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IA2 7,62 mm e novo AGLC .308 Sniper

Imbel prepara o lançamento de dois novos fuzis


Imbel prepara o lançamento de dois novos fuzis


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19/03/2020 | Itajubá, MG

Roberto Valadares Caiafa

A Indústria de Material Bélico do Brasil prepara os últimos testes antes de colocar no mercado dois novos modelos de fuzis, um de assalto, em calibre 7,62 mm (complementando a “família” IA2), e um sniper (caçador) em calibre .308 com ação manual de ferrolho e destinado a complementar a linha de armas de precisão conhecida como AGLC.

Infodefensa Brasil esteve na unidade fabril da Imbel em Itajubá, no início de março, e conheceu não só o processo de fabricação dessas armas como testou com munição real ambos os modelos, no estande de tiro da fábrica.

O Imbel IA2 7,62 mm, de projeto brasileiro, quando disponível no mercado, será entregue tanto na versão fuzil de assalto, capaz de disparar em rajadas (automático), quanto na versão carabina (cano menor para maior compacidade e regime de tiro semiauto).

O primeiro é destinado as Forças Armadas e o segundo as Forças de Segurança Policiais, tendo sido entregues até o momento cerca de 40 mil armas da versão 5,56 mm, a maioria delas encomendadas pelo Exército e forças de segurança policiais estaduais.

Novo fuzil Sniper .308

 

Empregando ação de ferrolho Mauser, a arma é um melhoramento do conhecido AGLC apresentando nova coronha construída em polímero e equipada com diversas regulagens (ergonomia avançada), novo cano cromado e menor, com raiamento e passo modificado (seis raias e passo 1:10) e adoção de um enorme freio de boca, conferindo um desempenho mais agressivo a munição .308, corpo estrutural de polímero resistente substituindo a madeira utilizada anteriormente (redução de peso), gatilho de ação tinny melhorado e adoção de uma luneta mais moderna, resultando em um ótimo desempenho necessário para atingir com precisão alvos a 800 metros de distância.

Ainda em estudos pela Imbel para o novo .308 estão novos recursos como a fabricação de um ferrolho de ação manual, baseado no Mauser, novo de fábrica (os atuais são aproveitados de fuzis K98 Mauser dos estoques do Exército Brasileiro), e adoção de carregadores externos destacáveis de cinco tiros, retículos de tiro do tipo PMR e novo modelo de luneta, mais moderna.

A previsão de peso final do novo fuzil, desmuniciado, oscila entre 6,8kg a 7,20 kg.

Imbel IA2 7,62 mm

 

Concebido para substituir o fuzil M964 A1 MD1 - Parafal, massivamente empregado pelo Exército Brasileiro, o IA2 sete meia dois adotou diversas modificações, a começar pelo ferrolho, de trancamento rotativo em substituição ao ferrolho blowback do desenho original.

O sistema de ação de gases, que realimenta a arma permitindo o próximo tiro, é diferente do M964, reduzindo a manutenção e a quantidade de peças (o obturador do cilindro de gases foi eliminado no novo desenho).

Construtivamente, a arma apresenta mudanças significativas em relação ao M964, entre elas adoção de nova coronha rebatível confeccionada em polímero de alta resistência com sistema simplificado de travamento e destravamento, guarda mão em polímero equipado com chapa defletora e isoladora de temperatura, permitindo redução do aquecimento na região da empunhadura durante a realização continuada de tiros, trilhos Picatinny para o acoplamento de diversos acessórios como miras red dot, imageadores termais e miras infravermelhas/laser, dentre outras possibilidades de customização, novas empunhaduras táticas, zarelho ambidestro e nova ergonomia da empunhadura, do tipo pistol grip modificado.

A nova tampa da caixa da culatra, que acondiciona o ferrolho de trancamento rotativo e demais peças associadas, é mais resistente, sendo usinado em aço AISI 1060.

O novo design permite a instalação de trilhos picatinny na parte superior externa da peça, possibilitando o uso de miras ópticas, termais ou designadores laser, além de lanternas táticas e demais acessórios.

Atualmente, a arma em calibre 7,62 mm está passando por avaliações finais do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), última etapa antes do fuzil ser declarado pronto para venda e produção em massa.

