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Reportaje INFODEFENSA

KC-390 e o futuro da Embraer

KC-390 produzido nos EUA: competindo por encomendas via Foreign Military Sales (FMS).

KC-390 produzido nos EUA: competindo por encomendas via Foreign Military Sales (FMS).

24/10/2018 | Belo Horizonte

Roberto Caiafa

Roll-Out do Bandeirante, 1968.Quando o primeiro protótipo do Bandeirante decolou, em 28 de outubro de 1968, existia apenas uma possível encomenda de 80 exemplares para a Força Aérea Brasileira, e uma fábrica ainda teria de ser erguida “do nada” para construir o novo avião bimotor turboélice brasileiro.

Cinquenta anos depois, a Embraer (fundada em 1969) e suas divisões de aeronaves comerciais, executivas*, agrícolas e militares compreendem duas grandes fábricas e centros de desenvolvimento no Brasil, em São José dos Campos e Gavião Peixoto (esta com pista própria de cinco mil metros de extensão), e três unidades menores nas cidades paulistas de Taubaté, Sorocaba e Botucatu.

Um caminho que começou no pioneiro Bandeirante, se aperfeiçoou com o EMB-326 Xavante (1º jato montado no Brasil), daí nascendo os turboélices EMB-120 Brasília e T-27 Tucano, que por sua vez permitiu, junto com o programa do jato de ataque AMX, o surgimento do regional Jet ERJ-145, um grande sucesso comercial e marco da virada da empresa após a sua privatização.

Essa virada deu origem ao turboélice de ataque leve e treinamento avançado A-29 Super Tucano, e o legado em concorrências internacionais nas quais ele participou e venceu, mais o aprendizado na produção e suporte pós venda dos jatos regionais, foram alguns dos fatos que abriram caminho para o sucesso industrial e comercial dos novíssimos E-Jets, na atualidade em sua 2ª geração e considerados “a cereja do bolo” no mercado de jatos de 140/45 assentos.

*A divisão de jatos executivos alinha os sucessos Phenom 100 e 300, Legacy 400, 500 e 650E, Lineage 1000 e os novos Praetor 500 e Praetor 600.

A Gênese do KC-390

 

Há nove anos, a Embraer deu outro passo ousado na sua história. Talvez o maior de todos até o momento.

Em 2009, esse autor testemunhou a cerimônia de lançamento oficial do projeto do então Embraer KC-390, uma proposta de aeronave de transporte militar inovadora, entre outros tantos aspectos, por ambicionar substituir nada mais nada menos que o consagrado Lockheed C-130 Hércules.

Com a revisão de projeto posterior e introdução de um desenho mais avançado, o avião se situou na classe de 23 toneladas empregando um motor turbofan de ampla aceitação na aviação comercial, o que traduziu-se em maior velocidade com baixo custo operacional.

O modelo usa aviônica avançada (Pro Line Fusion), acessórios e equipamentos no compartimento de cargas do tipo quick-change com características plug and play, roll on/roll of, pontos de ancoragem e trilhos guia para lançamentos de carga aerotransportável e um sistema computadorizado automático de cálculo para lançamento de cargas e paraquedistas.

Seu radar e sistema de aumento de visão para a tripulação garantem independência operacional e alto fator de sobrevivência em áreas conflagradas, o avião sendo considerado seguro para operar em zonas quentes (hot spots) com ameaças antiaéreas de baixa intensidade.

Tudo isso testado exaustivamente durante uma campanha de ensaios com dois protótipos que anotaram dois acidentes importantes em um deles, a ponto de torná-lo indisponível para voo, decretando sua substituição na campanha de ensaios pelo primeiro avião de série (no último dia 10, a EDS realizou o voo inaugural desse exemplar).

Certificação da Agência Nacional de Aviação Civil

 

A certificação foi emitida oficialmente pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no último dia 18, permitindo assim a comercialização e operação da aeronave em todo o território brasileiro.

