menú responsive
AMÉRICA | Empresas
-/5 | 0 votos

Brasil vai perder emprego e os EUA vão ganhar

Boeing quer fazer uma segunda linha do KC-390 nos EUA

Funcionários da Embraer no Roll-Out do KC390, em 2014.

Funcionários da Embraer no Roll-Out do KC390, em 2014.

08/10/2018 | Belo Horizonte

Roberto Caiafa

Os fabricantes de aviões Boeing (Estados Unidos) e Embraer (Brasil) teriam aberto negociações para viabilizar uma segunda linha de montagem para transportes militares KC-390 nos Estados Unidos.

Em julho, as empresas anunciaram um acordo (fusão) onde a Boeing teria uma participação de 80 por cento no negócio de aeronaves comerciais da Embraer.

Segundo vários analistas internacionais, essa foi a resposta da Boeing a compra pela Airbus da família de aviões C-Series da Bombardier.

No mesmo acordo, uma parceria de vendas e serviços com relação ao novo jato de carga militar KC-390 foi anunciada, por meio de um empreendimento de defesa em separado (joint-venture).

As duas empresas pretendem instalar uma fábrica em terrítório norte-americano, que seria a segunda a produzir o avião.

A primeira está localizada em Gavião Peixoto, no interior do Estado de São Paulo.

Tal parceria daria ao portifólio de produtos da Boeing um avião tático recém projetado e pronto para o mercado, construído para disputar vendas com o Super Hercules C-130, da rival Lockheed Martin.

A medida permitiria aos dois fabricantes aumentar sua colaboração no campo da defesa, depois que o Governo Brasileiro impediu que a Boeing assumisse o controle dos programas nacionais de defesa da Embraer Defesa e Segurança, conforme constava na oferta original vetada.

Sobre o tema da produção do KC-390 nos Estados Unidos, o especialista em aviação Scott Hamilton, da Leeham News, observou que “Isso é carregado de ironia. A Boeing desmentiu o plano da Bombardier de construir jatos C-Series nos Estados Unidos alegando que o mercado não era grande o suficiente – de fato, é muito menor para o KC-390”.

Ainda segundo Hamilton, a Boeing também teria criticado o plano da Airbus de construir o KC-330 nos estados Unidos, e para o analista, é embaraçoso observar que o KC-390 foi quase uma nota de rodapé quando o acordo da Boeing com a Embraer foi anunciado.

No entanto, o KC390 agora surge como peça principal de uma estratégia calçada no Buy American Act para permitir a Boeing manter-se como fornecedora de aeronaves de médio/grande porte multifunção para as Forças Armadas Norte-Americanas enquanto todos os ônus do desenvolvimento (e os riscos) couberam a Embraer nos últimos 10 anos em que atuou sozinha desenvolvendo o projeto do avião.

Com essa fábrica fora do Brasil e com a joint venture, o KC-390 poderá ser vendido diretamente ao governo americano.

Hoje, para a Embraer comercializar a aeronave militar Super Tucano com Washington, a negociação precisa ser feita via a empresa americana Sierra Nevada.

A parceria na área militar permitirá ainda que a Embraer venda a aeronave para países aliados do governo americano no programa Foreign Military Sales, que facilita a comercialização de equipamentos de defesa americanos.

Desnecessário constatar que fábrica nos Estados Unidos significa empregos para norte-americanos, enquanto no Brasil isso poderá significar a eliminação de diversos postos de trabalho.

Programa na reta final

A Embraer espera certificar a aeronave base KC-390 para o mercado brasileiro ainda em 2018. As operações do KC-390 com a Força Aérea Brasileira serão adiadas até o final do primeiro trimestre de 2019, já que exemplares da primeira série de produção foram requisitadas para substituir o protótipo nº 1, seriamente danificado em uma excursão fora da pista durante testes no solo (seu 2º e definitivo acidente).

A fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP) deverá ser mantida e ficará de fora do acordo.

Nos Estados Unidos, a cidade em que a unidade fabril será instalada ainda não foi definida e há conversas em andamento com governos de alguns Estados para obtenção de isenções fiscais.

A receita do segmento Defesa caiu 43% no 1S2018 em relação ao 1S17 (US $ 277M vs. US $ 490M), onde parte da queda é a exibição de serviços de segmento na nova divisão de Serviços.

Um encargo de US $ 127 milhões foi pago no segundo trimestre de 2016, quando o nível de conclusão do programa KC-390 foi revisado devido ao 1º acidente sofrido pelo protótipo PT-ZNF.

O KC-390 é o maior avião já desenvolvido no Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) já encomendou 28 aeronaves, no valor de US$ 7,2 bilhões, a serem entregues nos próximos 12 anos.

 © Information & Design Solutions, S.L. Todos los derechos reservados. Este artículo no puede ser fotocopiado ni reproducido por cualquier otro medio sin licencia otorgada por la empresa editora. Queda prohibida la reproducción pública de este artículo, en todo o en parte, por cualquier medio, sin permiso expreso y por escrito de la empresa editora.

APPS

ENVÍO DE LA NOTICIA A UN AMIGO
Correo electrónico
Tu nombre
Mensaje