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AMÉRICA | Armada
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EMGEPRON, thyssenkrupp, Embraer e Atech assinam contrato definitivo.

Navios Classe Tamandaré tem sua construção oficializada pela Marinha do Brasil

A cerimônia de assinatura aconteceu no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro

A cerimônia de assinatura aconteceu no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro

09/03/2020 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

Foi assinado no dia 05 de março de 2020, no Rio de Janeiro, o contrato para construção das fragatas Classe Tamandaré da Marinha do Brasil.

EMGEPRON, empresa estatal independente vinculada ao Ministério da Defesa por intermédio do Comando da Marinha do Brasil, e a Águas Azuis, empresa formada pela thyssenkrupp Marine SystemsEmbraer Defesa & Segurança e Atech, assinaram o contrato para a construção dos quatro navios Classe Tamandaré de última geração, com entrega prevista entre 2025 e 2028.

Somos gratos em poder participar novamente de um marco tão importante na história da defesa naval do Brasil com os navios mais avançados em sua classe. Relembramos as grandes conquistas que tivemos, desde a construção dos submarinos da Classe Tupi na década de 1980, e este é o reconhecimento da excelência tecnológica, confiabilidade e longevidade das soluções que oferecemos há quase dois séculos. O Programa Classe Tamandaré irá fortalecer nossos laços, por meio da transferência de tecnologia e da geração de empregos altamente qualificados para o país”, afirmou o Dr. Rolf Wirtz, CEO da thyssenkrupp Marine Systems.

Essa parceria valida os esforços para expandir nosso portfólio de defesa e segurança além do segmento aeronáutico. Nos últimos anos, adquirimos experiência no desenvolvimento e na integração de sistemas complexos, entre outros, a fim de tornar a Embraer qualificada para atender às necessidades da Marinha do Brasil, além de fortalecer nossa posição como parceiro estratégico do Estado Brasileiro”, declarou o CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider.

O contrato inclui uma robusta transferência de tecnologia em engenharia naval para fabricação de navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e de plataforma, bem como o apoio logístico integrado e o gerenciamento do ciclo de vida das embarcações.

Programa Classe Tamandaré tem potencial de gerar empregos diretos e indiretos de alta qualificação.

Prevê um sólido modelo de parceria nacional com habilidade comprovada de transferência de tecnologia e de qualificação de mão de obra local, o que garante o desenvolvimento de futuros projetos estratégicos de defesa no Brasil.

A construção será realizada 100% no Brasil, no Estaleiro Oceana, em Itajaí (SC), com expectativa de taxas de conteúdo local acima de 30% para o primeiro navio e de 40% para os demais.

Os novos navios multimissão serão baseados nas soluções comprovadas de construção naval da Classe MEKO®da thyssenkrupp Marine Systems, já utilizada em 82 embarcações em operação em Marinhas de 15 países, entre eles Portugal, Grécia, Austrália, Argentina e Argélia.

O conceito exclusivo MEKO® de design modular facilita a integração local e a transferência de tecnologia, ajudando a reduzir os custos de manutenção e modernização.

Águas Azuis

 

Águas Azuis é uma sociedade de propósito específico estabelecida entre a thyssenkrupp Marine Systems, a Embraer Defesa & Segurança e a Atech, subsidiária da Embraer, para a construção dos quatro novos navios Classe Tamandaré, a fim de ampliar e modernizar a esquadra da Marinha do Brasil.

Ela terá forte presença no país e conta com a sólida experiência das suas empresas controladoras em diversas áreas.

As empresas integrantes têm um sólido e longo histórico de relacionamento, além de forte presença em diversos países.

Líder da parceria naval Águas Azuis, a thyssenkrupp Marine Systems, empresa do Grupo thyssenkrupp, é um dos fornecedores líderes mundiais de sistemas para submarinos e embarcações de superfície naval, bem como tecnologias de segurança marítima com histórico secular de construção naval.

A Embraer Defesa & Segurança, unidade de negócio da Embraer, está presente em mais de 60 países e é líder na indústria aeroespacial e de defesa na América Latina.

A Atech, subsidiária da Embraer, desenvolve soluções inovadoras para controle de tráfego aéreo, sistemas de comando e controle, segurança cibernética, sistemas de instrumentação e controle, sistemas embarcados, simuladores e logística.

Também atua em outros projetos estratégicos da Marinha do Brasil, como o LABGENE (laboratório de geração de energia nuclear), para o qual desenvolve sistemas de Controle e Proteção e o sistema tático de missões de combate para o H225M/H-XBR SUPER COUGAR da Marinha do Brasil.

A aliança naval entre a thyssenkrupp Marine Systems e a Embraer Defesa & Segurança também permitirá criar bases para a exportação de produtos de defesa naval a partir do Brasil.

