibra de vidro. Essa técnica construtiva permite um menor peso, baixa assinatura magnética, acústica, infravermelha, elétrica, e de pressão, alta resistência a impactos e boa resistência a incêndios. Não corrosivo e não degradável, esse composto é também fácil de reparar e requer um mínimo de manutenção durante o ciclo de vida.

Os MCMV atendem exigentes requisitos como alta resistência a impactos por explosões submarinas, excelente manobrabilidade (com sistema de hélices propulsoras cicloidais Voith inédito na Marinha do Brasil), plena proteção NBC, compatibilidade eletromagnética e, muito importante, acomodações espaçosas e farto suprimento (víveres e combustível) para missões prolongadas (persistência operacional extendida).

Na sua apresentação, o CMG Castro Loureiro informou que a Saab Kockums esteve com uma equipe técnica em Aratu recentemente, onde verificou-se todas as capacidades instaladas na base, e também fez um levantamento de quais tecnologias poderiam ser transferidas a Marinha do Brasil para o apoio pleno desses navios.

Entre as opções, está a capacitação da BNA para produzir cascos em GRP, como forma de offset pela compra dos navios varredores/caça minas.

Ainda segundo o CMG Castro Loureiro, também deverá ser feito uma série de melhorias na capacitação em áreas como eletrônica avançada, manutenção em sistemas hidráulicos empregados para lançarem e recolherem os veículos autônomos (não podem falhar na operação) e integração e mantenimento de distintos sensores e equipamentos complementares entre si. Um caça minas/navio de varredura da classe MCMV 47 não pode operar sem que a totalidade de seus sistemas e recursos estejam operacionais.

Comandante do 2º Distrito Naval

Durante uma pausa nas palestras, o vice- almirante Almir Garnier dos Santos , comandante do 2º Distrito Naval (grande comando que inclui a Base Naval de Aratu), concedeu uma rápida entrevista onde falou mais um pouco sobre os navios varredores ainda operacionais, da Classe Aratu.

Segundo o almirante "Nossa maior prioridade é garantir que não se perca todo o conhecimento de guerra de minas adquirido em quase 40 anos de operação dos Classe Aratu. Esses navios, em número de quatro, apresentam uma disponibilidade de três unidades com mais uma em recuperação/manutenção. Para manter esses NV atuando até 2024 e assim não haver a perda do conhecimento na guerra de minas (meta), foram adotadas medidas de manutenção preventiva e empresas próximas a BNA foram contratadas para apoiar a manutenção desses varredores. A MTU, fabricante dos motores dessa classe, já não presta suporte ao modelo empregado pela Classe Aratu, então, tivemos de flexibilizar esses trabalhos de modo a manter esses navios, de baixa complexidade, operativos até a chegada dos novos navios varredores/caça-minas, que devem ser adquiridos antes de 2020. O Request For Proposal será emitido em novembro próximo, e pretendemos selecionar um navio pronto, disponível e consolidado, não podemos aguardar o desenvolvimento de uma nova classe. Enquanto isso, vamos manter os Classe Aratu operativos, de modo a garantir a manutenção do conhecimento adquirido", finaliza o almirante.

Imagens: Roberto Caiafa

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