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Entrevista Infodefensa.com

H. Gonzaga (Akaer): "Podemos exportar a revitalização de asas para outros operadores do P-3 pelo mundo"

Responsável pelo programa de revitalização das aeronaves P-3AM, Horácio Felix Gonzaga. Foto: Akaer

Responsável pelo programa de revitalização das aeronaves P-3AM, Horácio Felix Gonzaga. Foto: Akaer

20/05/2021 | Belo Horizonte

Roberto Valadares Caiafa

A Akaer, especializada em gestão de projetos, foi a primeira companhia brasileira parceira da Saab no Programa Gripen Brasileiro em 2009, antes mesmo da empresa sueca vencer a concorrência FX-2 para fornecer 36 aeronaves de combate a Força Aérea Brasileira.

Outros importantes contratos ligados ao mantenimento de aeronaves militares também estão sob a sua responsabilidade, caso dos quadrimotores Lockheed P-3AM de esclarecimento marítimo e guerra anti-submarina, busca e resgate.

O projeto de revitalização iniciou-se no final de 2018 com a realização de treinamentos em uma empresa americana parceira do projeto. Os conjuntos de asas estão sendo revitalizados nas instalações da Akaer em São José dos Campos (SP), e a desmontagem e montagem nas aeronaves são executadas no Parque de Material Aeronáutico do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ).

Para conhecer mais detalhes sobre esse programa, Infodefensa entrevistou o engenheiro Horácio Felix Gonzaga, responsável pela condução do Programa P-3AM nas instalações industriais da Akaer no Aeroporto de São José dos Campos (SP).

Quantas aeronaves serão submetidas a esse processo? A informação que temos fala de três aeronaves a serem modificadas/revitalizadas?

O contrato abrange trabalhos de revitalização de três aeronaves, exatamente aquelas mais próximas de atingirem as horas limite de fadiga das asas, o que obrigaria a FAB a decretar a paralização desses aviões.

Por quantas horas/anos essas aeronaves poderão operar, com segurança, após a conclusão do processo de revitalização e troca das asas?

Esses P-3AM, após a revitalização, terão em cerca de 7.000 horas de operação cada um, ou um total de até 21.000 horas, logicamente dependendo do perfil de emprego e esforços a que esses quadrimotores forem submetidos durante os próximos anos de operação. Mas considerando a média histórica e a disponibilidade de horas de voo a cada ano, para o Esquadrão operador, certamente esses aviões irão operar por muitos anos a frente, cerca de pelo menos 10 anos.

Os trabalhos nessas asas incluem as provisões de cablagens, plugs e demais implementos necessários ao transporte e disparo dos mísseis Harpoon antinavio adquiridos pela Força Aérea? 

Na verdade a versão que a Força Aérea adquiriu do P-3, o traço A que hora será modernizado, não possui pilones (cabides) para instalação de armamentos e/ou tanques suplementares nas asas, os cabides disponíveis na configuração existente estão localizados na parte ventral e central da aeronave, inclusive os existentes para transportar e disparar, por exemplo, os mísseis Harpoon compatíveis com essas asas. Qualquer outra informação sobre armamentos da Força Aérea para os P-3AM somente ela pode responder com precisão.

Esse contrato envolve modificações e modernizações de outras áreas das aeronaves? 

Essa é uma pergunta que muito nos orgulha, pois reflete bem o trabalho que está sendo realizado pela Akaer aqui em São José dos Campos. Com as modernas ferramentas digitais disponíveis para a engenharia trabalhar, conseguimos realizar uma completa compilação e digitalização de todos os processos necessários para executar as intervenções, tudo certificado pelo fabricante original (pagamos pela licença). Os trabalhos envolvem sim algumas ações na fuselagem dos P-3AM, pois o conceito de junção asas/fuselagem desse projeto é bem diferente dos designs atuais, e algumas modificações são necessárias para a troca de algumas partes e peças, o processo sendo conhecido como “faceamento”. O trabalho feito nas asas e fuselagens é acompanhado passo a passo em estações digitalizadas, sem o emprego de papel, qualquer dúvida o engenheiro ou técnico pode consultar os gabaritos e referencias em três dimensões para máxima precisão. Com o domínio dessas informações técnicas (e respectiva certificação) podemos inclusive realizar esse trabalho para terceiros, exportando essa capacidade, além da independência que isso proporciona a Força Aérea na manutenção de seus meios.

Uma pane recorrente nos P-3AM, no início das operações no Brasil, foi a trinca dos parabrisas no cockpit. Os trabalhos inclui algum tipo de atuação nesses componentes?

Temos conhecimento dessa pane, e sabemos também que a FAB já solucionou esse problema bem no início da operação dos aviões. Da nossa parte, não temos a menor participação nessas intervenções, atuamos apenas nas três células contratadas nos trabalhos específicos de asas e suas cablagens/seções/partes, e nas respectivas fuselagens. Á medida que essas aeronaves forem completadas e receberem de volta seu “recheio de missão”, o sistema FITS e demais equipamentos, elas retornam as operações de esclarecimento marítimo, patrulhamento, guerra de superfície e anti-submarina, busca e resgate.

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