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Entrevista Infodefensa.com

H. Spinetti (Iveco): "A venda do Guaraní para a Argentina incluiria suporte pós-venda, treinamento e a planta em Córdoba"


Entrevista al director de Iveco Defence Vehicles, Humberto Marchioni Spinetti


19/04/2021 | Sete Lagoas, MG

Roberto Valadares Caiafa

A Iveco Defence Vehicles está localizada na cidade de Sete Lagoas, no Estado de Minas Gerais, e suas modernas instalações, inauguradas em 2013, produzem a viatura blindada de transporte de pessoal (VBTP-MSR) Guarani 6x6 e também, a partir de 2021, a viatura blindada multitarefa (VBMT-LR) LMV-BR.

Para falar sobre a linha de produtos militares e os planos relativos ao Guarani 6X6 e LMV, entre outras novidades, Infodefensa.com entrevistou Humberto Marchioni Spinetti, diretor da ​Iveco Defence Vehicles.

Segundo Spinetti, o Brasil precisa investir continuamente na modernização das Forças Armadas, peça-chave para a proteção das fronteiras e dos recursos naturais do Brasil. Esse processo passa não só pela compra, mas principalmente pela a produção local de veículos e outros tipos de produtos de defesa.

Escolhido pelo Exército Brasileiro para tornar-se a Viatura Blindada Multitarefa Leve sobre Rodas (VBMT-LSR), 4x4, do Programa Estratégico do Exército Guarani, o Iveco LMV começará a ser entregue em 2021, atendendo ao contrato assinado em novembro de 2019 visando mobiliar as organizações militares de Infantaria e Cavalaria Mecanizadas da Força Terrestre.

Quantos LMV 4x4 serão entregues incialmente e por qual período de tempo?

Temos um contrato inicial para 32 unidades, todas serão entregues em 2021/2022, parcialmente produzidas na Itália e finalizadas em Sete Lagoas. De fato, a Iveco tem a intenção de concentrar, no futuro, toda a produção do LMV 1 em Sete Lagoas, mantendo uma cadência de produção de até 50 unidades/ano sem maiores problemas.

O LMV é reconhecido pelo seu elevado nível de proteção aos ocupantes. Como está configurada a célula de sobrevivência da versão brasileira do carro?

O LMV-BR foi projetado em torno de uma robusta célula de sobrevivência acoplada aos componentes periféricos, tudo dentro das normas padrão STANAG 4569, com emprego de aço balístico e blindagem composta, o carro podendo ser configurado com mais proteção em detrimento da capacidade de carga, ou o inverso, pode ficar mais leve mas com menos proteção.

O LMV-BR pode possuir outras versões, ou existem outros produtos que cobrem lacunas acima desse veículo?

Recentemente desenvolvemos o LMV 2, com carga útil maior e proteção balística superior, e acima, nós temos o MTV, com peso bruto superior ao LMV 2 e com mais proteção balística, desenvolvido para o Ministério da Defesa da Holanda. Portanto, nesse crescente alinham-se o LMV, o LMV 2, depois o MTV e por fim o MPV na versão 4x4, acima disso estão os veículos blindados 6x6 e 8x8.

Recentemente foram realizados testes com granadas fumígenas da versão brasileira do LMV. Esse sistema é nacional ou importado, e ele atende a proteção contra mísseis ATGM?

Como já citamos, o veículo é produzido na Itália em partes com a industrialização final usando componentes nacionalizados acontecendo no Brasil, mas no caso das granadas fumígenas elas são importadas e não podemos comentar sobre a sua efetividade contra mísseis anti-carro guiados, respeitando questões contratuais com o Exército Brasileiro.

O LMV.BR possuirá a mesma capacidade já estão integradas ao Guarani 6x6 que consiste no uso de software de gerenciamento do campo de batalha, rádios digitais e computadores táticos?

Sim, todas essas capacidades também estão sendo integradas ao LMV-BR, fornecendo essa similaridade de funções, os dois veículos conversam entre si com segurança e provendo grande consciência situacional as tropas embarcadas durante as missões e em combate.

Como estão as entregas do Guarani, em números consolidados?

A Iveco Defence Vehicles já produziu mais de 500 veículos Guarani, e inclusive desse total alguns foram destinados a exportação. Para o Exército Brasileiro já entregamos “ready to use” cerca de 480 unidades.

