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REPORTAGEM

SAFO: Ensino, Treinamento e Doutrina

04/01/2013

(Infodefensa.com) R. Caiafa, Sao Paulo - Nos exércitos modernos, as capacidades de simulação ou recriação de situações de combate, de forma a treinar soldados, graduados e oficiais com qualidade e baixo custo, tem recebido mais importância a cada ano que passa, especialmente em tempos de crise econômica global e cortes nos orçamentos militares. No dia 9 de novembro de 2012, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, assinou o termo de abertura do Projeto do Sistema de Simulação de Ensino do Exército Brasileiro, com a empresa espanhola Tecnobit, representada pelo Senhor Luis Mayo.

Em sua primeira fase, está sendo realizada a integração do primeiro módulo do sistema do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO), considerado como um dos centros de simulação mais ambiciosos e completos existentes no mercado de defesa, sendo o pioneiro indiscutível na América Latina. O nome do simulador faz alusão ao jargão militar “safo”, que descreve alguém desembaraçado, descomplicado, com iniciativa.

Desenhado para o treinamento conjunto e modular de todos os integrantes de um Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), Observador Avançado (FO), Centros de Direção de Disparo (FDC), Destacamentos de Ligação (FSE) e "Linhas de Peças", o sistema tem um triplo objetivo: ensino, treinamento e doutrina. A instrução de tiro de artilharia, cuja munição real é muito cara e cuja prática enfrenta restrições devido ao tamanho de áreas de treinamento, terá uma economia de cerca de R$ 40 milhões por ano, com a adoção do simulador.

Funcionamento

O SAFO permite às unidades de artilharia executar todos os procedimentos regulamentares relacionados com as técnicas de tiro, constituindo o instrumento mais adequado para a formação e instrução, pois proporciona uma representação virtual dos meios utilizados pela artilharia de campo e das situações decorrentes do seu funcionamento e utilização, atendendo as necessidades de ensino e instrução de artilharia de campanha e possibilitando a realização de todos os tiros técnicos e táticos previstos.

O contrato assinado com o Exército Brasileiro prevê a criação de dois centros de simulação de artilharia nos estados do Rio de Janeiro (Resende) e Rio Grande do Sul (Santa Maria). Nestes locais serão permitidas a elaboração e análise de missões, reconhecimento, localização e rastreamento de alvos fixos e móveis, elaboração e execução dos tiros, tornando o SAFO apto para satisfazer os requisitos e especificações do EB. Seguindo as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, o contrato prevê a transferência de 100% da tecnologia para o Exército e compensações do mesmo valor investido, 13,98 milhões de euros (ou R$ 37,9 milhões). O acordo prevê investimentos da empresa espanhola em valor equivalente ao do Exército, inclusive com a instalação de um laboratório de simulação no CTEx (Centro Tecnológico do Exército). Se o equipamento for vendido a outro cliente, o Brasil terá direito a royalties, dado o desenvolvimento conjunto.

A AMAN e o Centro de Instrução de Blindados servirão como centros de simulação e prática para os artilheiros do Exército e da Marinha de boa parte do País – abrangerá 76% das unidades de Artilharia e 85% dos estabelecimentos de ensino da arma. A estrutura física do primeiro, em Resende, já está quase pronta. No segundo, em Santa Maria, o terreno passa por terraplenagem. Os simuladores serão instalados em complexos construídos para esse fim, com auditório, salas de briefings/debriefings, e um galpão para a instalação dos obuseiros da chamada “linha de fogo” de grupos de artilharia de campanha.

Diferentemente de outros simuladores existentes, que atuam apenas na chamada “linha de fogo”, a ponta, o Safo engloba todos os subsistemas da complexa arma de Artilharia: linha de fogo, topografia, observação, comunicações, direção e coordenação, logística, busca de alvos e meteorologia. Na AMAN, ao lado do complexo que abrigará o Safo, haverá espaço para um acampamento com 18 barracas – 15 para a tropa e três para o “rancho” (refeitório) – e seis banheiros. O objetivo é que os militares se sintam no front durante o exercício. Toda a infra-estrutura de eletricidade, água e esgoto e rede de fibra ótica precisou ser construída, e o valor total de instalação foi de cerca de R$ 6 milhões. O sistema dispõe de áudio surround 5.1 e está capacitado a recriar diferentes condições climáticas, aumentando ainda mais os níveis de realismo das simulações.

Diminuindo custos

“A guerra é cara. Um tiro de granada auto-explosiva custa mais de R$ 2 mil. Se for com fumígeno, esse valor se eleva para R$ 5 mil, R$ 6 mil. O custo de uma granada inteligente, então, varia de US$ 30 mil a US$ 70 mil. A artilharia do Exército dispara entre mil e 1,5 mil tiros por ano, em orçamento da ordem de R$ 49 milhões. Um estudo estimou a economia com munição em R$ 40 milhões/ano, ou seja, o investimento no simulador se pagará em apenas 12 meses”, afirma o tenente-coronel Rubens Pierrotti, chefe do projeto.

Por simular ainda fogos aéreos e navais – e não apenas de artilharia – virou a abreviação de Simulador de Apoio de Fogo. “Desenvolvemos um produto novo, com a doutrina do Exército. Não é um pacote fechado, mas customizado e permitirá adaptações futuras, além de a tecnologia ser transferida integralmente para o Brasil, que se tornará teoricamente capaz de criar novos simuladores militares – entrando para um restrito grupo de países com essa capacidade”, disse Marcus Bispo, engenheiro de sistemas da Tecnobit.

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