Tiro Real na Fábrica de Itajubá

 

O tiro foi realizado no estande de 150 metros de raia, sob a supervisão de dois oficiais engenheiros do Exército Brasileiro destacados para fábrica de Itajubá, os tenentes Hugo Leonardo Camargo Braga e Tiago Lopes Barboza Cury, ambos a comando do tenente-coronel engenheiro Renaldo Gonzaga De Almeida Filho, gerente da fábrica.

No tiro do fuzil em calibre .308 winchester, impressiona a robustez do velho ferrolho Mauser, remodelado e mais ergonômico, o freio de boca que reduz significativamente a assinatura audiovisual do tiro, evitando o sopro de detritos, e a sensibilidade do gatilho de ação tinny.

O corpo de polímero, com nova empunhadura que mantém o dedo “reto” no gatilho soma-se a nova coronha com regulagem para o apoio de rosto do atirador e soleira (extensíveis), que além de mais ergonômicas permitem diminuir o peso final da arma sem munição.

A série de tiros do jornalista de Infodefensa, a 80 metros, resultou em um ótimo agrupamento dos disparos, comprovando que, mesmo nas mãos de um atirador casual, o .308 é muito preciso e confiável, basta seguir os protocolos da “disciplina do tiro” e a arma faz o resto.

O bipé rebatível, com molas amortecedoras, é leve e resistente, absorvendo bem o pequeno recuo causado pelos disparos.

No geral, trata-se de um novo fuzil sniper muito melhorado em relação ao AGLC .308 anterior, resultado dos pedidos de alterações no projeto apresentadas por operadores militares e policiais.

O tiro do IA2 7,62 mm surpreendeu pela facilidade de controlar rajadas em modo automático. O carregador de 20 munições é o mesmo do FAL clássico, a ergonomia do design é melhor e o recuo da arma muito menor, se comparado ao Para-Fal anteriormente empregado.

A coronha dobrável em polímero permite reduzir o tamanho da arma, algo útil para tropas paraquedistas ou tripulações de blindados. A versão carabina (cano curto e regime de tiro semiauto) é especialmente indicada para situações CQB ou “Close Quarters Battle”, onde a compacidade da carabina e seu poder de fogo podem ser decisivos no enfrentamento urbano.

As peças e partes em polímero, além de contribuírem para a redução do peso, auxiliam na ergonomia mais avançada do IA2 7,62 mm, permitindo a montagem de acessórios na tampa da caixa da culatra, algo quase impossível de ser feito anteriormente sem o emprego de adaptações grosseiras introduzidas por conta dos operadores e sem o apoio oficial da fábrica.

Com menos peças móveis e amplo emprego de usinagem CNC/estamparia, a arma teve uma ótima redução no peso final sem perder sua eficácia e alcance, vantagens típicas do calibre mais potente.

O emprego do ferrolho de trancamento rotativo e novo sistema de reaproveitamento dos gases deixou a arma mais balanceada e controlável no tiro automático, na versão fuzil de assalto, e o cano mais curto da carabina deixou essa versão “ao gosto” de forças policiais, obtendo-se um tiro tenso e preciso em grandes distâncias sem auxílio de dispositivos de mira dedicados.

A desmontagem, limpeza e montagem de campo, feita pelo soldado operador, ficou mais fácil de ser realizada e não exige ferramentas além daquelas entregues no kit de manutenção individual. A chave seletora de tiro no fuzil de assalto é idêntica a usada nos FAL mais antigos, e requer muito esforço do atirador para conseguir alcançar a posição “auto”.

A precisão, uma marca registrada do FAL, foi mantida no IA2 7,62 mm com o emprego de alça e massa de mira reguláveis para até 600 metros. No tiro em estande, a reportagem de Infodefensa obteve agrupamentos bastante concentrados atirando a 70-80 metros de distância.

Trata-se realmente de um novo fuzil que aproveitou algumas partes do modelo anterior, mas introduziu outras de funcionamento completamente novo, como o ferrolho de trancamento rotativo e as peças em polímero.

Dessa forma, o Imbel IA2 7,62 mm, quando estiver disponível para venda, deverá aposentar todas as armas nesse calibre mais antigas, ainda em uso no Exército Brasileiro.

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