Quantos canhões automáticos de 30mm UT30BR já foram integrados e entregues, e quantas estações remotas de armamento Remax?

Em termos de quantidade, são cerca de 260 veículos equipados com a Remax, enquanto da torre de 30mm finalizamos a integração e entrega de treze viaturas armadas com o canhão Bushmaster UT30BR.

A versão prevista do Guarani 6x6 porta-morteiros, com arma de 120mm, como está o desenvolvimento? A versão engenharia do Guarani tem participação da empresa?

No caso da viatura porta morteiro, a Iveco Vehicle Defense foi contratada pelo o CTEx para desenvolver estudos de engenharia da viatura, integração da arma e demais processos. No momento estamos numa fase de pré-desenvolvimento, analisando no mercado as opções existentes de morteiros de 120mm, viabilidade técnico/financeira e demais fatores específicos dessa versão. No caso da viatura Guarani Engenharia, nossa responsabilidade se restringe a fornecer informações gerais do veículo ao integrador selecionado pelo Exército.

Recentemente uma empresa israelense, atuando como intermediadora, anunciou a venda de um determinado número de blindados Guarani a um país asiático. O que pode esclarecer sobre essas venda?

Nós acompanhamos por vocês da imprensa especializada os releases divulgados pela Elbit Systems com relação a essa negociação, mas o que podemos dizer é que até o momento não produzimos nenhuma viatura para atender a essa pretensa exportação.

Qual a situação dessa possível venda do Guarani ao Exército Argentino?

Temos todo o interesse em que esse negócio aconteça, as conversas entre as partes realmente existem e todo o processo encontra-se em aberto, a visita dos ministros da Defesa do Brasil e Argentina a fábrica de Sete Lagoas comprovam esse diálogo. É um projeto que está em andamento mas não temos nada de sólido para divulgar ainda, exceto que, em termos industriais, e pensando em expansão do mercado latino-americano, isso envolveria o suporte pós venda, treinamento e cooperação governamental entre os dois países, de fato é um negócio vantajoso para ambos e certamente abrangeria a unidade industrial Iveco localizada em Córdoba, Argentina.

Existe previsão para novas versões do Guarani além daquelas já citadas, uma espécie de Guarani 2?

Nós não conhecemos nenhuma especificação sobre um possível Guarani 2, o que temos de concreto é o pré-desenvolvimento da viatura porta-morteiro. Obviamente estamos disponíveis para contribuir nesse sentido, se assim for necessário.

O suporte pós venda inclui o treinamento dos operadores. A Iveco Defence Vehicles desenvolve algum tipo de simulador virtual para esse veículo?

No momento a empresa não está envolvida em nenhum desenvolvimento desse tipo, o que entregamos ao Exército é o Meio Auxiliar de Instrução, um equipamento cabinado que simula o posto do motorista e agrega um motor FTP Cursor 9, possibilitando treinar esse militar nos procedimentos e nas panes, trazendo grande flexibilidade na instrução de pessoal dedicado a viatura. Na atualidade, entregamos 18 destes sistemas, e tem se demonstrado muito efetivo como material de estudo e formação, atendendo as necessidades do cliente com um baixo custo de aquisição.

O Guarani 6x6 estará presente na 6ª Mostra BID Brasil, prevista para acontecer  no mês de agosto na capital federal?

Estaremos sim, e o Guarani 6x6 será exposto em nosso estande juntamente com todo o nosso portifólio de produtos (maquetes e material digital), demonstrando nossa confiança no País e no cliente Exército Brasileiro.

O que pode falar sobre o exemplar do MUV em testes na Polícia Militar do Estado de São Paulo?

O MUV é um produto talhado para forças de segurança governamentais e Forças Armadas com grande flexibilidade de configuração, podendo ir de uma versão mais administrativa/transporte até uma configuração mais robusta, com blindagem adequada para um requerimento de emprego policial urbano. Sendo a PMESP a maior corporação policial da América Latina e uma das maiores do mundo, os testes do MUV em São Paulo se apresentam como uma excelente oportunidade de expandirmos nossa atuação nos mercados de segurança pública em todo o País. Oportunamente divulgaremos os resultados práticos desses testes que ainda não foram concluídos.

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