A certificação é emitida quando o projeto de aeronave demonstra ter cumprido todos os requisitos operacionais, de segurança, e proteção ambiental, obrigatórios para a operação.

O programa de certificação alcançou sete anos de trabalho, verificando mais de 2,5 mil requisitos checados por um time de 200 profissionais credenciados, além de engenheiros e técnicos da Agência.

O KC-390 e a Força Aérea Brasileira

 

O jato bimotor de transporte tático militar é a maior aeronave já fabricada no país, utilizando a planta fabril de Gavião Peixoto (Embraer Defesa e Segurança ou EDS), no interior do Estado de São Paulo.

O KC-390 pode carregar com segurança até 23 toneladas e será usado pela Força Aérea Brasileira (FAB) para substituir os veteranos Hércules C-130 no transporte de tropas e cargas, além de poder operar como aeronave de reabastecimento em voo, passando combustível para outros aviões da FAB equipados com sonda REVO.

Além do transporte de cargas e tropas, o KC-390 pode ser usado para transporte de paraquedistas, missões de busca e salvamento com equipamentos especiais, atuar no combate a incêndios florestais e até em voos para a Antártida.

Avaliado em U$ 85 milhões (preço FOB), o KC-390 deverá chegar aos Esquadrões de Transporte da FAB até junho de 2019, seis meses depois do que havia sido planejado originalmente.

A encomenda total é de 28 aeronaves.

A Embraer também negocia encomendas do cargueiro para os parceiros do programa, Portugal, Chile, Argentina, Colômbia e República Tcheca.

O KC-390 para o mundo

 

Conforme noticiado por Infodefensa, Boeing e Embraer estão negociando a instalação de uma linha de montagem do KC-390 nos Estados Unidos. Seria uma segunda linha, adicional àquela já existente em Gavião Peixoto, no interior paulista.

O projeto faz parte do acordo em que a fabricante americana de aviões pretende adquirir o controle da unidade de aviação comercial da Embraer.

A área de produção de aviões militares não será vendida, mas as duas empresas pretendem, adicionalmente, criar uma joint venture na área de Defesa para instalação da fábrica do cargueiro nos EUA.

O KC-390Made in USA” seria montado a partir das mesmas peças do cargueiro produzido no Brasil.

Com essa americanização do produto, abrem-se novos mercados, que inclui a Força Aérea (USAF) e mesmo a Guarda Aérea Nacional (ANG), e nações aliadas dentro do programa “Foreign Military Sales” (FMS), que conta com a estrutura diplomática e de financiamento do País para comercialização de produtos americanos.

Em relatório recente do Bank of America, assinado por Ronald Epstein, um dos mais respeitados analistas do setor aéreo, a informação sobre o plano de levar a produção do avião brasileiro para os EUA foi revelada, mas a Embraer não quis comentar a respeito, mantendo um silêncio intrigante.

A Boeing, por sua vez, já havia demonstrado anteriormente interesse em comercializar o cargueiro militar, como noticiou Infodefensa sobre os acordos anunciados no Brasil e no Paris Air Show.

O local da fábrica nos Estados Unidos não está definido, assim como o percentual acionário de cada empresa.

O que se sabe é que a Embraer será controladora dessa joint venture, com algo em torno de 51% do capital, e poderá consolidar os resultados em seu balanço.

As peças do KC-390 fabricadas nas unidades de Botucatu e Gavião Peixoto, onde fica também a linha de montagem brasileira, serão enviadas para os EUA.

Outro aspecto da transação é que a joint venture de Defesa liderada pela Embraer Defesa e Segurança irá usufruir dos benefícios do poder de compra (barganha) relativo a peças e componentes, por parte da Boeing (world supply chain), o que deve baratear os custos de fabricação do KC-390, tornando-o ainda mais competitivo.

Imagens: Ronaldo Olive, Roberto Caiafa, Embraer, Força Aérea Brasileira, Gino Marcomini.

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