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Entrevista Infodefensa

Gilberto Buffara (Stella Tecnologia): "O Atobá custa um terço do valor de outros sistemas semelhantes"

Gilberto Buffara e o UAV Atobá, tecnologia 100% brasileira. Foto: Stella Tecnologia

Gilberto Buffara e o UAV Atobá, tecnologia 100% brasileira. Foto: Stella Tecnologia

03/09/2020 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

A Stella Tecnologia, fundada em 2015 por Eudes de Orleans e Bragança e Gilberto Buffara Jr é uma empresa acreditada pelo Ministério da Defesa do Brasil como EED (Empresa Estratégica de Defesa) e surgiu para desenvolver tecnologias críticas na área de veículos aéreos não tripulados (VANTs) em mercados onde não houvesse a ocorrência de similares nacionais.

Infodefensa.com entrevistou Gilberto Buffara, CEO da Stella Tecnologia, empresa que acaba de lançar no mercado o drone MALE Atobá, cujo primeiro voo aconteceu recentemente no Brasil.

Buffara, o UAV Atobá, pela inovação em sua construção, apresentou que tipo de desafios a sua equipe?

Toda a estrutura construtiva do Atobá é fabricada em fibra de carbono, incluindo aí longarinas das asas, curadas em um forno com sete metros de comprimento especialmente desenhado e fabricado na empresa. Simplesmente descobrimos que ninguém havia conseguido isso no Brasil, e portanto, nesse aspecto, todo o desenvolvimento das peças e formas de fabricá-las começou a partir do zero, isso explicando em boa parte por que nossa equipe demandou cinco anos para chegar onde estamos na atualidade.

Qual a performance da plataforma Atobá?

O Atobá é um UAV MALE que pode decolar usando 400 metros de pista ou menos e operar até 250 km de distância (endurance de 28 horas) com datalink em linha de visada, usando sinal de controle de voo criptografado, transportando um payload de sensores de até 70 kg na versão inicial. O UAV já vem com predisposição para sistema de enlace satelital Iridium e pode receber o Imarsat ou outros sistemas de link satelital de comando, dependendo da banda e velocidade desejadas pelo cliente mais a penalização em peso devido a instalação da antena de satélite e sua caranagem dentro do limite especificado. O Atobá é propelido por um motor quatro tempos de 60 HP, dois cilindros opostos com refrigeração a ar e equipado com com hélice tripá. Sua operação é apoiada por um conteiner customizado montado em carreta rebocada por veículo leve e equipado com antenas emissoras/receptoras, computadores de missão, piloto automático e gerador de energia, mais ferramental de apoio em solo do Atobá e espaço para sua guarda e transporte.

A Stella Tecnologia já estuda novos desenvolvimentos no desenho básico do Atobá?

Já se planeja uma versão maior do sistema equipada com motorização turbo, um ganho de 20 HP, a performance resultante de 80 HP permtindo voar com mais peso e mais alto, mais rápido e atingir velocidades de cruzeiro mais eficientemente, além de reduzir distâncias de pouso e decolagem. O projeto do Atobá com fuselagem em formato de caixa facilita a instalação de diversos tipos de sensores. O protótipo voou com um réplica aerodinâmica de uma torreta giro estabilizada ou gimball para optrônicos, telêmetro laser e/ou visão infravermelha. Na ampla fuselagem do payload disponível (mantendo rigoroso controle de peso) podem ser acomodados radares de abertura lateral (SLAR), aparelhos fotográficos de amplo campo de visada, diversos tipos de sensores Elint, Sigint e Comint, espectômetros infravermelhos, imageadores termais, conjuntos ópticos de alta precisão, tudo depende dos requerimentos (e do bolso) do cliente.

O Atobá apresenta que nível de portabilidade? Ele é fácil de operar?

