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AMÉRICA | Defensa
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Inauguração da nova base antártica brasileira

Brasil inicia estudos para construção de nova embarcação antártica

Autoridades brasileiras inauguram a EACF enfrentando o frio antártico.

Autoridades brasileiras inauguram a EACF enfrentando o frio antártico.

24/01/2020 | Belo Horizonte

Roberto Caiafa

As novas instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz (estação de pesquisas do Brasil no extremo sul do planeta), foram inauguradas pelo vice-presidente da República Hamilton Mourão. Em entrevista coletiva após a solenidade, o Comandante da Marinha, Almirante Ilques Barbosa, informou sobre o “início de estudos para construção de um novo navio de apoio antártico”.

A cerimônia ocorreu na Ilha de Rei Jorge, no continente Antártico, e contou com as presenças dos Ministros da Defesa, Fernando Azevedo; da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Cesar Pontes; da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; dos Comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa; do Exército, General de Exército Edson Leal Pujol; do Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral, representando o Comandante da Aeronáutica, dentre outras autoridades militares e civis.

Após um incêndio destruir a antiga EACF, em 2012, as pesquisas brasileiras no continente gelado continuaram em edificações provisórias, em navios da Marinha do Brasil e em acampamentos.

Em discurso, Mourão reconheceu o trabalho dos militares brasileiros presentes na Antártida desde a década de 1980 e ressaltou o simbolismo da inauguração.

“A partir de agora, o plano de ação da ciência Antártica para o Brasil, até 2022, terá melhores condições para desenvolver programas científicos que aumentem a participação brasileira no Tratado Antártico”, declarou o vice-presidente na solenidade externa, que contou com momentos de neve antártica.

O novo espaço da Estação Antártica Comandante Ferraz dispõe de uma área de 4500 metros quadrados divididos em 17 laboratórios multidisciplinares, biblioteca, academia, auditório, dormitórios para hospedar até 64 pessoas, entre outros ambientes.

O local é administrado por um grupo de 16 militares responsáveis por apoiar as pesquisas feitas no local.

O Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e astronauta, Marcos Cesar Pontes, sublinhou que no passado “ciência e tecnologia” foram prioridades de países com alto índice de “desenvolvimento econômico”, conhecidos atualmente como países desenvolvidos.

Desenvolvimento de pesquisas

 

Por meio do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), o Brasil realiza pesquisas no continente gelado desde a década de 1980. E para manter-se membro do Tratado Antártico, o País precisa continuar fazendo pesquisas no local.

Como integrante do Tratado Antártico, o Brasil tem direito à voz, voto e veto nesse acordo internacional, do qual apenas 29 países fazem parte.

“A Marinha é a responsável pela coordenação e utilização do continente antártico, que propicia que outros ministérios, principalmente o da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, meios acadêmicos e científicos do Brasil integrem-se a essa base para fazer aquilo que o tratado diz, que é a exploração pacifica do continente antártico”, ressaltou o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo.

O Programa Antártico Brasileiro tem a participação de 250 pesquisadores e de 13 universidades brasileiras, além de envolver integrantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Fundação Oswaldo Cruz.

Os laboratórios da EACF foram projetados para atender as diversas necessidades da comunidade científica brasileira. A estrutura permite realizar pesquisas em áreas como meteorologia, biociências, química, microbiologia, biologia molecular e bioensaios.

Dois navios da Marinha do Brasil apoiam as atividades desenvolvidas pelo Programa Antártico Brasileiro: o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rangel e o Navio Polar Almirante Maximiano.

Novas instalações

 

A construção das instalações da base de pesquisas brasileira durou três anos.

O projeto de engenharia da estação foi concebido por engenheiros brasileiros, portugueses e chineses e desenvolvido com a participação de engenheiros da Marinha. A construção da obra ficou por conta da empresa China National Electronics Imports and Exports Corporation (CEIEC), que venceu licitação feita pela Força Naval.

Nesse trabalho, houve supervisão da engenharia da Marinha e o apoio de fiscais do Ibama que tiveram a função de fiscalizar e de reduzir possíveis impactos ambientais da obra no ecossistema antártico. Em decorrência ao frio extremo na região, os módulos que compõem a estrutura do prédio foram pré-montados na China e tiveram sua efetiva construção no continente gelado.

As obras foram planejadas para ocorrer somente no período do verão antártico, época compreendida entre os meses de outubro e abril. Foram investidos pelo Governo Federal cerca de US$ 100 milhões de dólares no empreendimento.

Edifício inteligente

 

Em função do material utilizado na construção, a nova estação possui capacidade sustentável com foco na redução dos gases de efeito estufa.

A constituição dos elementos usados na construção das paredes, por exemplo, forma um bolsão de ar isolante térmico entre o exterior e o interior da estação.

Na camada externa do edifício, chamada pelos engenheiros de “envoltória”, existem painéis com isolante térmico que constituem as paredes da estação.

“Temos diversas energias renováveis com recursos tanto energéticos quanto sustentáveis de meio ambiente na nova estação”, declarou o subcomandante da EACF, capitão-de-corveta Rafael Santana da Rocha.

Entre os mecanismos sustentáveis estão: a estação de tratamento de água e esgoto, sistema de geração híbrida e redundante de energia elétrica, com utilização de fontes renováveis (eólica e solar fotovoltaica) e um sistema de acumulação de energia, com bancos de baterias de íon-lítio.

A iluminação natural é complementada por um sistema artificial com tecnologia LED de baixo consumo de energia e cogeração de energia a partir da recuperação do calor dissipado pelos motores, para aquecimento da própria estação e da água de consumo.

A nova estação contempla um Sistema de Gestão Técnica Centralizada (SGTC) que comanda e controla instantaneamente todos os outros mecanismos da base.

Há ainda o sistema de energia elétrica cujo gerenciamento é feito tanto pelo lado da oferta (geração de energia) como pelo lado da demanda (consumo de energia), com possibilidade de otimização do uso da energia e redução do consumo de óleo diesel.

“Nós temos aqui um edifício gerenciado 100% do tempo e com registro dessas informações. Qualquer mudança de temperatura, qualquer diferença de tensão, a gente pode verificar no próprio programa. Isso é muito importante para manutenção”, explica o responsável pelos sistemas de energias do novo prédio, o capitão-de-corveta Daniel Pontes.

As energias renováveis da nova EACF representam até 20% da capacidade de geração de energia da nova estação, sem considerar a utilização dos bancos de baterias.

Entre os itens de segurança, existe agora um moderno sistema de detecção e combate a incêndio.

Imagem: Alexandre Manfrim/MD 

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