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Brasil e Estados Unidos e a Base Espacial de Alcântara

Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entra em um impasse político

A plataforma de lançamento de Alcântara, Maranhão.

A plataforma de lançamento de Alcântara, Maranhão.

19/08/2019 | Belo Horizonte

Roberto Caiafa

Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), representantes do governo brasileiro defenderam o acordo de salvaguardas tecnológicas envolvendo a Base Espacial de Alcântara (MA) com os Estados Unidos em análise pela casa legislativa.

Já deputados se dividiram, com a oposição (de esquerda) questionando pontos do trato e a base de apoio (de direita) reforçando a necessidade de sua aprovação.

O acordo estabelece regras de proteção aos Estados Unidos no emprego de tecnologia deste país para atividades na Base Espacial de Alcântara, localizada na cidade de mesmo nome e próxima à capital do Estado do Maranhão, São Luís, como lançamento de foguetes ou de satélites.

A redação detalha as condições de atuação de artefatos estadunidenses, incluindo as garantias de agentes do país estrangeiro e limitações à atuação de agentes brasileiros na região.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) e representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Carlos Moura, defendeu a aprovação pelo potencial econômico do mercado, que segundo o gestor envolve diversas atividades cotidianas, da operação de GPSs e informações meteorológicas até soluções necessárias ao agronegócio e às comunicações, como tecnologias de suporte à televisão e a serviços móveis.

“Há um crescimento vertiginoso deste mercado. Temos esta vantagem competitiva da costa norte, que é melhor comparada com outros. Temos melhorias feitas nos últimos anos. Estamos investindo na transformação do aeroporto que era militar para ser de uso compartilhado. E estamos trabalhando em arranjo jurídico que permita ao centro vender este tipo de serviço”, argumentou.

O representante do Ministério da Defesa, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Júnior, respondeu que não há “queda de soberania porque não somos obrigados a fazer lançamento com satélites com tecnologia americana”. Ele disse que 80% da tecnologia na área é estadunidense e que não há limitações ao investimento no programa espacial brasileiro ou a novos acordos.

“Não estamos falando sobre acordo comercial. É de salvaguarda. É possível que no futuro um outro país nos exija um acordo de salvaguarda para tecnologia deles. Só há acordo vinculante quando se utilizar tecnologia norte-americana. No caso de outros países que vão fazer comércio conosco, se não estivermos falando de tecnologia norte-americana, não há o que se falar neste acordo aqui”, declarou.

Para o deputado Coronel Armando (PSL-SC), não há impactos negativos à soberania nacional com o acordo.

Ele defendeu a proposta reforçando o argumento dos supostos benefícios econômicos advindos da exploração de serviços para o país e para o estado onde está sediada a base de Alcântara.

Contudo, ele reconheceu que há itens da redação a serem melhor discutidas, embora não tenha detalhado quais.

“O Brasil precisa fazer as mudanças necessárias para se inserir no mercado internacional. O Maranhão é um estado atrasado que precisa de recursos para o seu desenvolvimento. Na minha visão de militar, este acordo é favorável ao nosso país. A soberania vai ser discutida, há pontos a serem ajustados, e é papel da Câmara, mas temos certeza que a visão por trás dele é desenvolver o país e ingressar em seleto clube de países que conseguem fazer lançamento de satélite”, afirmou.

Tramitação

 

O acordo precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para ter efetividade.

A proposta é analisada no momento pela Câmara dos Deputados em três comissões.

Caso obtivesse a votação favorável dos parlamentares na casa, deverá ser apreciada pelo Senado Federal.

No último dia 13 de agosto, esperava-se a votação do #AST na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, mas o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas não foi votado na CREDN.

Os partidos de oposição ao governo federal (de esquerda) pediram vistas, atrasando as possibilidades de lançamento de satélites pelo Centro Espacial de Alcântara (CEA).

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