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Ucrânia incrementa sua proposta de off-set

Corvetas Tamandaré: short list sai antes do final de outubro

A Corveta Tamandaré será a primeira escolta brasileira armada com silos de mísseis verticais (VLS).

A Corveta Tamandaré será a primeira escolta brasileira armada com silos de mísseis verticais (VLS).

25/09/2018 | Belo Horizonte

Roberto Caiafa

A Marinha do Brasil está conduzindo um processo licitatório internacional para obter escoltas de alta complexidade tecnológica, as corvetas classe Tamandaré.

Os quatro exemplares serão construídos no país com exigência de conteúdo nacional entre 30 % e 40 % e vão obsorver investimentos da ordem de 1,6 bilhão de dólares em oito anos.

No final de outubro (após o período eleitoral) a Marinha do Brasil deverá anunciar o short list com os finalistas entre nove consórcios formados por empresas europeias e asiáticas, associadas a estaleiros brasileiros.

A concorrência alinha grandes empresas europeias do segmento de defesa e segurança, entre elas o Consórcio `Águas Azuis´ – Atech Negócios em Tecnologias S.A,Embraer S.A e Thyssenkrupp Marine Systems GmbH, contando com as seguintes empresas subcontratadas: Ares Aeroespacial e Defesa S.A, Fundação Ezute, Oceana Estaleiro S.A, Omnisys Engenharia Ltda, SKM Eletro Eletrônica Ltda e WEG Equipamentos Elétricos S.A; a francesa Consórcio `Villegagnon´ – Naval Group, Enseada Indústria Naval S.A e Mectron S.A; a britânica BAE Systems, Consub Defesa Tecnologia S.A. e Mac Laren Oil Estaleiros Ltda; o consórcio sueco-holandês Consórcio `Damen Saab Tamandaré´ – Damen Schelde Naval Shipbuilding B.V e Saab AB, contando com as seguintes empresas subcontratadas: Consub Defesa e Tecnologia S.A, Weg Equipamentos Elétricos S.A, e Wilson Sons Estaleiros Ltda.; e a italiana Consórcio `FLV – Ficantieri S.p.A, Leonardo S.p.A e Vard Promar S.A., contando com as seguintes empresas subcontratadas: Fundação Ezute e Ares Aeroespacial e Defesa S.A.

Há ainda os representantes da Índia, GOA Shipyard Limited (Indústria Naval do Ceará Inace, Fundação Ezute e SKM Eletro Eletrônica Ltda); o consórcio turco STM (Estaleiro Brasfels Ltda., Fundação Ezute, Thales, e Omnisys Engenharia Ltda); e pela Ucrânia, o estaleiro Ukrinmash (ThalesArsenal de Marinha do Rio de Janeiro - AMRJ).

No final de outubro, a Marinha deverá escolher três consórcios para permanecer na "briga" pelas corvetas (short list). Desses três sairá o vencedor.

Existe ainda a expectativa de que a escolha da melhor oferta final (BAFO) possa ocorrer até o fim do ano, embora não se descarte que o desfecho do processo possa ficar para o próximo governo, em 2019.

As empresas tiveram a opção de apresentar um projeto próprio para construção da corveta ou trabalharem o projeto de propriedade intelectual da Marinha.

As especificações foram descritas em uma solicitação de oferta conhecida no setor como RFP (request for proposal), documento com 1,6 mil páginas.

Lançada em dezembro de 2017, a RFP foi atendida por nove consórcios que apresentaram propostas.

O conteúdo local mínimo exigido para as corvetas é de 30´% para o primeiro navio e de 40 % para as demais unidades. O objetivo do programa é expandir e modernizar a força naval brasileira.

Hoje a Marinha conta com onze navios escolta, categoria na qual se incluem as corvetas.

Com o desgaste, em dez anos, a previsão é de que reste somente um desses navios em operação devido a avançada idade da frota.

Para reverter esse cenário, o projeto das corvetas classe Tamandaré surgiu emergencialmente como um compromisso entre custo x eficácia x operacionalidade, substituindo parte das aquisições projetadas para o extinto Prosuper, programa anterior mais ambicioso que previa fragatas de 6.000 toneladas.

O programa das Corvetas Classe Tamandaré vai contribuir para o desenvolvimento da base industrial de defesa brasileira, incluindo uma cadeia logística de reparos e suprimentos "independente" e a absorção de tecnologias.

As propostas apresentadas pelas multinacionais precisam conter transferência de tecnologia para a construção de navios militares modernos no país.

 

Conceitos

 

Cada fabricante tem o seu aproach para atender aos requerimentos da Marinha do Brasil.

A alemã Thyssen aposta no conceito MEKO® utilizado em fragatas, corvetas e navios de patrulha oceânicos.

MEKO® é um acrônimo para Multi-Purpose Combination, sistema de construção por módulos de armamento, equipamento eletrônico, propulsão, etc, reduzindo custos e tempo de manutenção.

Nos bastidores, comenta-se que a oferta alemã poderia incluir a opção por até seis jatos de transporte militar KC390 da Embraer Defesa e Segurança como ToT.

