Brasil, Amazônia e um Black Hawk com mísseis
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Brasil, Amazônia e um Black Hawk com mísseis

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A Força Aérea Brasileira e a Sikorsky anunciaram um novo contrato de manutenção para os 16 helicópteros UH-60L Black Hawk adquiridos via FMS (Foreign Military Sales) e operados divididos em dois esquadrões com oito helicópteros, o 5º/8º GAV, Esquadrão Pantera (Santa Maria/RS), e o 7º/8º GAV, Esquadrão Harpia (Manaus/AM).

Duas unidades operadoras do UH-60L baseadas nos extremos norte e sul do território brasileiro.

No anúncio conjunto, destaque para o alto nível de operacionalidade alcançado pela Aviação do Exército com seus quatro veteranos S-70A Black Hawk.

Este contrato, segundo esse mesmo comunicado, serviu de referência para o atual arranjo assinado entre a fabricante norte-americana e a Força Aérea Brasileira.

Para essas máquinas veteranas, o Exército anunciou recentemente em boletim interno (BE 27-21) assinatura do 2º Termo Aditvo (AMENDMENT 2), à linha de fornecimento BR-B-BBD, visando pagamento dos recursos financeiros relativos ao fornecimento de peças e conjuntos de reposição para os helicópteros Black Hawk por meio do programa Foreign Military Sales (FMS)

Esse anúncio acontece na esteira da conclusão de outro importante processo na aviação de asas rotativas da Força Aérea, a normatização da manutenção dos doze helicópteros de ataque AH-2 Sabre/MI-35 operados pelo 2º/8ºGAV Esquadrão Poti.

O marco definitivo desse processo foi a visita do embaixador da Federação Russa no Brasil, Sr. Alexey Labetskiy, as instalações da empresa estratégica de Defesa IAS (MG), contratada pela Força Aérea para realizar todo o ciclo de manutenção desses robustos aparelhos sem a necessidade do envio de células para a Rússia. A visita do diplomata russo, na verdade uma inspeção das capacidades da IAS, comprovou cabalmente o domínio nacional na manutenção do Sabre/MI-35.

Uma olhada no mapa e fica fácil perceber a enorme distância entre a base desses tanques voadores (Porto Velho, Rondônia) e a região metropolitana de Belo Horizonte, onde está localizada a IAS.

Comprovando a excelência do trabalho feito pela IAS, recentemente os AH-2 Sabre realizaram um exercício de tiro real para adestramento das tripulações nas modalidades de ataque terrestre com mísseis antitanque guiados AT-9 Spiral-2 (Ataka) e foguetes de 80 mm, além do massivo emprego do canhão de 23mm Gryazev-Shipunov GSh-23 para atacar alvos aéreos e no solo.

Interessante notar que a Força Aérea opera o AH-2 Sabre como interceptador de alvos de baixa performance mesmo o MI-35 sendo precipuamente um helicóptero de ataque recheado de armas ar-solo!

Enquanto isso, a Aviação de Asas Rotativas do Exército Brasileiro continua desprovida de helicópteros de ataque, a frota existente sendo incapaz de disparar míssil antitanque ou outro tipo de projétil guiado.

Black Hawk, um helicóptero perfeito para a Amazônia

Enquanto a Força Aérea demonstra uma capacidade de suporte logístico que permite a operação de metade dos UH-60L em Manaus e a totalidade dos AH-2 Sabre em Porto Velho com desenvoltura, permanece o fato de que a pequena frota de helicópteros S-70A da Aviação do Exército baseados em Manaus está abaixo dos mínimos necessários em termos de quantidade, mesmo com os excelentes níveis de disponibilidade alcançados, similar aos seus “irmãos” da FAB.

A recente reorganização do inventário de helicópteros da AvEx demonstrou claramente a superior adaptabilidade do Black Hawk ao ambiente amazônico, mesmo com uma logística repleta de desafios devido as enormes distâncias envolvidas entre as bases de suporte e as unidades operadoras.

De fato, enquanto modelos de outro fabricante foram concentrados nas regiões sudeste, sul e centro-oeste, ficando mais próximos do apoio de fábrica/cadeia logística (e menos suscetíveis aos problemas do clima amazônico), os Black Hawk da FAB e do EB continuam a operar com excelentes indicadores de eficiência e disponibilidade em plena selva.

A versão Armed Black Hawk do UH-60L/S-70A fabricada na Polônia pela PZL Mielec (subsidiária da Sikorsky) seria uma excelente opção para a expansão da frota de Black Hawk em Manaus, introduzindo assim um vetor da Aviação do Exército capaz de disparar mísseis antitanque no cenário Amazônico.

Durante Reunião do Alto Comando do Exército Brasileiro em 2020, foi autorizada a criação de um grupo de estudos para avaliar a viabilidade de aquisição e o emprego operacional do chamado “ABH – Armed Black Hawk”, essa capacidade sendo entregue, caso haja uma decisão pela compra, ao 4º BAvEx em Manaus.

Esse upgrade permite aos Black Hawk operarem com um grande e variado poder de fogo em diferentes configurações de armamentos.

O sistema integrado de missão possui um computador balístico e um sistema digitalizado de gerenciamento dos armamentos a bordo, permitindo grande flexibilidade operacional.

Com relação a precisão no emprego, o ABH ou Armed Black Hawk possui superior capacidade de pontaria no disparo das metralhadoras montadas nas semi-asas e pode disparar o míssil Hellfire guiado a laser, do tipo anticarro multialvos, com alcance nominal, dependendo da versão, de até cinco quilômetros.

O Hellfire, reconhecido pela sua capacidade anticarro demonstrada nas Guerras do Golfo e no Afeganistão, traria uma nova dimensão ao Exército Brasileiro em termos de armas anticarro do tipo míssil guiado.

Imagens: Sikorsky/Roberto Caiafa



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