Sofisticado em sua construção, o UAV Atobá também é fácil de ser montado e colocado em voo, seus subconjuntos sendo acondicionados em cases especiais próprios para transporte. Pré e Pós-voo são bastante simples e a manutenção é orientada para economia com segurança de operação. Para a formação de operadores MALE Atobá, a Stella desenvolveu uma completa solução de treinamento virtual com simulador acoplado ao piloto automático de missão, o que permite recriar com alta resolução nas diversas telas do equipamento todos os parâmetros de pilotagem, performance e dados de missão. A base do simulador de treinamento roda no software X-Plane, e a modelagem, simulação e controle da aeronave não tripulada de asa fixa Atobá foi desenvolvida com a participação de alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Escola Politécnica). A ferramenta resultante permite não só treinar os pilotos de Atobá como simular todos os parâmetros de missão completa (pré-voo, voo e pós-voo/debrefing) com inserção de ambientes operativos nos quais o Atobá poderá atuar, dentre outras possibilidades.

Por que a Stella Tecnologia criou o Atobinha?

Para comprovar na prática as qualidades de voo do projeto, e até mesmo para dar experiência no tipo ao nosso piloto antes de voarmos o Atobá escala cheia, decidimos pelo desenvolvimento de uma réplica em escala, com a mesma forma aerodinâmica geral do seu irmão maior, dessa forma mitigando riscos e ampliando nossos dados sobre o comportamento em voo do projeto. O Atobinha apresentou desempenho tão satisfatório nos inúmeros voos que estamos avaliando convertê-lo em um produto funcional que teria grande aceitação em determinados nichos de mercado.

Quais os mercados que o Atobá pode atender? A Stella pretende exportar esse sistema?

O Atobá atende requisitos de missão da Força Aérea, do Exército e da Marinha do Brasil entregando baixo custo operacional, componentes COTS de fácil aquisição no mercado e capacidades de crescimento únicas ao longo do ciclo de vida útil do produto. O sistema é bastante competitivo também para atender forças de segurança, agências governamentais, pesquisas científicas, monitoramento de grandes empreendimentos, vigilância de fronteiras, etc. O Atobá é capaz de produzir inteligência H/24, auxiliando de forma decisiva o combate ao tráfico, contrabando, descaminho e outros crimes, seja nas grandes cidades ou nas regiões de fronteira, onde acontecem imúmeros ilícitos transnacionais. O UAV também pode ser útil no combate ao desmatamento ilegal, atuando como um poderoso instrumento de fiscalização em qualquer ponto do território nacional. O sistema foi desenhado para atender requerimentos exigentes de qualquer cliente dentro e fora do Brasil, e pretendemos exportar o Atobá com certeza.

Qual a capacidade produtiva da Stella Tecnologia hoje para atender encomendas?

A Stella estruturou-se de forma abrangente para lançar seu produto no mercado, e uma das áreas que desenvolvemos com muito cuidado foi a nossa capacidade produtiva, que na atualidade nos permite entegar até três sistemas Atobá completos por ano. No futuro, caso surja a oportunidade, não descartamos associações com empresas que já possuam capacidade produtiva instalada no Brasil para incrementar nosso fluxo de produção visando atender prazos de entrega menores com mais agilidade mas mantendo a qualidade construtiva, requisito fundamental para o bom desempenho do sistema.

Existe um valor FOB para o UAV Atobá? De quanto seria o investimento necessário para operar um sistema completo?

Para responder essa pergunta de forma aproximada é necessário que a comparação seja feita somente entre laranjas e não entre laranjas e tomates. Dito isso, e se compararmos um sistema que atualmente já voa no Brasil e pertence a mesma classe do Atobá , observando que o UAV da Stella estaria usando o mesmo sensor, de origem israelense, enquanto o primeiro UAV, já em uso no País, teve um custo declarado de US$ 24 milhões, o Atobá , equipado com a mesma suíte de sensores e apresentando performances iguais ou até melhores, sairia por cerca de US$ 8 milhões, ou seja, um terço do valor de sistemas similares importados. Essa é uma política de venda muito séria que estamos prontos para discutir com qualquer setor do mercado de drones, e certamente será mais um atrativo para nossos clientes. A Stella Tecnologia já tem recebido diversas consultas, dentro e fora do Brasil, e estamos prontos para trabalhar e entregar um sistema de ponta que apresenta mais de 90% de nacionalização de suas peças e componentes, gerando empregos e ampliando a cadeia de fornecedores, além de estreitar cada vez mais parcerias entre a indústria, o meio acadêmico e as forças militares e de segurança.

 

 

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