Alte. J. A. Cunha (Brasil): "Estamos confiantes de que a construção do navio Antártico será um sucesso"
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Alte. J. A. Cunha (Brasil): "Estamos confiantes de que a construção do navio Antártico será um sucesso"

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Após o anúncio realizado pela Marinha do Brasil a bordo do NAm Atlântico, que sacramentou a escolha do Estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP como vencedor da licitação para construir o novo Navio de Apoio Antártico (NApAnt), Infodefensa entrevistou o Diretor Geral de Material da Marinha, almirante Cunha, e o Diretor de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha, almirante Calheiros, no salão nobre do Nau-Capitânea da Esquadra.

Navio

Com um Navio de Propriedade Intelectual de Proponente” (NAPIP), o estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP apresentou projeto baseado no RV Investigator, um navio de pesquisas oceanográficas projetado para operar na região Antártica. Esse navio tem as seguintes características, peso de 6.082 toneladas carregado; Comprimento: 93,9 m; Boca: 18,5 m; Calado: 6,2 m; Propulsão: Diesel Elétrica com 3 Diesel Geradores MAK 9M25C (3.000 KW cada), 2 motores de propulsão elétrica reversível (2.600 kW cada) com duas hélices de passo fixo de velocidade lenta, 1 motor elétrico retrátil Azimutal de 1.200 kW; Velocidade: 12kts; Alcance: 10.000 milhas náuticas (19.000 km) ou 60 dias; Tripulação: 20 tripulantes e até 40 cientistas.

O projeto será customizado localmente com adição de hangar e convoo, por exemplo, mas muitas características do navio serão mantidas, com a Indústria Naval Brasileira participando ativamente para atingir o índice de nacionalização do futuro NApAnt em pelo menos 45%.

Assim, a Marinha do Brasil injeta investimentos na indústria naval brasileira, com projetos em três diferentes Estados: Santa Catarina (Fragatas Classe Tamandaré ou FCT), Rio de Janeiro (Programa de Submarinos ou PROSUB) e agora o Espírito Santo com o NApAnt (Navio de Apoio Antartico).

O que define o conceito de um Navio de Apoio Antártico?

Cunha: O início de um contrato visando obter um novo navio para a Marinha do Brasil já é algo muito importante, e no caso do NapAnt, a Marinha do Brasil continuará mantendo a tradição, agora com grande salto em tecnologia, na missão de levar a ciência brasileira e suas pesquisas científicas até a Antártica.

Os senhores poderiam discorrer sobre o modelo de aquisição e obtenção proposto para esse navio?

Cunha: Foi um modelo muito parecido com o modelo empregado na Fragatas Classe Tamandaré, assim, contratamos mais uma vez a Fundação Getúlio Vargas para nos auxiliar tanto no short-list quanto na escolha do Consórcio que realmente entregasse a melhor oferta. A FGV organizou de forma metodológica e científica os mais de 300 critérios de escolha e também a matriz de risco e seus fatores de avaliação. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entrou com sua expertise para implementar uma métrica de conteúdo nacional para o navio da ordem de 45% do contrato, repetindo mais uma vez o que foi feito no contrato das Fragatas Classe Tamandaré Assim, escolhemos dois órgãos de controle fora da estrutura administrativa da Marinha, o que dá mais legitimidade e credibilidade ao processo.

Pode nos dar informações sobre o estaleiro Jurong Aracruz/SEMBCORP, vencedor pela melhor oferta?

Calheiros: Trata-se de um estaleiro de muita tradição, trabalhando em estreita parceria com o SEMBCORP MARINE* de Singapura, um escritório de projetos mundialmente conhecido e que apresentou uma proposta de qualidade dentro da realidade pretendida pela Marinha e confirmada com a vitória dessa SPE no processo de escolha.

O recurso para o NApAnt, de R$ 750 milhões (2020) será suficiente para construir o navio mantendo o “estado-da-arte”?

Cunha: Todos os proponentes já sabiam de antemão qual era o valor que a Marinha tinha para pagar o navio, e com o investimento em renda fixa nesse último ano, único autorizado para a Emgepron, esse valor hoje está em cerca de R4 780 milhões corrigido. Mas não é só valor do navio que conta, existiram outras variáveis que influíram na decisão, a saber o desempenho do navio, a técnica construtiva, e por fim a modelagem financeira, onde entra em parte o valor a ser pago pelo navio.

Com relação a Gestão do Ciclo de Vida do Navio e as garantias do Fabricante, o que os senhores podem informar?

Cunha: Uma das variáveis era justamente a Gestão do Ciclo de Vida. Esse modelo efetivamente teve a sua melhor performance na proposta vencedora, no momento estamos negociando os termos de garantia para os diversos sistemas de bordo.

Quais as previsões de prazos para assinatura do contrato e construção do navio?

Cunha: O NApAnt é menos complexo, por exemplo, que uma fragata Tamandaré, e acreditamos que em oito meses teremos a assinatura do contrato. Para a construção do navio, a contar da assinatura, o prazo de 36 meses é a média de mercado para esse tipo de projeto especializado, portanto do anúncio de hoje até a entrega, teremos um horizonte de quase quatro anos pela frente de muito trabalho.

A Marinha já tem o modelo de navio do fabricante em vista?

Cunha: Sim, já temos um modelo em vista, baseado no conhecimento dos vencedor nesse tipo de projeto com exemplares navegando e entregues. Normalmente, o projeto do proponente vencedor é um Navio de Propriedade Intelectual de Proponente ou NAPIP, e o nosso NApAnt terá customizações delineadas pela Marinha do Brasil, mas de forma resumida podemos dizer que o navio deverá transportar um pouco mais de carga que o projeto original, deverá possuir um guindaste (crane)com maior capacidade de manejar carga que o atualmente em uso, e deverá possuir convoo e hangar na popa para operar com helicópteros de pequeno e médio porte.

As suas considerações finais, Alte. Calheiros?

Alte. Calheiros: Uma coisa interessante se comparármos o processo de aquisição e obtenção do NApAnt com a Fragata Tamandaré, nós escrevemos os requisitos e buscamos no mercado uma solução já pronta que se aproxime ao máximo desses requisitos, daí o proponente faz as modificações para atender os nossos requisitos com base no projeto existente, e isso exige estudos que demandam recursos e no final das comparações podemos afirmar que temos um projeto seguro, viável, de muita qualidade técnica e estamos satisfeitos com esse resultado.

Considerações finais, Alte. Cunha?

Alte. Cunha: Hoje é um dia de grande alegria não só para a Marinha do Brasil como para a comunidade científica brasileira que recebe a notícia desse navio com grande entusiasmo, pois ele irá substituir o cançadoi Ary Rongel daqui alguns anos. Temos a certeza de que será um grande sucesso a construção do NApAnt, assim como já está sendo o Programa das Fragatas Classe Tramandaré e o Programa de Submarinos.



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