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Uma década de trabalho

Brasil lança o S-40 Riachuelo, o primeiro submarino do Prosub

A primeira Dama Marcela Temer batiza o S40 Riachuelo com champanhe.

A primeira Dama Marcela Temer batiza o S40 Riachuelo com champanhe.

17/12/2018 | Itaguaí, RJ

Roberto Caiafa

O ano é 2018, quatorze de dezembro. Esse dia, o seguinte a data que comemora o “Dia do Marinheiro” assumiu um significado histórico para a Marinha do Brasil.

Em evento que repercutiu mundialmente, foi entregue o primeiro submarino convencional do Programa PROSUB, o S-BR1 S-40 Riachuelo.

A cerimônia

 

Realizada no Complexo Naval de Itaguaí (RJ), contou com a presença do Presidente da República, Michel Temer; do Presidente eleito, Jair Bolsonaro; do Ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna; do Comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, do comandante do Exército Brasileiro, general-de-exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, do Diretor-Presidente da Itaguaí Construções Navais (ICN), André Portalis, dentre outras autoridades.

Na grande festa internacional montada em Itaguaí, o Riachuelo foi à estrela, aparecendo no shiplift enfeitado com as cores nacionais e com um enorme patche símbolo do submarino cobrindo dos olhares curiosos os tubos de torpedos e mísseis a vante.

O propulsor, situado a ré do S-40, também ficou coberto por uma estrutura de madeira e plástico, algo comum na entrega de navios militares, já que o segredo do desenho hidrodinâmico dos propellers é a chave para a diminuição do efeito de cavitação (ruídos detectáveis) gerada pelo hélice.

Era possível ver ainda, os dois painéis planos de antenas do sonar Thales TSM 2253 flank array de cada lado da proa do submarino.

Esse moderno sensor é um dos diferencias do S-40, que também recebeu, entre dezenas de modificações da engenharia brasileira, mais células de combustível e baterias extras, já que o Riachuelo, assim como seus irmãos, é bem maior que os Scorpenne convencionais operados por outras Marinhas.

Batismo e acionamento do shiplift

 

O Diretor-Presidente da Itaguaí Construções Navais (ICN), André Portalis, abriu a cerimônia e enfatizou a grandiosidade do PROSUB.  “Fico cheio de alegria por lançar hoje ao mar o S-40 ‘Riachuelo’. Ele é uma combinação da tecnologia francesa com as necessidades da Marinha do Brasil, para proteger o precioso patrimônio da ‘Amazônia Azul’. Outra razão para a nossa alegria hoje é contemplar o tanto que avançamos nos primeiros dez anos no PROSUB. É uma força de trabalho de 17 mil pessoas, que construíram aqui instalações industriais espetaculares de submarinos ultramodernos. São mais de 520 mil metros quadrados de oficinas, cais e meios industriais voltados para o projeto”, afirmou.

O Ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, falou da importância para o País da entrega do submarino. “Nessa semana, quando comemoramos o “Dia do Marinheiro”, o lançamento do Submarino “Riachuelo” ao mar leva consigo muitas das realizações de todos que dedicaram suas inspirações e talentos para a efetivação desse sonho e demonstra o elevado grau de profissionalismo da nossa força de trabalho, bem como a capacidade da Base Industrial de Defesa brasileira”, disse.

O Comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, ratificou a importância que a entrega do submarino representa para o Brasil e para a Marinha. “No dia de hoje, celebramos um marco do PROSUB, ao mesmo tempo em que enaltecemos as tradições marinheiras e festejamos uma conquista para a sociedade brasileira que comprova a qualificação profissional e industrial instalada no Brasil”, concluiu.

Após os tradicionais discursos das autoridades, ocorreu o ponto alto da cerimônia.

Transbordando elegância, a bela primeira-dama Marcela Temer, escolhida como Madrinha do Riachuelo, realizou o tradicional ato de batismo do submarino, quebrando na primeira tentativa uma garrafa de champanhe no casco (sinal de bom augúrio para o navio).

Logo a seguir, o presidente Michel Temer (que chamou o presidente eleito Bolsonaro para participar do ato), o comandante da Marinha, almirante Leal Ferreira, e o almirante-de-esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior (futuro ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro), e atual Diretor Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, apertaram o botão que iniciou a descida do shiplift até o mar, transportando o S-40 em seu bojo.

Esta atividade demandou 30 minutos para ser completada.

Classe Riachuelo, a mais moderna do continente

 

Baseado no design da Classe Scorpenne (Naval Group) e modificado pelos engenheiros brasileiros, o S-40, primeiro da Classe Riachuelo, apresenta um desempenho e sensores que o tornam o mais avançado submarino diesel elétrico (sem AIP) em operação na América do Sul.

Com setenta e dois metros de comprimento e pesando 1.870 toneladas, o S-40 Riachuelo tem uma tripulação de 35 marinheiros.

Seu endurance (tempo de patrulha) pode chegar a 70 dias de mar.

O submarino está armado com 18 torpedos pesados do tipo F-21 e oito mísseis antinavio e anti-superfície do tipo Exocet encapsulado (futuramente MANSUP), que podem ser lançados com o Riachuelo submerso (VSM).

O S-40 também pode espalhar minas navais na entrada de portos e bases navais, negando assim o uso do mar a qualquer força inimiga.

Um avançado conjunto de sensores equipa o Riachuelo

 

A suíte de sensores acústicos inclui o sonar Thales TSM 2233 Eledone (DSUV-22), o sonar de visada lateral de antena plana Thales TSM 2253 flank array passivo e o Sonar Thales Safare (matriz de interceptação) e Thales SCube, todos integrados ao submarino através do sistema de gerenciamento e comando tático Thales SUBTICS (Submarine Tactical Information and Command System), que comanda e coordena a detecção acústica, a detecção ar/superfície, a navegação e o controle das armas do submarino. 

Para navegação, o Riachuelo conta com uma central inercial de navegação, Giro Laser Ring, receptor GPS e eco-sonda.

Para se defender de torpedos inimigos, faz uso do sistema CONTRALTO e despistadores ativos/geradores de ruídos do tipo DECOY descartável e/ou rebocável.

Muitos dos equipamentos internos são montados sobre sustentações elásticas do tipo “shock-resistant” comuns em submarinos de propulsão nuclear. Essa tecnologia diminui sensivelmente as vibrações e ruídos para fora do casco.

Assim a Classe Riachuelo pode realizar missões antissubmarinas e anti-superfície em qualquer condição de mar, além de operações de infiltração e exfiltração de tropas especiais navais, sempre com alta taxa de discrição.

A Classe Riachuelo servirá essencialmente para defender a costa brasileira e as instalações petrolíferas do pré-sal em alto mar contra eventuais ataques de embarcações militares de grande porte.

Segundo declarou o primeiro comandante do Riachuelo, capitão-de-corveta Edson do Vale, a simples presença de submarinos modernos e bem equipados defendendo o mar territorial do Brasil tem "efeito dissuasório", pois o custo de um ataque naval por parte de um país com maior poder militar que o Brasil seria altíssimo, já que o S-40 certamente conseguirá afundar unidades capitais do inimigo.

Imagens: Roberto Caiafa / Marinha do Brasil / Thales

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