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Novas tecnologias para o mercado brasileiro

Imbel busca modernizar seu portifólio de pistolas com a Sig Sauer P320

General Matiolli, diretor-presidente da Imbel e a SIG Sauer P320

General Matiolli, diretor-presidente da Imbel e a SIG Sauer P320

09/04/2020 | Brasília-DF

Roberto Valadares Caiafa

 

A Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) anunciou recentemente que “as tratativas de negócios com a SIG Sauer dos Estados Unidos, iniciadas durante o evento LAAD Security 2018 (considerada a maior feira especializada do mercado brasileiro), estão bastante avançadas, o que poderá resultar na nacionalização de produtos em seu portfólio “.

A Infodefensa Brasil entrevistou o General de Divisão (R1) Aderico Visconte Pardi Mattioli, Diretor-Presidente da estatal brasileira, e apurou, entre outras novidades, que estão  em curso diversos entendimentos, envolvendo fabricantes nacionais e estrangeiros, destacando-se,  no segmento de pistolas, os com a SIG Sauer pistolas, com vista a conquistar um mercado que tem se mostrado bastante ativo no Brasil, atraindo inclusive novas fábricas e investimentos.

General Mattioli, a Imbel negocia com quais empresas na atualidade?

Imbel está realizando várias tratativas com diversos players nacionais e internacionais, no sentido de internar no Brasil novas tecnologias e processos fabris em suas linhas de produção e no seu portfólio de produtos e serviços. A busca por parcerias tecnológicas, comerciais e industriais, sem vínculos acionários, é uma constante na empresa, tendo em vista o que prevê seu Estatuto Social e seus objetivos estratégicos. Neste sentido, a Empresa tem adotado uma política de portas abertas, estabelecendo tratativas em diferentes níveis com diversas empresas correlatas, entre elas a transnacional Taurus (complexo industrial de referência), nacional Dell Fire Arms e as estrangeiras, como a SIG Sauer - divisão norte americana (EUA), a turca Kale Kalip e a israelense Bul Armory .

Qual o objetivo industrial mais almejado no bojo dessas conversas?

A Imbel identificou a urgente necessidade de modernizar suas plataformas no segmento pistolas e assim reduzir o gap tecnológico de fabricação, algo que tem impedido a empresa de amealhar importantes mercados no Brasil como, por exemplo, as compras realizadas pelas Forças de Segurança Públicas. Durante décadas fabricamos pistolas baseadas na plataforma M911, e dela derivamos ótimas armas single action, em diversos calibres e configurações, reconhecidas nacional e internacionalmente pela qualidade e robustez. No entanto, em pleno século XXI, fica difícil agregar determinadas funcionalidades mercadológicas em armas que tem como matriz de fabricação um projeto de 1911, portanto, com mais de 100 anos. Para evoluir e absorver tecnologias construtivas mais sofisticadas, necessitamos adotar uma nova plataforma que permita a IMBEL “queimar” etapas através de uma parceria com produção compartilhada.

Essa parceria traria quais tecnologias de fabricação para a Imbel?

Passaríamos a lidar com novos materiais, além de dominarmos tecnologias construtivas modernas, que possibilitam a confecção de peças em aço geometricamente complexas, através do método de Moldagem por Injeção de Metal, por exemplo. Também poderíamos oferecer sistemas de funcionamento mais modernos como as pistolas de dupla ação ou DAO, sigla em inglês para Double Action Only. A austríaca Glock, outra referência no mercado de pistolas, patenteou uma nova classificação batizada de Ação Segura (Safe Action), armas que externamente aparentam ter o funcionamento DAO, mas internamente têm características singulares. Precisamos agregar essas tecnologias as nossas pistolas e uma parceria industrial de co-fabricação com transferência de tecnologia, nesse sentido, seria extremamente desejável, pois beneficiaria a todos os envolvidos. Essa ação irá permitir também a modernização do material de emprego militar ofertado às Forças Armadas brasileiras e para as vendas de exportação.

No caso da SIG Sauer, qual o modelo que está sendo avaliado para coprodução e nacionalização pela Imbel?

As conversas estão focadas no Modelo P320 da SIG Sauer, selecionada pelo Exército dos Estados Unidos para substituir a pistola M9 em uso desde meados da década de 1980. Lançada em 2014, a P320 é uma pistola de polímero capaz de intercambiar módulos de “grip” ajustáveis em tamanho de armação e calibre pelo operador, e possui trava de segurança do tipo “Thumb Safety”, mais o sistema Striker Safety System no gatilho de dupla ação. É uma arma de projeto inovador, possuindo também um indicador de munição carregada na câmara ou LCI, de Loaded Chamber Indicator, o que a torna extremamente segura e confiável.

