W. Braga Netto Brasil: "Pretendemos ultrapassar 1.500 milhões em exportações de defesa em 2021"
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W. Braga Netto Brasil: "Pretendemos ultrapassar 1.500 milhões em exportações de defesa em 2021"

Ministro da Defesa do Brasil, general Walter Braga Netto. Imagens: Roberto Caiafa
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Durante o embarque no Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico (A140), Infodefensa.com entrevistou o ministro da Defesa brasileiro, general Walter Braga Netto, acompanhado pelo comandante da Marinha do Brasil, almirante Almir Garnier.

Em pauta, exercícios conjuntos, exportação de produtos de Defesa, Programas Estratégicos, orçamento das Forças Armadas, desenvolvimento tecnológico e industrial e muito mais.

Ministro, a questão interoperabilidade tem sido bastante enfatizada em 2021. O que o senhor pode falar sobre isso?

Braga Netto: As Forças sabem operar bem dentro do seu universo particular em terra, mar ou no ar, especialmente na região amazônica, mas precisamos melhorar as operações conjuntas em qualquer ambiente do país, nos integrando e normatizando procedimentos em todos os níveis, com o devido suporte de pessoal e desenvolvimento tecnológico e industrial para alcançarmos esse objetivo.

Então teremos mais exercícios focados na interoperabilidade entre as Forças Armadas em 2021?

Braga Netto: Sim, o ministério da Defesa vai realizar, na sequência da tradicional Operação Dragão da Marinha, o Exercício Conjunto Meridiano, dando continuidade nas ações em todos os níveis, operativo, logístico, inteligência, etc. Será o maior do seu tipo no ano de 2021 (outubro/novembro).

As Forças Armadas brasileiras passaram recentemente por inspeções rigorosas das Nações Unidas para obterem a certificação nível dois, essencial para operações de imposição de paz. Veremos em breve capacetes azuis brasileiros em alguma missão internacional?

Braga Netto: Na atualidade, estamos mantendo missões no exterior com observadores ou elementos de ligação (pouco mais de 50 militares) em alguns países na África. Nossos navios devem focar o Golfo da Guiné no futuro próximo, e voltaremos a enviar tropas no terreno (boot on the field), lembrando que as Nações Unidas não pagam pela missão, elas repõem gastos, portanto é necessário manter um bom nível de investimento nas Três Forças.

A Base Industrial de Defesa e Segurança seria um dos destinos desses investimentos? O material brasileiro atende as demandas do Ministério da Defesa?

Braga Netto: A Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) dá um retorno muito grande ao País pelo seu enorme valor agregado. Porém, só conseguimos vender aquilo que usamos nas Forças Armadas, esse é o “selo de exportação” reconhecido pelo mercado. A indústria de Defesa rende muito em todo o mundo, para se ter uma ideia, nos governos anteriores, a média de exportações anuais girava em torno de US$ 800 milhões. Já alcançamos US$ 1 bilhão e duzentos em 2020, um recorde durante a Pandemia, e pretendemos superar US$ 1,5 bilhão para 2021.

Os mecanismos para financiar essa indústria estão funcionando bem atualmente?

Garnier: A questão hoje está bem ligada a economia. Não temos limitações de end-user, temos produto, temos renome, não estamos limitados por alguma aliança, por exemplo. O que precisamos equacionar melhor é a questão do crédito, garantias financeiras de compra e venda. Por isso, precisamos ter orçamento para a Defesa desvinculado da Regra de Ouro na Lei do Teto de Gastos. O Programa de Submarinos (PROSUB), por exemplo, anotou alguns atrasos mas segue dentro de uma previsibilidade. Ao mesmo tempo, e em um desenvolvimento bem mais longo, o Programa do Submarino de Propulsão Nuclear, claramente focado no Desenvolvimento Tecnológico do Estado Brasileiro, está agora trabalhando no Congresso Nacional a aprovação da Lei que cria a Agência Naval de Segurança Nuclear, fundamental para certificar reatores nucleares embarcados, completamente diferente dos usados em terra firme.

E o que dizer sobre as reduções de encomendas de alguns programas estratégicos?

Braga Netto: Nós queremos vender produtos de Defesa, mas para isso precisamos de melhores mecanismos de garantias financeiras, é preciso uma mudança de mentalidades. Temos o cargueiro militar KC390, o blindado Guarani, temos o sistema Astros 2020, os helicópteros do Programa HX-BR, enfim, alguns desses programas precisaram sofrer reduções no escopo, caso do Guarani, H-225M e KC390. No entanto, dilatar prazos também acarretam óbices financeiros para o país, além da perda de pessoal altamente qualificado que não retorna após sua saída para a iniciativa privada.

Garnier: Um exemplo dessa situação, em falando da Marinha, vejamos o caso das Escoltas Tamandaré, ao contrário do que andou falando o Tribunal de Contas da União (TCU), o programa foi garantido com a capitalização da Empresa Gerencial de Projetos Navais ou Engeprom, uma operação amparada na Lei e aprovada pelo Congresso Nacional com total transparência. Precisamos de uma Base Industrial de Defesa e Segurança capacitada para lidar com os complexos conteúdos de sistemas militares cada vez mais sofisticados que estarão sendo colocados em serviço nos próximos anos.



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