A Fincantieri tem como maior apelo, além das competências como construtor naval, a parceria com a Leonardo como fornecedora de sistemas de armas embarcados e sensores.

Os italianos preveem a transferência "total" de tecnologia de alto valor para empresas brasileiras.

O francês Naval Group, detentor de uma fatia importante no orçamento atual da Marinha do Brasil com o Prosub, exalta como diferencial de sua proposta a oferta de um projeto próprio, baseado na corveta classe Gowind.

Recentemente, a primeira unidade da classe foi entregue ao Egito, de uma série de seis, construídas localmente em um estaleiro civil sem experiência prévia para construir navios com especificações militares, o que comprovaria a qualidade do ToT negociado entre as partes.

A proposta do consórcio Damen-Saab é utilizar o projeto da classe Sigma e adaptá-lo às exigências da Marinha envolvendo um extenso programa de transferência de tecnologia e fortalecimento de empresas locais.

O estaleiro subcontrado será o Wilson Sons, no Guarujá (SP).

 

A proposta ucraniana

 

O estaleiro Ukrinmash e suas empresas associadas apresentam um longo e comprovado expertise em construção naval civil e militar, com diversos navios entregues e em serviço.

Durante a Guerra Fria, quase 70 % do total de navios de combate da então União Soviética vieram dos estaleiros ucranianos no litoral do Mar Negro, todos próximos a importantes bases navais como Odessa e Sebastopol.

A proposta ucraniana envolve a construção das corvetas Classe Tamandaré no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, e para este fim um memorando foi assinado com o estaleiro visando um leasing das instalações por 8,5 anos, em caso de vitória na licitação das CCT.

As instalações do AMRJ receberão o acréscimo de cinco docas compostas flutuantes com garantia de 50 anos (duas para atender a construção das corvetas, com 3.500 toneladas, duas para navios de até 8.500 toneladas e uma de 25.000 toneladas configurada para atender belonaves de grande porte como o G-40 Bahia ou o PHM Atlântico).

Para a concretização destes objetivos, será necessária a elaboração e desenvolvimento de uma nova infraestrutura do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com um novo Centro de Serviços para reparo e manutenção de plantas de turbinas a gás, por exemplo.

A transferência também envolverá a documentação de projeto necessária para a construção das quatro corvetas.

A Thales deverá fornecer o Sistema de Gerenciamento de Combate Tacticos, concebido para atender a vários perfis de missão, equipando diversos tipos de navios.

Todas as soluções de missão Thales ou de outros fornecedores podem ser integradas de forma eficiente ao Tacticos, garantindo a fiabilidade e interoperabilidade de todos os equipamentos, sensores e armamentos a bordo.

Tacticos compartilha informação através de uma avançada interface homem-máquina, permitindo a interoperabilidade de missão provendo alta conectividade usando rede Ip segura para compartilhar dados, voz, vídeo entre navios da frota.

O sistema aumenta a consciência situacional, seus consoles apresentando de forma clara e eficiente uma ampla fusão de dados coletados em diferentes sensores e sistemas, e designando os parâmetros de ação/reação da plataforma.

Com grande reserva de crescimento, pode incorporar quaisquer avanços em software e hardware requeridos ao longo do seu ciclo de vida. Vinte e duas marinhas usam diferentes versões do Thales Tacticos na atualidade. 

A ucraniana Zorya Mashproekt caberá fornecer o sistema integrado de gestão de meios técnicos do navio, como propulsão, sistemas elétricos, etc.

 

Aspectos geoestratégicos do Off-Set para a Ucrânia

 

A Ucrânia hoje possui premente necessidade de repor material militar e logístico, devido ao Conflito no Donbas, região ao leste de seu território conflagrado após a Crise da Criméia, algo que o chamado “Acordo de Minsk” ainda não conseguiu resolver a contento entre as partes.

Portanto, os ucranianos tem analisado a compra de material bélico brasileiro, variando de coletes balísticos, munições e rações de campanha até foguetes e aeronaves turboélices de treinamento avançado e ataque, leia-se Super Tucano da Embraer, entre outras possibilidades.

Fontes informaram a reportagem de Infodefensa que o Governo da Ucrânia deverá emitir um pedido formal de visita de comitiva da sua Força Aérea a uma base operacional de aeronaves Embraer A-29 Super Tucano (no caso, Porto Velho), para observar as operações de patrulhamento de fronteiras e treinamentos Coin (contra-guerrilha).

A visita, programada para o início de 2019, abriria caminho para negociações envolvendo a compra de um lote inicial de até doze exemplares do Embraer Defesa e Segurança A-29 Super Tucano para a Força Aérea daquele País.

Em outra vertente, e ainda dentro do off-set, a necessidade de armar as futuras fragatas daquele País com mísseis antinavio adequados poderia resultar na encomenda, por parte dos ucranianos, do brasileiro MANSUP, atualmente em desenvolvimento pela Avibras, SIATT e Omnisys para a Marinha do Brasil.

Imagens: Avibras, SIATT, Omnisys, Embraer Defensa y Seguridad, Zorya Mashproekt, Ukrinmash, Thyssenkrupp Marine Systems GmbH, Naval Group, BAE Systems, Damen Saab Tamandaré, Fincantieri, Thales.

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