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Balanço 2019 e desafios 2020

Brasil fecha o ano com um plano para sediar seu Exército do futuro

O Exército Brasileiro do Século XXI

O Exército Brasileiro do Século XXI

02/01/2020 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

O Exército Brasileiro anotou importantes entregas em seus Programas Estratégicos no ano de 2019, e divulgou um importante documento, o Plano Estratégico do Exército Brasileiro 2020/2023, base dessse artigo.

O PEE Guarani, um genuíno projeto de blindado brasileiro destinado transformar as unidades militares (OM) de Infantaria Motorizada em Mecanizada e modernizar as de Cavalaria Mecanizada, alcançou a marca de 300 veículos entregues em 2019, e o subprograma do blindado 4x4 confirmou as primeiras 32 unidades do Iveco LMV, que virão da Itália em formato CKD.

A  1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (1ª Bda C Mec), localizada na região sul do Brasil, foi a grande unidade que concentrou a maior parte das entregas do Programa em 2019. A Academia Militar das Agulhas Negras também recebeu exemplares para emprego no ensino da academia.

O Sistema de Monitoramento e Vigilância de Fronteiras, SISFRON, após a validação de 900 quilômetros de projeto piloto na fronteira Brasil-Bolívia-Paraguai (sede em Dourados, Mato Grosso do Sul), inicia sua expansão "subindo" em direção ao Acre passando por Rondônia (e incluindo o vizinho Peru), e "descendo" em direção ao limite teritorial sul do Brasil, incluindo aí as fronteiras com Uruguai e Argentina.

O Programa de Obtenção da Capacidade Operacional Plena (PEE OCOP), devido a sua amplitutude e complexidade, acaba entrelaçando-se a vários outros PEE do Exército Brasileiro, exemplo, a entrega dos obuseiros autopropulsados M-109 A5 modernizados pela BAE System America.

Após a entrega de exemplares do novo obuseiro autopropulsado a unidades de ensino e doutrina em blindados, na região sul do País, as unidades operadoras selecionadas introduzirão paulatinamente o tipo em serviço, substituindo os antigos M-109A3.

São os mais capazes obuseiros autopropulsados em serviço na América Latina.

O PEE Astros 2020 anotou em 2019 as entregas de veículos da versão sistema radar de tiro, oficina especializada, lançadora de mísseis e foguetes, etc, utilizando o chassis Tatra.

Assim, o 16º Grupo de Mísseis e Foguetes, que completa sua instalação no Forte Santa Bárbara, fica com a frota usando chassis Mercedes (MK3M) e o 6º Grupo de Mísseis e Foguetes operará com os carros de chassis Tatra (MK6).

A entrada em serviço do AV-MTC (míssil de cruzeiro lançado do solo) deverá acontecer até 2023, assim como a seleção e início da operação do veículo aéreo não tripulado de longo alcance alocado a bateria de busca de alvos.

Em 2023 o PEE Astros 2020 estará completo, incluindo aí o foguete guiado de 40 km de alcance FG40 e os testes definitivos de deployment operacional transportados pelos novos C-390 Millenium da Força Aérea Brasileira.

O PEE Aviação terá dois momentos em 2020, a remodelação da frota de asas rotativas e os trabalhos para a reintrodução da aviação de asas fixas através da aquisição de seis exemplares do C-23B Sherpa, confirmada no final de 2019.

A compra desses cargueiros robustos, destinados ao trabalho de apoio logístico de unidades isoladas nas fronteiras amazônicas, reforçará e muito a capacidade de pronta resposta das forças de selva, a partir de Manaus (Amazonas).

O 4º Batalhão de Aviação do Exército assume um papel estratégico, pois além de passar por obras de expansão de suas instalações para operar os C-23B Sherpa, incluindo aí um terminal de cargas e hangar, concentrará em seu hangar de helicópteros todos os exemplares do modelo Blackhawk existentes, os modelos Cougar e Pantera sendo transferidos para Campo Grande (3º BAVEX).

Com 20 anos de emprego na Amazônia, os Black Hawk da Aviação do Exército (quatro unidades) deverão ser complementados por mais exemplares do modelo (não se sabe se novos ou de 2ª mão), a frota resultante possuindo a capacidade ABH (armed black hawk) de operar  armas de cano, mísseis guiados e foguetes em estações de armas intercambiáveis.

Os cabides e acessórios para essas armas podem ser colocados ou removidos rapidamente, permitindo alternar de um Black Hawk artilhado para um transporte de tropas ou MEDEVAC em menos de duas horas.

Caso o pacote de armas inclua o míssil ar-solo HellFire, será a primeira vez que o Exército Brasileiro terá a capacidade de disparar um artefato guiado anticarro moderno, com alcance de até 5 km, o que converterá esses Black Hawks artilhados nos mais capazes vetores de combate, superando inclusive os H-225M.

O PEE Defesa Antiaérea deverá iniciar suas ações efetivas para dotar a Força Terrestre com a capacidade de monitorar, vigiar e detectar alvos intrusos nos céus do Brasil, nas médias e grandes altitudes, e coordenar disparos de mísseis superfície-ar em segurança contra estes alvos, atuando em sintonia com a Defesa Aérea proporcionada pelos Gripen E/F da Força Aérea Brasileira.

A bateria brasileira que surgirá preconiza o emprego de radares capazes de efetuar a busca e aquisição de alvos e o guiamento de mísseis, ambos os sensores de desenvolvimento nacional e produzidos através da base industrial de defesa brasileira.

Os mísseis, capazes de efetuar a parte final da missão usando sensores de guiamento próprios, serão escolhidos no mercado internacional e integrados posteriormente ao pacote de sensores.

Esses armamentos deverão atender requerimentos de lançamento vertical a frio, e os veículos da bateria terão de ser aerotransportáveis em partes modulares, de modo a serem comissionados rapidamente em qualquer parte do território nacional transportados pelos C390 Millennium.

O Planejamento Estratégico do Exército 2020/2023, além de abordar todos os quesitos acima, determina para o ano de 2022/23 a transformação de um Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em um Grupo de Artilharia Antiaérea de Média Altura (GAAAe Me Altu).

Obuseiros auto-rebocados é outro setor da Artilharia que o documento cita, no período 2020/23, junto com obuseiros auto-propulsados sobre rodas.

Do primeiro, ainda não há uma definição do modelo, mas a compra é tida como certa e muito aguardada.

Do segundo, uma aquisição é considerada ainda algo difícil, devido aos custos envolvidos.

O cronograma para a renovação da Artilharia abrange simuladores, integração destes a rede de ensino, suporte logístico e aquisição de munição moderna, incluindo do tipo assitida/guiada.

Imagens: Exército Brasileiro, Roberto Caiafa, Exército Tailandês, BAE Systems. 

 

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