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Protótipo é flagrado sendo testado em Monte Real

Portugal avalia aquisição do EMB-314 Super Tucano da Embraer

O PT-ZTU fotografado por Jorge Ruivo na Base Aérea 5 Monte Real.

O PT-ZTU fotografado por Jorge Ruivo na Base Aérea 5 Monte Real.

22/11/2020 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

O protótipo do EMB-314 Super Tucano, propriedade da Embraer, está em Portugal há alguns dias executando uma miríade de voos de testes por todo o País, inclusive com emprego real de armamentos em estande de tiro da Força Aérea Portuguesa.

Matriculado PT-ZTU, esse é o mesmo avião utilizado como demonstrador durante a concorrência LAS (USAF) e o mesmo avaliado nas Filipinas antes do negócio ser fechado entre a fabricante brasileira e o Governo daquele País.

A presença do PT-ZTU em Portugal já seria suficiente para indicar que a FAP pretende adquirir o avião brasileiro, mas outros sinais claros dessa linha de decisão vem sendo divulgados nos últimos meses.

Declarações ministeriais

 

Em fevereiro de 2020, o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, declarou durante visita a Embraer “Estamos estudando comprar o A-29 Super Tucano já fazem alguns anos, em substituição aos nossos Alpha Jet, desativados em 2018. Pretendemos montar uma escola internacional de pilotos com parceiros privados e com a Força Aérea Portuguesa, além de nações OTAN. Portanto, serão os parceiros privados que decidirão o investimento. O Super Tucano é conhecido pelas suas qualidades como avião de formação e estamos a olhar para ele”.

Perguntado sobre quantos aviões de treinamento Portugal precisaria, o ministro declarou “Há uma necessidade sentida por vários países europeus, integrantes da OTAN, de renovarem suas frotas de treinadores. Individualmente, países como Portugal, Bélgica, Dinamarca ou Holanda não tem escala para fazer uma escola de formação de pilotos exclusivamente local. Nossa ideia, compartilhada por esses países, é de nos unirmos e evitar que pilotos tenham de atravessar o Atlântico para se formarem caçadores nos Estados Unidos ou Canadá. Esse projeto encontra-se bastante adiantado e seria baseado na Base Aérea de Beja, uma cidade no sul de Portugal onde o céu é azul 300 dias por ano, o que é muito importante para a formação, e o espaço aéreo é descongestionado”.

A fala do ministro português apenas confirmou uma realidade, Portugal e a OGMA, adquirida pela Embraer, estão a converterem-se em um gigantesco MRO (Centro de Serviços de Manutenção) e ponto de apoio dos produtos Embraer para nações NATO/OTAN de forma irreversível.

Segundo Cravinho “Portugal se beneficia da venda do KC-390 porque produz peças usadas na fabricação do avião, e assim pode promover o modelo entre os países da União Europeia e da OTAN. O KC-390 possui uma história de sucesso na parceria luso-brasileira. Ele (KC390) foi desenvolvido pela Embraer contando com uma contribuição significativa da engenharia portuguesa e de produção em Portugal. Seremos também o centro para qualquer venda para países da OTAN. Portanto, qualquer venda para países terceiros vai beneficiar Portugal. Primeiro porque muitas das peças serão fabricadas em Portugal e a engenharia portuguesa continuará ativa, segundo que, quando as vendas forem para países NATO/OTAN, as configurações específicas (integração de equipamento exclusivo) daquela aliança militar serão feitas em Portugal. Podemos e iremos relatar aos interessados a experiência com o KC-390 na nossa força aérea e no trabalho com a Embraer”.

A venda de dois KC390 para a Hungria confirmou as declarações de Cravinho alguns meses depois. Trata-se do 2º País OTAN, depois de Portugal, a escolher o avião brasileiro para sua aviação militar de transporte.

Com a parceria entre Embraer e OGMA consolidada, a consequente exposição proporcionada por um cliente NATO/OTAN aos produtos da empresa brasileira tem um grande potencial de negócios pela frente, e a dupla EMB-314 + KC390 está pronta, disponível e no mercado.

Outro sinal inequívoco de que Portugal está comprometido com o Super Tucano vem da página oficial da OGMA.

Recentemente, a empresa ampliou o escopo de serviços MRO para aeronaves EMB-314 Super Tucano, e lá pode-se ler o seguinte “A OGMA é a empresa de MRO escolhida pela Embraer para prestar serviços de apoio à aeronave Tucano / Super Tucano, quer nas nossas instalações, quer no terreno, com soluções que vão desde a manutenção leve até à modernização de aviônicos e à gestão de frota. Os serviços específicos da OGMA abrangem desde programas de modernização de cockpit / aviônicos, pintura de aeronaves e lettering, até a reinstalação de cablagens e disponibilização de equipes de assistência no terreno e representação técnica”.

Voos em Portugal

 

Websites dedicados a exibir dados de navegação sobre aeronaves voando no espaço aéreo português forneceram relatórios detalhados das atividades e voos do PT-ZTU.

No dia 17 de novembro, o avião foi fotografado operando na Base Aérea 5 Monte Real, reconhecido mundialmente como centro de formação de pilotos para a Força Aérea Portuguesa (FAP).

Segundo os relatos, no dia 18 o PT-ZTU operou no Campo de Tiro de Alcochete, local onde teriam ocorrido testes com armamentos do tipo bombas MK.82 não guiadas, foguetes de 70 mm e disparos das metralhadoras de 12,7 mm (uma em cada asa).

Em termos de área ocupada, Alcochete é a maior instalação militar da Europa.

Mesmo com todo o favoritismo que cerca o Super Tucano com relação a Portugal, é necessário lembrar que seus tradicionais concorrentes, o T-6 Texan II da Beechcraft (duas vezes derrotado pelo EMB-314 nos EUA) e o Pilatus PC-21 também estão no páreo.

 

Por fora, outro concorrente pouco conhecido poderá ser o Bader B-250, avião projetado por Joseph Kovacz (pai do T-27 Tucano) e construído no Brasil pela NOVAER por encomenda da Calidus, empresa dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Imagens: Embraer, Jorge Ruivo, LP-ADSB

 

 

 

 

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