Um Dia Histórico

 

Dada a importância histórica do momento para a indústria naval nacional e para a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, segue a Ordem do Dia, publicada pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON):

Rio de Janeiro, RJ, 5 de março de 2020.

ORDEM DO DIA Nº 1/2020

Assunto: Assinatura do Contrato do Programa Classe “Tamandaré”

Este é um momento de significante relevância no sentido da modernização do Poder Naval Brasileiro e do fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) do nosso País, perfeitamente consonante com o que preconiza a Estratégia Nacional de Defesa (END).

Se buscarmos lições na História, notadamente no espaço deste complexo industrial naval em que nos situamos, vemos que a ciclos de aproximadamente cinquenta anos, a Marinha do Brasil (MB) busca dar grandes saltos de capacitação militar e tecnologia, que atendam não somente aos preceitos constitucionais da garantia da nossa defesa, integridade e soberania, mas também que tragam transbordamento de conhecimentos e benefícios socioeconômicos em prol do desenvolvimento da nação brasileira.

Assim ocorreu com a famosa “Esquadra de 1910”, que trouxe em seu bojo, além dos meios navais mais sofisticados de sua época, a necessidade de dotar o Brasil de uma infraestrutura industrial como esta do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), no contexto de uma economia ainda basicamente agrícola pré-industrial. Facilmente se compreende o quanto esse audacioso e vultoso empreendimento contribuiu para o processo de industrialização nacional, que viria a se consolidar a partir da segunda metade do século XX.

No início dos anos 1970, com o Programa das Fragatas da Classe “Niterói”, que ainda constituem o cerne da capacidade de escolta da nossa Força, a MB passa a navegar nos mares dos conceitos da moderna guerra naval, com tecnologias de mísseis, guerra eletrônica, sistemas digitais e computação, além da introdução de métodos quantitativos e da pesquisa operacional na concepção do apoio logístico e da avaliação operacional dos seus meios. Uma vez mais, é inequívoca a contribuição que esse ambiente educacional-científico-tecnológico empreendeu ao fomento da ciência e da tecnologia nacionais, fazendo jus ao esforço da sociedade brasileira em constituir um Poder Naval compatível com a dimensão e as responsabilidades estratégicas do Brasil.

Hoje, com a formalização do contrato de aquisição das Fragatas da Classe “Tamandaré”, passamos a ser conduzidos por uma terceira onda de expectativas e oportunidades de alavancagens operativa, tecnológica, logística e industrial, com repercussão direta sobre a matriz econômica brasileira, o que resultará em considerável efeito multiplicador sobre a economia como um todo, haja vista a atração de conhecimentos e a obrigatoriedade da participação da indústria nacional nas cadeias produtivas que se formarão em função da Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis Construção Naval Ltda., uma empresa nacional de defesa. Desta feita, diferentemente das ondas anteriores, não dependeremos de capitais internacionais, o próprio Estado Brasileiro, por meio da capitalização de uma de suas empresas estratégicas de defesa, a EMGEPRON, garantirá a sustentabilidade financeira desse verdadeiro e necessário “Investimento de Estado”.

Neste contexto, gostaria de ressaltar a forma harmônica, cooperativa e profissional como a Diretoria-Geral do Material da Marinha (DGMM), por intermédio da Diretoria de Gestão de Programas da Marinha (DGePM) e da sua rede de Diretorias Especializadas (DE), conduziram, como também outros setores da MB, de forma direta ou indireta, em conjunto com a EMGEPRON, o delicado e complexo processo de negociações que culminou nesta solenidade. De igual modo, gostaria de enfatizar a valorosa assessoria que tivemos por parte da Fundação Getúlio Vargas (FGV) na montagem do modelo de contratação. Por derradeiro, é justo mencionar a grande mobilização da Força de Trabalho da EMGEPRON que buscou capacitações inexistentes no âmbito da empresa para poder fazer frente ao desafio de estruturar e conduzir o Programa da Classe “Tamandaré”, sob os princípios da transparência, governança e integridade corporativas que preceituam a legislação brasileira.

Portanto, hoje, damos partida na execução desse estratégico contrato, com uma visão de parceria, de maneira que os navios sejam entregues na moldura de custos projetada, no cronograma definido, na qualidade e requisitos especificados pela MB.

Temos a certeza de que no horizonte dos próximos cinco anos, veremos, cruzando a boca da barra do Rio de Janeiro, o primeiro navio da classe, ostentando no mastro de combate, com orgulho, o pavilhão nacional e no espelho de popa o nome do patrono da Marinha do Brasil.

Viva a Marinha!

Viva o Brasil!

EDESIO TEIXEIRA LIMA JUNIOR

Vice-Almirante (RM1-IM)

Diretor-Presidente

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