A arma da SIG Sauer, assim como as demais cotadas pela Imbel, podem ser adotadas pelas Forças Armadas e de Segurança Pública visando a modernização do arsenal existente?

Sim, na medida em que precisamos subir do patamar intermediário onde nos encontramos atualmente. No passado, superamos a dependência tecnológica e produtiva, hoje queremos reduzir os gaps, principalmente os mercadológicos, e alcançar a autossuficiência nas capacitações industriais críticas. A adoção de um projeto atual como a P320, nacionalizada, está colimada com este objetivo. Importante ressaltar que, a razão precípua de existir da Imbel é a de atender as demandas operacionais da nossa Força Terrestre. Para tal, a versatilidade produtiva é um importante fator para o atendimento dos programas estratégicos do Exército. Visualiza-se que a P320 nacionalizada venha a contribuir significativamente com o rol de opções e representaria uma excelente opção de compra para as Forças de Segurança Pública. Tal medida evitaria a necessidade de licitações internacionais como visto recentemente, por exemplo, no caso do reequipamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma das maiores do mundo (cerca de 100 mil policiais).

General, o senhor citou a DFA Defense, fábrica que está no processo final de instalação na cidade de Anápolis (Goiás). Qual a natureza da parceria entre a Dell Fire Arms e a Imbel? Ela envolve alguma outra opção de pistola avançada ou produção compartilhada destas armas?

A DFA será a primeira fabricante nacional de armas leves autorizada a produzir no Brasil em muitas décadas, o que é algo muito bom para dinamizar e ampliar o mercado brasileiro. Na sua formatação pretendida, a DFA irá fabricar localmente as pistolas da AREX, de origem eslovena. A linha REX Delta, que apresenta funcionalidades similares às da P320 da SIG Sauer (sistema de funcionamento Striker), nos parece bastante atrativa. Com os investimentos em máquinas e outras tecnologias, a DFA vai alinhar uma linha de montagem bastante moderna, o que permitirá algumas parcerias entre as fábricas. Desta forma, a IMBEL prontificando alguns componentes para a DFA e vice versa, cada um aproveitando a “expertise” e a capacidade produtiva do outro. Quanto mais fabricantes nacionais tivermos, melhor se capacitará o cluster fabril brasileiro, ampliando o portfólio nacional, não só para as vendas aos órgãos governamentais, como também para o mercado civil de colecionadores, atiradores e caçadores (CAC).

 General, o senhor poderia explicar de forma resumida o que é a Imbel aos nossos leitores?

Imbel é uma Empresa Pública Dependente vinculada ao Ministério da Defesa (MD), por intermédio do Comando do Exército, e integrada ao Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Sistema Logístico e de Mobilização, ambos do Exército Brasileiro (EB). Tem sua sede instalada em Brasília/DF e suas Unidades de Produção (UP) articuladas nas cidades de Itajubá/MG (Fábrica de Itajubá – FI), Juiz de Fora/MG (Fábrica de Juiz de Fora – FJF), Piquete/SP (Fábrica Presidente Vargas – FPV), Magé/RJ (Fábrica da Estrela – FE) e Rio de Janeiro/RJ (Fábrica de Material de Comunicações e Eletrônica – FMCE). Essas Unidades de Produção fabricam e comercializam os seguintes produtos estratégicos de defesa e segurança: munição pesada (FJF) – artilharia, morteiros e carros de combate; sistemas e equipamentos de comunicações e eletrônica (FMCE); fuzis, carabinas, facas e pistolas (FI); explosivos, propelentes, pólvoras e seus acessórios de uso militar e civil (FE e FPV), e abrigos temporários de campanha de alto desempenho, para fins de uso militar, humanitário e defesa civil. A estatal também atua no viés logístico e de mobilização, como integrante do Sistema correspondente no Exército Brasileiro, onde hipoteca parte dos seus meios, sob a rubrica de “Manutenção da Capacidade Estratégica”, com o objetivo de atender as hipóteses de emprego das Forças Armadas em caso de decretação de uma Mobilização Nacional. No viés Cientifico e Tecnológico, a IMBEL opera como “braço fabril” do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) do Exército Brasileiro, de onde se originam seus principais recursos humanos, especializados no desenvolvimento científico, na pesquisa, na capacitação científica e tecnológica e na inovação, necessários ao desenvolvimento de novos produtos e serviços de interesse do Comando do Exército.

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