menú responsive
AMÉRICA | Armada
-/5 | 0 votos

Em serviço desde 1976

Brasil aposenta navio varredor M20 Albardão e reduz capacidade de guerra de minas

m20

14/05/2021 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

O veterano Navio Varredor M20 “Albardão” (Classe Aratu), foi formalmente aposentado do serviço ativo pela Marinha do Brasil.

Construído inteiramente em madeira e metal amagnético, de modo a não atuar minas (explosivos submarinos) de influência magnética, o “Albardão” é um Navio Varredor Schütze-Klasse (projeto de 1958) fabricado na antiga Alemanha Ocidental pelo estaleiro Abeking & Rasmussen e entregue em 1976.

O M20 desloca 253 toneladas, mede 47,2 metros de comprimento e atinge velocidades de até 22 nós (aproximadamente 41Km/h), sendo equipado com meios para realizar varredura de canais.

A Força de Minagem e Varredura (ForMinVar), anteriormente composta por seis navios varredores da classe “Aratu”, têm como atividade principal realizar a varredura de minas de contato e de influência, utilizando equipamentos capazes de detoná-las a uma distância segura ou neutralizá-las.

Até recentemente sediada em Salvador (Bahia), está sendo transferida para a Base Naval da Ilha da Madeira, em Itaguaí, RJ.

Essa pequena força é responsável pelo planejamento de minagens defensivas e também pelo planejamento e execução das operações de contra-medidas de minagem (CMM), destinadas a manter livre da ameaça de minas as linhas de tráfego marítimo ao longo do litoral e das áreas marítimas adjacentes aos portos, terminais e plataformas nacionais, bem como as possíveis áreas de operações de forças navais brasileiras.

A classe “Aratu” está em serviço desde 1971, e mesmo com os três sobreviventes da pequena frota original prestes a completar 51 anos em serviço, ainda não se conhece a nova classe de navios varredores que irá substituí-la.

A Marinha do Brasil está avaliando soluções existentes no mercado para definir um substituto para a Classe "Aratu".

A Classe "Koster" sueca (Saab) já foi oferecida, assim como opções britânicas, francesas e alemãs, tanto entre navios varredores quanto sistemas subaquáticos remotamente pilotados e/ou autônomos.

Força obsoleta

 

Com o passar dos anos, a tecnologia utilizada para remover ou neutralizar minas navais evoluiu, e os meios da Marinha do Brasil não acompanharam essa evolução.

Atualmente, a capacidade de contramedidas de minagem (CMM) brasileira é completamente obsoleta, e com a chegada do Submarino de Propulsão Nuclear faz-se necessária urgentemente uma proteção atualizada para entradas e saídas de porto, não só em território nacional como também fora do país, quando necessário.

As áreas portuárias são bastante vulneráveis às ações de minagem, e a colocação de minas marítimas ocorre, na maioria das vezes, nas proximidades dessas áreas, de modo a obter o seu controle.

Com o apoio de pesquisadores, empresas e Institutos de Ciência e Tecnologia como o Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), IEAPM e Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), projetos necessários para o apoio das Operações de Minagem e Centro de Hidrografia (CMM) estão sendo desenvolvidos em um ritmo que pode ser definido no mínimo como lento.

Em 2013, foi criado pelo Estado-Maior da Armada um Grupo de Trabalho visando a reestruturação da Guerra de Minas na Marinha do Brasil, e esse GT propôs a utilização de Sistemas de Varreduras Não Tripuláveis (SVNT) em complementação/substituição aos Navios Varredores, o que além de retirar o homem do campo minado, diminui custos de posse do meio, representa ganho de tecnologia de ponta e permite a redução dos custos com preparo e emprego de pessoal.

Novas capacidades como sistemas Unmanned Underwater Vehicles (UUV) do tipo Remotely Operated Vehicle (ROV), Autonomous Underwater Vehicle (AUV) e Autonomous Underwater Gliders (planadores subaquáticos autônomos) têm se mostrado eficazes na tarefa de CMM, inteligência, vigilância, reconhecimento, mapeamento do solo, inspeção de dutos submarinos entre outras tarefas, e precisarão ser adquiridos em algum momento.

Hoje, os sistemas UUV já realizam mais tarefas que os mergulhadores devido ao aumento de sua Inteligência Artificial e de sua capacidade de carregamento de equipamentos e profundidades de emprego.

A segurança da Base da Ilha da Madeira, onde ficará o futuro Submarino de Propulsão Nuclear, e também o mapeamento dos principais portos do Brasil em apoio às operações de entrada e saída de porto de Submarinos Nucleares, com o emprego dos SVNT e novos navios varredores, tudo isso resultará em uma capacidade estratégica vital.

A posse dessas tecnologias nas quantidades adequadas deverá entregar a Marinha do Brasil a capacidade de limpeza simultânea de até dois portos do País.

Guerra de minas

 

A Guerra de Minas, estratégica para o Brasil, deve ser garantida por um poder militar adequado e capaz.

Cerca de 95% do comércio exterior brasileiro e mundial é feito pelo mar e aproximadamente 85% do petróleo nacional é extraído da chamada Amazônia Azul.

Para o Brasil, a mina é uma excelente arma para defender seu território, inclusive contra inimigos que possuam navios com avançada tecnologia embarcada.

 © Information & Design Solutions, S.L. Todos los derechos reservados. Este artículo no puede ser fotocopiado ni reproducido por cualquier otro medio sin licencia otorgada por la empresa editora. Queda prohibida la reproducción pública de este artículo, en todo o en parte, por cualquier medio, sin permiso expreso y por escrito de la empresa editora.

ENVÍO DE LA NOTICIA A UN AMIGO
Correo electrónico
Tu nombre
Mensaje