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Caça deverá ser substituído em 2022 pelo SAAB Gripen E/F

Tiger II completa 45 anos de Força Aérea Brasileira

F-5EM modernizado: mira montada em capacete, mísseis BVR e capacidade LD/SD avançadas.

F-5EM modernizado: mira montada em capacete, mísseis BVR e capacidade LD/SD avançadas.

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02/03/2020 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

A Força Aérea Brasileira (FAB) completou nesta sexta feira (28/02) 45 anos do recebimento dos primeiros caças F-5E/F Tiger II em Palmdale, nos Estados Unidos, onde foi fabricado.

As três primeiras aeronaves, destinadas ao treinamento de pilotos (biplaces F-5F), chegaram efetivamente ao Brasil em março de 1975 na Base Aérea de Belém e depois foram deslocadas para a Base Aérea do Galeão.

Equipado com dois turbo-jatos J-85 e capaz de atingir uma velocidade de até 1.316 km/h, a chegada dos caças representou um avanço para a defesa aérea do país, com a viabilidade de executar missões de interceptação, patrulha aérea de combate e escolta, reconhecimento aéreo e socorro em voo.

Em 2015, quando completaram 40 anos de FAB, as aeronaves já haviam cumprido quase 285 mil horas de voo.

Histórico do Tiger no Brasil

Em 1975, o Governo Brasileiro adquiriu 42 caças F-5.

O traslado das aeronaves dos Estados Unidos para o Brasil foi efetuado por militares da FAB com apoio de um C-130 Hércules em uma operação denominada Tigre.

“É importante que todos os militares envolvidos na Operação Tigre estejam conscientes de que o sucesso desta é também a afirmação do poder aeroespacial”, disse na época o chefe da missão, Major-Brigadeiro Rodolfo Becker Reifschneider, ressaltando a importância que as novas aeronaves teriam para o Brasil.

Ao longo desses 45 anos, o F-5 participou de diversas missões para a segurança do País, a exemplo da Guerra das Malvinas/Falklands, quando aviões ingleses foram interceptados por caças brasileiros e obrigados a pousar.

Já na Copa do Mundo, em 2014, e durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, as aeronaves também foram utilizadas para a defesa do espaço aéreo e de pontos estratégicos nas cidades-sede.

Modernização

Com a aposentadoria dos Mirage IIIE, em 2013, o F-5 passou a ser a principal aeronave para defesa aérea do espaço aéreo brasileiro.

Esses caças passaram por um elaborado processo de modernização, inciado em 2006 e concluído em 2017, que incluiu a troca do radar, dos sistemas de bordo e dos armamentos.

O programa foi realizado pela Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto (SP), em conjunto com a empresa AEL Sistemas (subsidiária da israelense Elbit), a um custo avaliado de 285 milhões de dólares.

Em abril de 2011, um segundo contrato, estimado em 87 milhões de dólares, foi firmado para a modernização de 11 caças F-5 adquiridos da Real Força Aérea da Jordânia (oito monoplaces e três biplaces).

Desse segundo acordo, somente os F-5FM biplaces foram entregues.

Com o advento dos cortes orçamentários naquele ano, e no seguinte, ocorreu a interrupção dos trabalhos nos monoplaces, o foco sendo direcionado para os dois biplaces restantes, muito valiosos devido a pouca oferta desse modelo no mercado internacional.

Após 12 anos (um espaço temporal bastante dilatado para a execução de um programa de modernização de uma frota relativamente pequena), as aeronaves mais recentes, e que ainda contam com vida útil estrutural deverão atuar operacionalmente por mais 10 anos, mantendo a caça brasileira atuante durante a entrada em serviço dos primeiros caças SAAB F-39 Gripen E/F, planejada para começar a partir de 2022.

Para um caça tático leve que chegou ao Brasil em 1975, um horizonte operacional de meio século (50 anos) em serviço, sob todos os aspectos, é algo espetacular e demonstra cabalmente o domínio que a Força Aérea Brasileira obteve na operação desse avião de combate.

No campo operacional e doutrinário, a introdução da capacidade beyond visual range (BVR) através dos mísseis Rafael Derby combinados ao Griffo-F revolucionou a FAB.

O novo radar, que substituiu os vetustos Emerson Eletric APQ 159 V5, detecta alvos voando alto a até 70 km de distância, e 38 Km contra alvos voando baixo pois possui processador de sinais digitalizado e consegue traquear enquanto procura (TWS) vários alvos, com habilidade de engajamento múltiplo e função LD/SD (olhar para baixo/atirar para baixo).

Para armar o F-5EM/FM, a FAB adquiriu no mercado internacional mísseis WVR israelenses Rafael Python IV, usados em conjunto com capacetes designadores de alvos (HMD) Elbit/AEL Sistemas TARGO (capacidade off-boresight), e mísseis BVR Rafael Derby dotados de autoguiamento radar e capacidade Fire and Forget, uma novidade que mudou a forma da caça brasileira combater por completo.

Os novos rádios digitais, integrados a capacidade DataLink das aeronaves AWACS E-99 do Esquadrão Guardião, e combinados com o excelente radar instalado no caça se uniram para formar um sistema de Defesa Aérea eficaz e viável mesmo em ambientes de baixa disponibilidade orçamentária.

Hoje, modernizados, os F-5 integram quatro esquadrões da FAB: o Pampa (1º/14ºGAV), sediado em Canoas (RS); o Pacau (1°/4° GAV), sediado em Manaus (AM); o Jambock e o Pif Paf (1º GAvCa), sediados em Santa Cruz (RJ).

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